Cedi e juntei-me hoje ao Google Reads. Vamos ver se tenho paciência para lá ir adicionar os livros que li (ou pelo menos ir atualizando os deste ano). Parece-me uma plataforma interessante para registo de leituras.
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
domingo, 21 de janeiro de 2024
"O último Fôlego!"
Este é um thriller do escritor George D. Shuman e para ser verdadeira, é um pouco difícil de explicar a história sem contar muitos pormenores. Adorei este policial pela sua história e pela forma como os acontecimentos se prendem uns nos outros, deixando sempre aquela vontade de ler mais uma página e de não conseguir largar até chegar ao fim.
Sherry Moore (que eu percebi entretanto, já tinha sido protagonista em "18 segundos", do mesmo autor e que eu ainda não li) é uma mulher com uma capacidade especial. Apesar de ser cega, ela consegue ao agarrar na mão de um cadáver, "ver" tudo aquilo que aquela pessoa pensou e viu nos seus últimos 18 segundos de vida. Desta forma, ela consegue ajudar a descobrir através da memória das vítimas, algumas informações importantes para a descoberta de alguns casos mediáticos que a polícia tem em mão. Mas nem todos acreditam ou aceitam a sua ajuda e, em certas ocasiões, nem ela está certa de estar a transmitir as informações mais importantes.
Neste livro, Moore é chamada para ajudar a desvendar o caso de três mulheres que são encontradas num macabro cenário, dentro de uma arca frigorífica. No entanto, as coisas começam a correr mal e Moore acaba por correr mesmo risco de vida.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
A complexidade da aquisição da leitura
Ler é uma capacidade fundamental e a sua aquisição começa muitos anos antes da primeira palavra lida.
A primeira aquisição que a criança faz ao nível da leitura é na perceção que os livros têm histórias e que as histórias estão escritas com símbolos, de várias formas e de vários tamanhos que dizem alguma coisa. Ou será que até começa bem antes disso, quando a criança começa a inventar as suas próprias histórias, lendo e interpretando as imagens que aparecem num livro?
Para ler é preciso aprender as palavras. Sim, mas é muito mais do que juntar várias figurinhas estranhas, que conforme as dispomos em posições diferentes, fazem sons diferentes e querem dizer coisas diferentes. Ler precisa de entoação, precisa de compreensão e por isso faz parte da aprendizagem da leitura, ouvir ler, ouvir entoar, brincar com os sons e com as palavras que se lêem.
Antes de ler, muito antes, é preciso brincar com os sons, brincar com as palavras, treinar aquele que é o aparelho fonador, que nos permite falar, treinar a respiração, a pausa, o ritmo... para depois brincar com as palavras, com as sílabas, com as letras. Desenhar muito, muito, muito, com as mãos, com os dedos, com pincéis, com lápis, giz, canetas... adquirir a noção de corpo, espaço e movimento, centralidade e lateralidade, de cima e baixo, dentro e fora! E por tudo isto, a aquisição da capacidade de ler não começa no 1º ano!
Ler é um processo muito difícil. Bem, para mim parece que foi algo natural, não me lembro de quando não sabia ler. Como foi comigo aprender, não me recordo. Mas passei pelos mesmos processos pelos quais passam todas as crianças. O primeiro passo acho que foi a necessidade. Havia livros em casa e eu queria pegar e ler sozinha sem ninguém a interferir. Eram a minha companhia.
Mas a leitura pode não acontecer de forma tão natural. Pode ser um processo muito difícil para a criança. Muitas vezes, quando os pais se apercebem destas dificuldades, tendem a mostrar ansiedade e acabam por transmiti-la para a criança. E às vezes, é preciso alterar as estratégias a usar, descomplicar e simplificar adequando novas formas de abordar a leitura. Não se pode pedir a uma criança que não tem noções básicas sobre o seu esquema corporal e sobre a lateralidade, ou que nunca desfolhou um livro inventando as suas próprias histórias, ou a quem nunca contaram histórias, muitas histórias, nem leram livros, tantos e tão diferentes, que um dia se sente numa secretária e de forma natural aprenda a ler.
Ler não pode ser visto como uma capacidade inata, tem de ser aprendida e trabalhada. Quando a criança se desmotiva, a aprendizagem fica desde logo muito condicionada e quando tornamos esta aprendizagem em algo negativo que pode transtornar a criança, trazendo-lhe momentos negativos, momentos de ansiedade e medo, o processo fica logo muito limitado e um livro começa a ser um papão em vez de ser um prazer.
Não conseguir ler não é hoje motivo de retenção no primeiro ano como era há muitos anos atrás. Mas pelo terceiro ano, já quase que não é comportável que a criança não leia. O que está errado aqui, é não se aceitar que as dificuldades de aprendizagem são uma condição como outra qualquer. Existem muitas causas para a limitação da aquisição das competências essenciais à leitura e antes de se atribuir um rótulo à criança, temos de estar abertos à exploração de todas as questões que possam estar a condicionar esta aprendizagem.
Ler é fantástico, para mim, mas pode não o ser para o outro. E às vezes, não entendemos isso. Andar e correr é fantástico. Uma criança com apraxia motora pode não o fazer e não há problema com isso, porque compreendemos que é a função muscular que está afetada. Então, porque é que não compreendemos quando é o músculo da leitura o que está afetado?
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
Narrativa...
Os ramos da velha árvore curvavam-se para cima da casa, quase como se a abraçasse. O peso dos anos iria fazer com que um dia viessem a cair sobre a moradia, mas até agora era apenas uma ameaça de que todos tinham consciência. Do lado direito, uma parede incompleta mostrava sinais de ter sido atingida pelo fogo que no ano anterior tinha consumido a serra. Não havia portão, mas as silvas que a rodeavam eram tão altas que impediam a passagem afoita de quem ali tentasse entrar. Havia um caminho, um pequeno carreiro nas traseiras que deixava com que se penetrasse naquele matagal e se chegasse à casa, mas nunca sem trazer as pernas cheias de picos.
Ele tinha-o conseguido. Estava agora sentado nos degraus da frente, num alpendre apodrecido mas que ainda mantinha o seu aspeto original. Tinha subido a serra o mais rápido que as suas pernas o permitiam, e agora, ali, estava sozinho, mas sentindo-se mais seguro. A noite estava prestes a deixar tudo escuro e ele esperava que a neve que caía disfarçasse as suas pegadas. Seria fácil descobri-lo ali, mas pelo menos esta noite ia arriscar.
Elsa Filipe
sábado, 13 de janeiro de 2024
"Os pássaros também cantam no Inferno"
Horace Greasley foi um soldado britânico que combateu na Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1940 foi capturado e passou quase cinco anos nas mãos dos alemães. No final da sua vida e tal como havia prometido a Rose, a namorada que visitava quando se invadia do campo de prisioneiros, quis dar a conhecer a sua história e a dos seus camaradas. Este livro conta a história de Horace Greasley, escrita por Ken Scott e que relata aquilo que foi a verdadeira caminhada da morte, as milhares de mortes gratuitas e o que se passou dentro do perímetro dos campos de prisioneiros.
É um livro extremamente duro, especialmente se não perdermos o foco de que aquilo que está a ser relatado é verdadeiro. Aquelas pessoas não são personagens, são vidas reais que existiram mesmo. Os dias que não passavam, os trabalhos forçados, a fome, as doenças e o frio, aconteceram tal como ali é descrito por um homem que tal como tantos outros, era apenas um jovem quando o recrutaram para lutar numa terra que não era a sua. Muitas vezes, Greasley deve ter pensado que seria melhor morrer do que continuar naquele sofrimento. Mas ao contrário da maioria daqueles homens, ele descobriu o canto dos pássaros, descobriu a liberdade possível dentro do cativeiro, importou-se com os outros e deu a muitos deles a possibilidade de lutar por um objetivo e de darem sentido à sua vivência diária.
Esta é uma história de amor diferente e extremamente triste.
domingo, 7 de janeiro de 2024
Escritora Alice Vieira distinguida no México
A nossa Alice Vieira, foi distinguida entre 14 escritores finalistas, oriundos da Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, para o Prémio Ibero-Americano SM de Literatura Infantil e Juvenil. O prémio tem o valor de 30 mil euros.
Alice tornou-se, assim, a primeira autora nacional a receber tal prémio. A autora, que já tinha sido candidata ao prémio em 2016 e 2018, é a primeira portuguesa distinguida pelo prémio que reconhece “a trajetória de escritores iberoamericanos” de literatura infantil e juvenil no espaço iberoamericano, em língua portuguesa ou espanhola. Para esta decisão, segundo a declaração de voto do júri, contribuiu o “estilo pessoal que transcende gerações e culturas”, assim como a “grande qualidade literária e diversidade em sua obra”,que consegue “transformar uma história local em universal”.
Nascida em 1943, Alice licenciou-se em Filología Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e soma uma carreira literária de mais de 40 anos, que conjugou com o percurso no jornalismo. Estreou-se na escrita em 1979, com o livro infantil "Rosa, minha irmã Rosa" . Ao longo dos anos, tem conquistado vários prémios com a sua já vasta obra. Entre os prémios que recebeu destacam-se o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil por “Este rei que eu escolhi” (1993), o Grande Prémio Gulbenkian pelo conjunto da obra (1994) o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho pelo livro de poemas “Dois corpos tombando na água” (2007).
É uma das escritoras que gosto de trabalhar em sala com os alunos pela forma como escreve e pelas temáticas que aborda.
Fontes:
https://www.dn.pt/8098616991/um-premio-para-a-universalidade-de-alice-vieira/
"Sonata em Auschwitz"
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