quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

"A Coragem de Cilka"

No seguimento da leitura de "O Tatuador de Auschwitz", li também "A Coragem de Cilka". Desde logo, um livro em que a autora afirma que, ao contrário do primeiro em que a história é quase toda contada pelo próprio protagonista, Lale, neste caso, houve a necessidade de preencher as lacunas com uma história mais ficcionada, embora inspirada em pessoas reais e registos históricos. Cilka, existiu, mas a sua viuda não terá sido exatamente como é contado no romance.

Cilka Klein, tem apenas 16 anos quando em 1942 é levada para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Johann Schwarzhuber, comandante do campo, escolhe-a de entre muitas pela sua beleza e pelos seus longos cabelos que, ao contrário das demais mulheres que os vêm rapados, Cilka vai mantendo. A sua vida no campo acaba por ser, aos olhos de outras prisioneiras, mais leve, mas poucas sabem o que Cilka sofre. Depressa a jovem aprende que, para sobreviver, tem de fazer tudo o que lhe ordenam, mesmo que isso signifique atos que ela nunca faria noutra situação.

Quando se dá a libertação do campo e, ao contrário daquilo que era esperado - ou do que muitos de nós achávamos que tinha acontecido - muitos dos sobreviventes são enviados para Vorkut. Neste campo de trabalhos pesados na Sibéria, perto do círculo polar Ártico, Cilka, condenada pelos russos por ter colaborado com os nazis e de ter cometido o crime de "dormir com o inimigo", volta a ter de lutar pela sua vida. Nesta nova prisão, Cilka é novamente violada e agredida.

No entanto, a "sorte" volta a sorrir-lhe e acaba por encontrar a sua vocação dentro daquele campo. Na sua luta diária pela sobrevivência, ela consegue encontrar verdadeiras amizades entre os muitos inimigos e acaba por ser respeitada. O amor, volta a ser um ponto forte desta história, mas mais do que de amor, este romance relata uma história de dor e de resiliência.

Heather Morris volta a manter que alguns dos factos relatados são reais, mas sabemos que a ficção acontece aqui e ali. Apesar de algumas inconformidades com a realidade (e não sendo isso que eu procurava) é um livro que aconselho e que vale a pena ler. 

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