terça-feira, 26 de março de 2024

Dia do Livro Português

Sabiam que hoje se celebra o Dia do Livro Português? Foi nesta data que foi impresso o primeiro livro em Portugal. A primeira edição coube ao livro "Pentateuco" - escrito em árabe. "A imprensa, em Portugal, foi introduzida no tempo do rei D. João II," em 1487. "O único exemplar da primeira edição deste livro encontra-se em Inglaterra, depois de ter sido roubado por Francis Drake, quando este atacou e saqueou a capital do Algarve em 1587."


Já o segundo livro a ser impresso em Portugal terá sido “O Tratado de Confissom”, o primeiro livro cristão impresso utilizando o sistema de Gutenberg, em 1489.


Esta data procura destacar a importância dos livros e promover a leitura.


Deixo-vos aqui uma pequena curiosidade: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/dia-do-livro-portugues/


Fontes:


https://www.e-cultura.pt/efemeride/176


 


 


 

quinta-feira, 21 de março de 2024

Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia comemora-se, desde 1999, anualmente, a 21 de março. Nesta data, pretende-se "salientar a importância da poesia enquanto manifestação artística comum a toda a Humanidade. Celebra-se também a criatividade, a pluralidade linguística e cultural e promove-se o ensino e declamação da poesia."


Há poesias para todos os gostos, mas esta tem na sua simplicidade a maior beleza. Escrita para crianças, mas que faz os adultos refletir. Da já desaparecida, Cecília Meireles:


Ou isto ou aquilo:



Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo …
e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.


Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.



Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-mundial-da-poesia


https://www.culturagenial.com/poemas-infantis/


 

domingo, 17 de março de 2024

O adeus ao poeta Nuno Júdice

Morreu este domingo o poeta Nuno Júdice com 74 anos.


O poeta era natural de Portimão, mais propriamente da Mexilhoeira Grande, onde nasceu em 1949. Formou-se em "Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa," tendo sido também professor de "Literatura francesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa." Nuno Júdice acabou por ser considerado por muitos, um dos "mais importantes nomes da poesia contemporânea."


O seu primeiro livro foi “A noção de poema”, editado em 1972, ainda antes de se ser livre de dizer (e escrever) o que se queria. O próprio título do livro, "indicava uma atitude poética muito auto-reflexiva, integrando as próprias questões internas da poesia. Havia nesse livro uma atitude próxima de uma neo-vanguarda, de que o poeta se distanciará." É publicado três anos depois, a obra "O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1975)" a qual trazia ainda "a mesma atitude poética auto-reflexiva, que adquire uma dimensão muito mais elegíaca e em diálogo com a tradição romântica em títulos como 'Um Canto na Espessura do Tempo' (1992), 'Meditação Sobre Ruínas' (1995, Prémio APE) e 'O Movimento do Mundo' (1996)."


Em 1992, foi ainda comissário para a "área de Literatura da Exposição Universal de Sevilha."


Nuno foi galardoado com diversos prémios, "dos quais se destaca o Prémio Ibero-Americano Rainha Sofia atribuído em 2013. Em 2018, foi galardoado com o prémio PEN do Clube Galego e em 2021, foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho da Associação Portuguesa de Escritores (APE) pela publicação do livro 'Regresso a um cenário campestre', editado em 2020."


Nuno Júdice foi também "finalista do Prémio Europeu de Literatura pela obra 'Meditação sobre ruínas' que em 1994 já tinha sido distinguida também pela APE."


Em 2022, é apresentado o volume '50 anos de poesia' (1972-2022), "que reúne o seu trabalho poético durante meio século." Para além de poeta, Nuno Júdice, trabalhou também como "professor na Universidade Nova até 2015, tem obra publicada como ensaísta, nomeadamente sobre a literatura portuguesa da Idade Média aos tempos atuais." Produziu também várias "obras de ficção e traduziu e organizou antologias."


Na sua tese de doutoramento, abordou o “Espaço do conto no texto medieval”. Assumiu também a "liderança do Instituto Camões em França," substituindo Eduardo Prado Coelho, bem como o de "conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Paris," entre os anos de "1997 e 2004." Foi "diretor da revista 'Colóquio', da fundação Calouste Gulbenkian."


Fontes:


https://observador.pt/2024/03/17/morreu-o-poeta-nuno-judice-aos-74-anos/


https://www.publico.pt/2024/03/17/culturaipsilon/noticia/morreu-nuno-judice-poeta-eterno-retorno-2083925

sexta-feira, 15 de março de 2024

Miguel Sousa Tavares

Depois da leitura de "No teu deserto" acabei por pesquisar um pouco sobre este escritor sobre o qual, já conhecia um pouco do trabalho mas como jornalista, e não propriamente como escritor.


Miguel Andresen de Sousa Tavares, nasceu a 25 de junho de 1952 e é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen e do advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares. Apesar de se ter licenciado em Direito, acabou por abdicar dessa carreira definitivamente, para se dedicar em exclusivo ao jornalismo.


Entrou para a RTP em 1978. "Foi um dos fundadores da revista Grande Reportagem em 1989, publicação da qual se tornou director logo no ano seguinte" e onde se manteve por 10 anos. "Ainda em 1989, Miguel Sousa Tavares foi diretor da revista Sábado, publicação generalista que havia sido lançada no ano anterior por Pedro Santana Lopes," onde se manteve por pouco tempo.


Escreveu também para "o jornal Público, desde que este foi lançado em 1990 até ao início de 2002. Ao mesmo tempo, foi assinando crónicas noutras publicações como o jornal desportivo A Bola, na revista feminina Máxima e no jornal on-line Diário Digital."


Recebeu diversos "prémios como repórter, entre os quais o Grande Prémio de Jornalismo do Clube Português de Imprensa e o Tucano de Ouro, 1º Prémio de reportagem televisiva no FestRio-Festival de Televisão e Cinema do Rio de Janeiro." 


Esteve na SIC, "onde apresentou programas de informação como Crossfire," onde trabalhava com a saudosa Margarida Marante e o programa "20 anos, 20 nomes que foi uma série de vinte entrevistas com personalidades importantes da nova história portuguesa."

 

Em 1999, "Miguel Sousa Tavares ingressou na TVI e apresentou Em Legítima Defesa. Em setembro de 2000, estreou-se como comentador fixo do Jornal Nacional da TVI, onde passou a marcar presença semanalmente às terças-feiras, para abordar a atualidade nacional e internacional."

 

Em 2010, volta "para a SIC com Sinais de Fogo, um programa semanal que tinha como propósito comentar o universo político do país," e onde ficou até 2021. Em 2023, voltou para a TVI, onde ainda se encontra atualmente como comentador residente. Em ambas as estações, as opiniões do comentador nem sempre reúnem consenso, com várias frases e opiniões polémicas.

 

Quanto à sua obra, Miguel Sousa Tavares já publicou vários livros, na sua maioria, crónicas. O seu primeiro livro foi Sahara, a República da Areia, o qual nasceu de uma reportagem e foi editado em 1985. Dez anos volvidos, seguiu-se uma coleção de escritos políticos: Um Nómada no Oásis, e um conto infantil: O Segredo do Rio. 

 

Em 1998 publicou um livro de crónicas de viagens intitulado Sul e, em 2001, faz o seu ingresso na ficção com "Não te Deixarei Morrer David Crockett, que reuniu os escritos da revista Máxima. Neste último ano, foi também editado Anos Perdidos, uma coleção de crónicas dedicada aos governos de António Guterres entre 1995 e 2001."

 

Em 2003, publica pela primeira vez Equador, um romance que teve um enorme sucesso e que foi "traduzido em 12 línguas e editado em cerca de 30 países, com adaptação televisa em Portugal e no Brasil." Em 2007, segue-se Rio das Flores. Em 2009, publicou No Teu Deserto, e em 2010, Ukuhamba – Manhã de África. Segue-se no mesmo ano Ismael e Chopin. Em 2013, apresenta Madrugada Suja, e no ano seguinte, surge com Não se encontra o que se procura.

 

 

Fontes:




 

 

quarta-feira, 13 de março de 2024

"No teu deserto"

Este é um dos livros de Miguel Sousa Tavares. O livro tem como subtítulo "Quase Romance" e remete-nos para uma viagem ao passado, a uma viagem feita atravás do Sahara que, mais do que nos dar a conhecer alguns aspetos do deserto, nos dá uma perspetiva do "eu" interior, da visão que a personagem principal tem da sua companheira no início da viagem e de como essa imagem se vai alterando ao longo do tempo. Neste livro encontramos uma perspetiva diferente da vida e da construção de uma amizade.


A partir de uma fotografia antiga, o autor recorda Cláudia e as memórias que com ela construiu durante uma viagem única, ao deserto do Sahara. Nessa viagem, além da descrição do espaço e da aventura que envolve um percurso desta natureza e complexidade, passa especialmente pela viagem interior e pela reflexão sobre o amor e a amizade, sobre o eu interior do narrador e sobre a forma como vê os outros.


Aqui entra em confronto a visão do fotógrafo, que busca o melhor enquadramento e não quer perder nenhuma imagem, e a visão humana de quem observa o deserto e os seus acontecimentos. No início desta viagem, o autor escreve sobre as artimanhas para ultrapassar as barreiras burocráticas e como o dinheiro é a chave que vai abrindo todas as portas (ou quase todas).


Mas o ponto principal da história é a relação entre o narrador e Cláudia (que também acaba por assumir em alguns momentos o papel de narradora, dando uma perspetiva diferente dos mesmos assuntos). Uma relação entre duas pessoas que são desconhecidas e que apenas vão viajar juntas. Duas pessoas muito diferentes e com objetivos de vida diferentes. E sabemos logo na primeira página que o desfecho de Cláudia será fatal.


Um livro que vindo deste jornalista não me surpreendeu e do qual gostei bastante. Um livro que se lê muito rapidamente, com uma escrita fluida e sem descrições desnecessárias, em que o essencial está lá.


Uma das passagens que eu mais gostei foi esta:



"- Escrever não é falar.


- Não? Qual é a diferença?


- É exatamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer."



Logo na partida, começam as peripécias e ambos acabam por viajar por Argel, enquanto o restante grupo segue direto por Marrocos. O intuito é arranjar uma licença para poder transportar consigo e usaar todo o equipamento fotográfico, mas logo aí começam os percalços. Os dois companheiros de viagem, talvez pela sua diferença de idades, talvez pela maneira de ser de cada um, vêem cada peripécia de uma perspetiva diferente e, apesar de tudo, a viagem lá se vai concretizando. Durante o caminho, além de conhecerem o deserto, criam uma forte amizade que se vai consolidando, mais do através das palavras, através dos silêncios enquanto se vão tornando uma equipa.



«Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.»



A minha opinião pessoal? Um livro que vale a pena ler e que nos agarra da primeira à última página. 

segunda-feira, 11 de março de 2024

O papel da leitura na melhoria da escrita

A questão que hoje coloco é: ler mais, pode ter interferência nos resultados escolares? 


Diariamente, o meu trabalho é com crianças e uma das coisas que tenho vindo a reparar é na baixa expansão vocabular dos alunos. Excetuando alguns casos, que infelizmente cada vez são menos, os alunos não mostram interesse em ler, não conhecem provérbios populares, nem lengalengas ou travalínguas... 


A minha preocupação aumenta quando, alunos de 7º ou 8º ano, que têm disciplinas como matemática, história e geografia, não sabem o que significam palavras como "extensão", ou me dizem que o antónimo de "independente" é "coletivo". Estes são apenas pequenos exemplos que me levam a refletir sobre o rumo que a educação está a levar e se estamos mesmo no caminho certo.


De facto, podemos constatar que hoje em dia as crianças têm um acesso muito mais facilitado aos livros mas não lêem. Na minha opinião, ler é uma das habilidades fundamentais que devem ser adquiridas no 1º ano e consolidadas durante o 1º ciclo (não estou a incluir aqui alunos com NEE). O problema é que chegam ao 2º ciclo alunos que, apesar de não terem nenhum diagnóstico, não conseguem compreender e interpretar um texto simples. Outro problema, são os estrangeirismos, que apesar de sempre terem sido utilizados - eu usei e uso claro, faz parte da própria construção e evolução da língua - são de facto usados pelos jovens sem conhecerem o seu significado e a sua origem. Compreender e interpretar é necessário no dia a dia, faz parte não apenas da aprendizagem do português, como das outras disciplinas. O treino destas capacidades é tão importante como outros treinos que fazemos. Mas claro que nem todos gostamos do mesmo!


Mas também não posso deixar de dizer que há exceções e que tenho também alguns alunos que gostam de ler e que levam atrás de si alguns livros para "ler nas horas vagas". Sem obrigação e que até reclamam porque "a mãe não deixou comprar" um determinado livro porque o tema ainda não era para a sua idade. Estes alunos, têm mais facilidade em fazer a interpretação de um texto, são mais rápidos a encontrar as respostas que procuram no manual e, até dão menos erros ortográficos. Normalmente, são alunos que apresentam menos dúvidas quando têm de fazer exercícios que tenham a ver com a sintaxe e a morfologia. Se é regra? Não. Não o é de todo, mas... será que este treino da leitura não terá aqui um papel fundamental?


Na minha opinião, a leitura é uma das maiores ajudas para melhorar a escrita, sim, disso não tenho dúvidas! Se são melhores alunos? Não será apenas por isso e é claro que o rendimento escolar passa por muitos outros fatores que não estou aqui a apontar, mas sem dúvida que o hábito de leitura os ajuda também a serem capazes de escrever mais e melhor, de conseguirem construir respostas mais completas e fundamentadas.

domingo, 10 de março de 2024

Rodrigo Guedes de Carvalho

Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu no Porto a 14 de novembro de 1963, mas mudou-se para Lisboa aos 18 anos, "com o objetivo de tirar o curso de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa." Na adolescência, jogou futebol e râguebi.


Todos o conhecem como jornalista e como escritor, mas poucos se lembrarão que, ainda durante o curso de Comunicação Social, "em 1984, participou na novela portuguesa "Chuva na Areia", desempenhando o papel do misterioso Laranjinha ou que aparece "num pequeno papel, como Juíz, no telefilme Noite Sangrenta''.


Depois de terminar os estudos, trabalhou na RTP "na redação de Lisboa, onde, depois de se estrear como repórter, apresentou o "Domingo Desportivo", programa dedicado ao desporto, e o "24 Horas", o último telejornal do dia do canal."


"Em 1992, mudou-se para a SIC," onde se destacou na apresentação nos telejornais emitidos ao "fim de semana à hora de jantar e, posteriormente," também nos emitidos durante a semana, "também nesse mesmo horário."


O jornalista foi ainda autor e apresentador a partir de 2001 de um programa semanal dedicado ao cinema chamado Cinemania na SIC-Notícias, canal temático dedicado à informação transmitido através da TV-Cabo.


O seu gosto pela escrita revelou-se no seu primeiro romance, Daqui a Nada, publicado em 1993. Mas uma outra paixão se revelava ainda! Em 1999, escreve "o argumento da curta-metragem O Ralo, que depois foi "co-realizada pelo seu irmão Tiago Guedes e por Frederico Serra. E em 2000, escreveu a par com o seu irmão, Tiago Guedes, "o argumento de um telefilme chamado Alta Fidelidade, que passou no final desse mesmo ano na SIC." 


"Em 2001, esteve no lançamento da Associação de Argumentistas. A partir dessa altura, dedicou parte do seu tempo à escrita de outros argumentos como" foi o caso de Coisa Ruim, o qual "mereceu honras de Abertura Oficial do Fantasporto" em 2006


Em 2016, escreveu também uma peça de teatro, chamada Os Pés de Arame


Em 2005 escreveu A Casa Quieta a que se seguiram Mulher em Branco em 2006 e Canário, em 2007. Em 2016, escreveu também uma peça de teatro, chamada Os Pés de Arame. E em 2017, "regressa aos romances com o livro Pianista de Hotel." Em 2018 escreve Jogos de Raiva e, já em 2020, publica Margarida Espantada.


"Paralelamente à sua atividade de escritor e profissional da televisão, colabora com a revista TVMais" e também com a revista Máxima. Atualmente, divide a apresentação do Jornal da Noite, da SIC, de segunda a sexta-feira, com Clara de Sousa.


Rodrigo Guedes de Carvalho tem dois filhos do primeiro casamento e é atualmente casado com Teresa Dimas, também ela jornalista.


O seu trabalho tem sido reconhecido através de diversos prémios, como "o Prémio Especial do Júri do Festival Internacional FIGRA, em França, com uma Grande Reportagem sobre urgências hospitalares", emitida em 1997. O seu romance “Daqui a nada” foi também vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU.


Fontes:


https://www.infopedia.pt/artigos/$rodrigo-guedes-de-carvalho


https://camoesberlim.de/artistasautores/rodrigo-guedes-de-carvalho/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodrigo_Guedes_de_Carvalho


 

sábado, 9 de março de 2024

"O Pianista de Hotel"

Consegui finalmente arranjar tempo hoje para acabar de ler "O Pianista de Hotel", de Rodrigo Guedes de Carvalho. Quem conhece sabe que além de escrever bem, o Rodrigo é também jornalista.


Neste livro, a música não é apenas a perfeita ligação entre dois mundos, o dos vivos e o dos mortos, é também uma intensa sobreposição de sentimentos. Vidas normais que se vão cruzando na mesma cidade, passando pelos mesmos locais e tantas vezes sem repararem umas nas outras. Cada personagem tem uma vida própria e uma história profunda por trás. A perda e a morte são os motores principais das sensações despoletadas, mas há também outras, como o amor, a traição, o desapego, a solidão, o vazio e a até a raiva e a compaixão. 


As personagens principais, são todas elas muito densas e chegam-nos acompanhadas dos seus próprios fantasmas, medos e preconceitos, que acabam por reconhecer e aceitar. Além disso, o livro fala também da doença mental, da violência doméstica, da pedofilia, da homossexualidade e do assédio sexual. Temas atuais e que nunca são demasiadamente explorados.


O livro não tem um final feliz, mas se virmos bem tem um final normal, tal como se passa na vida real, em que umas coisas podem melhorar, outras piorar e outras, manter-se-ão tal como sempre estiveram, porque nada as vai mudar.


E tal como diz na contracapa: 



"Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações." (...) Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico thriller psicológico."



E o próprio do Pianista? Não vos vou contar tudo, mas é realmente uma revelação que, apesar de me ter passado pela mente uma vez durante a descrição do mesmo, achei: " Não, ele não iria tão longe..." ou será que iria? Leiam e descubram!

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...