sexta-feira, 24 de outubro de 2025

"Catarina de Bragança - A coragem de uma Infanta portuguesa que se tornou Rainha de Inglaterra"

O livro de Isabel Stilwell, da coleção "Rainhas de Portugal" conta-nos a vida de Catarina, uma jovem que aos 23 anos, deixa para trás o sol e o cheiro a laranjas do Alentejo e a vastidão do rio Tejo, quase um mar, para se casar com Charles de Inglaterra. Filha de D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, Catarina, que tinha sido educada na religião Católica, vê-se desde logo sujeita à provação de casar e ser Rainha num país maioritariamente protestante. Na corte, são as suas aias que a apoiam, em especial duas delas que se tornam suas amigas e confidentes.

Catarina foi uma lutadora, apesar do sofrimento de se encontrar num país em que poucos falavam a sua língua e onde os costumes eram bem diferentes. Conseguiu arranjar aliados e ter a presença de espírito de evitar conflitos, na maioria das vezes, não tanto para se proteger a si, mas para proteger Charles. Assistiu ao nascimento de vários filhos bastardos de um rei a quem nunca conseguiu dar um herdeiro, embora tivesse conseguido engravidar por diversas vezes.

Como é hábito nos seus romances, Isabel Stillwwell começa por nos contextualizar a corte onde Catarina nasceu e nos apresentar um pouco sobre a sua família e sobre os hábitos e costumes da época. Leva-nos até ao século XVII, à corte de D. João IV, mas são sempre as mulheres que detém o papel de destaque, seja como rainhas, como aias, confidentes ou amantes.

Apresenta-nos muitos outros protagonistas daquele tempo, dos quais:

- o pai de Catarina, D. João IV de Portugal, sétimo duque de Bragança que "nasceu e viveu no Paço de Vila Viçosa até ser aclamado rei, em Dezembro de 1640", pondo fim à ocupação Filipina;

- a mãe, D. Luisa de Gusmão, esposa de D. João IV e rainha de Portugal, foi também "regente durante a menoridade de seu filho Dom Afonso VI, entre 1656 e 1662;" foi mãe da Rainha Catarina de Inglaterra e de D. Pedro, rei de Portugal, depois deste ter usurpado o trono ao seu irmão; apesar de ter "raízes espanholas" nunca D. Luisa se mostrou contra o marido, sempre o apoiando na luta contra o domínio espanhol;

- Teodósio, Príncipe do Brasil, o verdadeiro "filho primogénito do Rei João IV e de D. Luísa de Gusmão," mas que morre em 1653 com 19 anos, devido a uma doença respiratória (talvez tuberculose), deixando Afonso VI como "herdeiro do trono." 

- Afonso, que sofre aos 3 anos de uma doença grave que o deixa com deformações para a vida e - pensa-se - com um atraso de desenvolvimento, mas que é aclamado rei aos 13 anos; a mãe fica como sua regente até que o próprio a afasta e assume o trono;

- Pedro, Duque de Beja, seguia-se a Afonso na linha de sucessão, e que com um golpe de estado afasta o irmão do trono, governando por ele até à sua morte; torna-se com efeito rei de Portugal e recebe o cognome "o Pacífico". Pedro terá governado portanto entre 1667 a 1706, tendo sido "implacável" para com o irmão, a quem além de "encarcerar em Sintra," levantou um "processo de anulação do casamento com Maria Francisca Isabel de Saboia, alegando a não consumação, por inaptidão" e "casando-se com a cunhada".

- Joana, apenas "dois anos mais velha que Catarina" morre em 1963, pensa-se que também da mesma "tuberculose pulmonar" que tinha já morto Teodósio;

- Charles Stuart, Rei de Inglaterra, filho de Charles I; depois do pai ser decapitado, fica no exílio, de onde luta contra os republicanos liderados por Cromwell; é coroado a "23 de abril de 1661" e com ele regressa a "monarquia a Inglaterra;" casa-se com Catarina em 1962, mantendo no entanto várias amantes, das quais a rainha vai tendo conhecimento; morre a 6 de fevereiro de 1685, convertendo-se ao catolicismo no leito da morte, religião da sua mulher e do seu irmão James;

- António Vieira, padre que "nasceu em Lisboa", mas que passou grande parte da sua vida na "Missão do Maranhão", no Brasil, em "defesa dos índios, escravos, judeus e todas as minorias desprotegidas." Era amigo de Teodósio e de Catarina, a quem pede ajuda quando acaba por ser preso pela Inquisição;

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_II_de_Portugal

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADsa_de_Gusm%C3%A3o

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_VI_de_Portugal#cite_note-FOOTNOTEOgg1934325-4

 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

"Malala"

Da coleção "Crianças que mudaram o mundo", os CTT apresentam-nos a história de Malala. 

Malala nasceu no Paquistão, no Vale de Swat, perto da fronteira com o Afeganistão. Aos 11 anos, começa a escrever um diário, na mesma altura em que ir à escola é vedado a toda e qualquer rapariga.

Contextualizando, Malala nasceu num país em que, até os sismos, podem ser usados para impôr o medo, são castigos divinos para que as leis dos Talibãs se cumpram. As meninas que deixam a escola são aplaudidas, mas Malala quer continuar a ir à escola. Em 2008, mais de 200 escolas são destruídas! E "em 2009 os extremistas religiosos conseguiram impor a sharia, a lei islâmica, e o terror entrou na sua aldeia, com as adolescentes a serem perseguidas por frequentarem o ensino." O primeiro texto de Malala, que começa um blogue com o apoio de um jornalista da BBC que era amigo do seu pai e com quem se corresponde, sai a 30 de janeiro de 2009, e tem como título "Tenho tanto medo!" Nele, a menina fala sobre os riscos que corria para continuar a ir à escola.

Pouco tempo depois, a sua identidade é descoberta o que levou a que vários jornalistas estrangeiros quisessem falar com ela sobre o que se estava a passar no Paquistão.

Uma outra heroína que ficamos a conhecer neste livro é a sua professora, que continua a dar aulas às escondidas, arriscandpo a sua própria vida. Quando os Talibãs invadem Islamabad, a família de Malala foge para as montanhas, separando-se do pai, que vai para Peshawar, onde participa na organização de uma "manifestação contra o que se estava a passar."

O papel e as liberdades das mulheres em Islamabad e noutras regiões dominadas por este grupo terrorista são umas das temáticas abordadas neste livro, mostrando-nso também muitas outras proibições: ver televisão era (e ainda é, em vários locais) proibido!

Quando os Talibãs são expulsos, Malala e a restante família, regressam a casa. Infelizmente, pouco depois, "chuvas torrenciais" atingem e destroem toda a região e "mais de duas mil pessoas e sete mil escolas ficaram destruídas," o que é aproveitado pelos líderes religiosos fundamentalistas voltarem a dizer qye se tratava de um castigo de deus" porque o povo "não se estava a portar bem." A presença dos Talibãs volta a acentuar-se. Houve muitas mortes, incluíndo de funcionários "estrangeiros de organizações não governamentais" que foram "raptados e executados."

Em 2011, Malala é nomeada para o Prémio Internacional da Paz, concedido pela "Kids Rigths", com sede em Amesterdão. É ainda distinguida com o Prémio Nacional da Paz, atribuído pelo governo do Paquistão. Ao receber o prémio, apresenta ao primeiro-ministro do Paquistão uma "lista cheia de pedidos entre os quais a reconstrução das escolas destruídas e a criação no vale de Swat de uma universidade para raparigas."

A 9 de outubro de 2012, há precisamente 13 anos, os Talibãs paquistaneses disparam sobre o autocarro escolar em que ela e o. utras crianças viajavam, acertando-lhe na cabeça. Pensa-se que o ataque lhe tenha sido dirigido diretamente, para tentarem calá-la. Afinal, Malala defendia algo impensável para aquele regime, o direito das meninas à educação. O sucesso do "Diário de uma Estudante Paquistanesa", o seu blogue, tinha chamado a atenção dos Talibans que a tentam matar. "A menina foi levada para o Hospital da Rainha Isabel, em Birmigham, Reino Unido, onde esteve em coma durante vários dias. Malala sobreviveu ao ataque e ficou mais forte, determinada em defender sempre o direito à educação. Por causa das constantes ameaças, a família refugiou-se em Inglaterra e neste novo país Malala pôde regressar à escola, em liberdade."

Com apenas 17 anos, Malala passa a ser a pessoa mais nova a ser distinguida com o Nobel da Paz.

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/malala-a-jovem-paquistanesa-que-defende-as-criancas/

https://www.ctt.pt/femce/sku.jspx?shopCode=LOJV&itemCode=931810&srsltid=AfmBOopDsXasLmRNm9ztWxuSvRa4bTvUDl9GUqFa4W6ND7T495dwnrfz

 

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