sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Dia Internacional da Língua Materna

Numa época em que somos um emaranhado de gentes, nacionalidades, culturas e línguas, importa celebrar o Dia Internacional da Língua Materna. Não a minha, não a vossa, a de todos nós. A língua materna é a nossa primeira ligação a uma família, a uma comunidade. É a doçura de um embalo, o ritmo de uma canção de roda, a lengalenga e a cantilena. É a poesia na voz de uma criança, tentando reproduzir um ditado popular ensinado na casa da avó.


Seja em que língua for, de onde quer que tenham vindo, celebrem a vossa língua. Ela é a vossa pertença, o passado que não se pode deixar fugir. A minha é o Português. Um português salpicado de pexito, dos pregões da minha vila, das canções da (antiga e da Nova) Galé, dos gritos à janela para que fossemos para casa, do samba na avenida banhado em ritmos brasileiros e das cegadas de Alfarim.


"O Dia Internacional da Língua Materna celebra-se, anualmente, a 21 de fevereiro. Este dia foi criado na 30.ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), por iniciativa do Bangladesh, em 1999. Foi posteriormente reconhecida pela ONU através da Resolução 56/262 da Assembleia Geral, a 15 de fevereiro de 2002.


Através deste dia, pretende-se sublinhar a importância da diversidade cultural e linguística. Sensibiliza-se, também, para a tolerância, o respeito e a preservação do património cultural e linguístico dos vários povos do mundo."


Este ano, "o tema escolhido para celebrar o dia é «As Línguas São Importantes!», Pretende destacar a urgência de acelerar os progressos em matéria de diversidade linguística para construir um mundo mais inclusivo e sustentável até 2030."


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-da-lingua-materna


 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

"A Ruiva de Auschwitz"

Este livro apaixonou-me em primeiro lugar pela sua capa e pelo facto de ser uma história real. Aqui, a personagem principal, Rosie, é-nos apresentada pelas palavras da sua neta, Nechama Birnbaum, numa rarrativa que quase parece um diário pessoal e que nos leva numa viagem ao passado - um passado muito negro e que não queremos que se repita.


Mas podemos também reconhecê-la em "Auschwitz, a voz dos Sobreviventes", documentário transmitido pelo Canal História e em que "44 sobreviventes que pertencem à pequena minoria que sobreviveu ao horror partilham as suas histórias, e as daqueles que nunca regressaram."


Rosie era uma jovem cheia de sonhos, não podia imaginar que a sua vida estava prestes a sofrer uma reviravolta tremenda quando, em 1944, é forçada a abandonar a sua casa e enviada para o mais abominável dos lugares: o campo de morte de Auschwitz. Ela e a irmã Jane são levadas, junto com a mãe e o irmão mais novo para um campo de trabalhos forçados, onde são rebaixadas até à lama, quase à animalidade. Todos os dias assistem a atitudes de malvadez e desprezo pela vida humana, mas não sonham que o pior ainda estará para chegar.


Chegada ao campo de concentração de Auschwitz, logo é separada da mãe e do irmão. O seu belo cabelo ruivo (herança paterna, mas que era quase que considerado como uma maldição), é rapado como o de todas as raparigas que ali entram. O pequeno irmão segue de mão dada com a mãe para uma outra fila e, para quem já leu alguns livros sobre o Holocausto, sabe bem o que isso significa...


Rosie era uma jovem cheia de sonhos, não podia imaginar que a sua vida estava prestes a sofrer uma reviravolta tremenda quando, em 1944, é forçada a abandonar a sua casa e enviada para o mais abominável dos lugares: o campo de morte de Auschwitz. Naquele lugar, ela percebe que a única coisa que os nazis não lhe podem tirar é a capacidade de resistência e, a sua humanidade. Quando todos à sua volta se convencem da iminência da morte, Rosie continua determinada a não se deixar morrer.


Fontes:


https://www.primevideo.com/-/pt_PT/detail/Auschwitz-A-Voz-dos-Sobreviventes/0KCE88TGJAK9QOPVOYJ12KSQZ2


 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

"A Coragem de Cilka"

No seguimento da leitura de "O Tatuador de Auschwitz", li também "A Coragem de Cilka". Desde logo, um livro em que a autora afirma que, ao contrário do primeiro em que a história é quase toda contada pelo próprio protagonista, Lale, neste caso, houve a necessidade de preencher as lacunas com uma história mais ficcionada, embora inspirada em pessoas reais e registos históricos. Cilka, existiu, mas a sua viuda não terá sido exatamente como é contado no romance.


Cilka Klein, tem apenas 16 anos quando em 1942 é levada para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Johann Schwarzhuber, comandante do campo, escolhe-a de entre muitas pela sua beleza e pelos seus longos cabelos que, ao contrário das demais mulheres que os vêem rapados, Cilka vai mantendo. A sua vida no campo acaba por ser, aos olhos de outras prisioneiras, mais leve, mas poucas sabem o que Cilka sofre. Depressa a jovem aprende que, para sobreviver, tem de fazer tudo o que lhe ordenam, mesmo que isso signifique atos que ela nunca faria noutra situação.


Quando se dá a libertação do campo e, ao contrário daquilo que era esperado - ou do que muitos de nós achávamos que tinha acontecido - muitos dos sobreviventes são enviados para Vorkut. Neste campo de trabalhos pesados na Sibéria, perto do círculo polar Ártico, Cilka, condenada pelos russos por ter colaborado com os nazis e de ter cometido o crime de "dormir com o inimigo", volta a ter de lutar pela sua vida. Nesta nova prisão, Cilka é novamente violada e agredida.


No entanto, a "sorte" volta a sorrir-lhe e acaba por encontrar a sua vocação dentro daquele campo. Na sua luta diária pela sobrevivência, ela consegue encontrar verdadeiras amizades entre os muitos inimigos e acaba por ser respeitada. O amor, volta a ser um ponto forte desta história, mas mais do que de amor, este romance relata uma história de dor e de resiliência.


Heather Morris volta a manter que alguns dos factos relatados são reais, mas sabemos que a ficção acontece aqui e ali. Apesar de algumas inconformidades com a realidade (e não sendo isso que eu procurava) é um livro que aconselho e que vale a pena ler. 

sábado, 8 de fevereiro de 2025

"O Tatuador de Auschwitz"

Depois de ter lido alguns dos melhores livros sobre Auschwitz, resolvi procurar outros livros que falassem sobre esta época histórica. "O Tatuador de Auschwitz" foi um desses livros (junto com o qual veio logo da biblioteca municipal também a sequela "A Coragem de Cilka").


Heather Morris, descreve de forma brilhante a história de um rapaz que em 1942 é levado para Auschwitz e que, de repente, lhe surge a sorte (ou a obrigação) de se tornar no ajudante do tatuador de Auschwitz. O gesto daquele homem, salva-lhe a vida e, quantas vezes a sua vida terá de ser salva, pela sorte ou pelo amor e amizade. Também ele, apesar de lutar pela sua própria vida com uma esperança ténue em sair daquele lugar assombroso, acaba por pôr a sua vida em risco para salvar outros. 


Quando faz aquilo que mais lhe custa - marcar a pele dos outros prisioneiros tal como lhe marcaram a dele - segura o braço de uma jovem, com quem o olhar se cruza. Depois daquele momento, os dois jovens apaixonados, têm de contornar os maiores e mais duros obstáculos para conseguirem estar juntos. Uma história que mostra como o Holocausto, que tantos milhares matou, nunca matou o verdadeiro amor.


Este livro foi escrito a partir de uma conversa que durante três anos juntou Heather Morris ao protagonista e sobrevivente deste drama, Lale Sokolov, um jovem judeu eslovaco. No seu testemunho, Lale conta o seu amor por Gita Furman. Apesar de alguns factos terem sido ficcionados para caberem na história - e das imprecisões que a passagem dos anos traz à memória - este é, além de uma bela história de amor e coragem, um importante relato de um tempo que, se for esquecido, pode a qualquer momento nos voltar para assombrar.


Depois deste, tenho ali um outro que fala de Cilka... uma outra personagem que surge nos relatos de Lale e que acaba por despertar o interesse de Heather Morris.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

"O rapaz do Pijama às Riscas"

Este era um dos livros que eu tinha a aguardar para ler, assim que me fosse possível e, quando peguei nele, li-o em poucas horas...


Bruno é um rapaz de nove anos que vive com os pais e com a irmã em Berlim. Um dia, é-lhe anunciado que irão mudar de casa, devido ao emprego do pai - um comandante que é destacado para Auschwitz. Bruno não entende nada do que se passa e não fica nada satisfeito por abandonar a sua casa e deixar os seus amigos. Mas aos poucos, começa a espreitar pela janela do quarto, na nova casa e, percebe, que há pessoas do lado de lá de uma vedação. Sem nada para fazer, começa a aproximar-se da vedação e é ali que conhece um menino como ele, Shmuel, que por coincidência faz anos exatamente no mesmo dia que ele. Os dois constroem uma relação de amizade, mas continuam separados por algo muito mais denso que a "simples" vedação que está entre os dois. Schmuel é judeu e Bruno é filho de um comandante nazi. Mas para os dois, nada disso interessa.


Todas as pessoas que se encontram do lado de Schmuel têm algo em comum: todas usam todas um pijama às riscas. Os dois amigos conversam através da rede sempre que podem e desenvolvem uma forte amizade. Mas um dia, quando está quase a regressar a Berlim, Bruno aventura-se mais um pouco...


O que mais impressiona neste livro é a forma como toda a situação é vista aos olhos de três crianças diferentes: Bruno, um menino inocente que designa o campo como "quase-vil" e o Fhurer, como "Fúria", sem saber o que está a acontecer mesmo ali ao seu lado; a irmã, um pouco mais velha e que começa aos poucos a entender que a vida é muito mais complicada do que a que assiste dentro da sua bolha protetora; e Schmuel, um menino judeu que se encontra preso no Campo de Auschwitz e que luta por sobreviver. Nenhum dos dois rapazes sabe o que é o ódio.


John Boyne conta-nos uma história bem pesada, adoçada com a inocência da infância. 


Bertrand.pt - O Rapaz do Pijama às Riscas


Na verdade, seria difícil senão quase impossível algo do género ter acontecido. Nem Bruno, aos 9 anos, poderia ser tão inocente que não soubesse quem era Hittler, nem tão pouco os dois poderiam ficar a conversar tanto tempo sem ninguém ter dado conta. Mas o que aqui importa, é a mensagem subliminar que é passada. Um livro que, a ser explorado nas escolas, poderia despertar um interessante debate sobre o tema do Holocausto.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...