O livro de Isabel Stilwell, da coleção "Rainhas de Portugal" conta-nos a vida de Catarina, uma jovem que aos 23 anos, deixa para trás o sol e o cheiro a laranjas do Alentejo e a vastidão do rio Tejo, quase um mar, para se casar com Charles de Inglaterra. Filha de D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, Catarina, que tinha sido educada na religião Católica, vê-se desde logo sujeita à provação de casar e ser Rainha num país maioritariamente protestante. Na corte, são as suas aias que a apoiam, em especial duas delas que se tornam suas amigas e confidentes.
Catarina foi uma lutadora, apesar do sofrimento de se encontrar num país em que poucos falavam a sua língua e onde os costumes eram bem diferentes. Conseguiu arranjar aliados e ter a presença de espírito de evitar conflitos, na maioria das vezes, não tanto para se proteger a si, mas para proteger Charles. Assistiu ao nascimento de vários filhos bastardos de um rei a quem nunca conseguiu dar um herdeiro, embora tivesse conseguido engravidar por diversas vezes.
Como é hábito nos seus romances, Isabel Stillwwell começa por nos contextualizar a corte onde Catarina nasceu e nos apresentar um pouco sobre a sua família e sobre os hábitos e costumes da época. Leva-nos até ao século XVII, à corte de D. João IV, mas são sempre as mulheres que detém o papel de destaque, seja como rainhas, como aias, confidentes ou amantes.
Apresenta-nos muitos outros protagonistas daquele tempo, dos quais:
- o pai de Catarina, D. João IV de Portugal, sétimo duque de Bragança que "nasceu e viveu no Paço de Vila Viçosa até ser aclamado rei, em Dezembro de 1640", pondo fim à ocupação Filipina;
- a mãe, D. Luisa de Gusmão, esposa de D. João IV e rainha de Portugal, foi também "regente durante a menoridade de seu filho Dom Afonso VI, entre 1656 e 1662;" foi mãe da Rainha Catarina de Inglaterra e de D. Pedro, rei de Portugal, depois deste ter usurpado o trono ao seu irmão; apesar de ter "raízes espanholas" nunca D. Luisa se mostrou contra o marido, sempre o apoiando na luta contra o domínio espanhol;
- Teodósio, Príncipe do Brasil, o verdadeiro "filho primogénito do Rei João IV e de D. Luísa de Gusmão," mas que morre em 1653 com 19 anos, devido a uma doença respiratória (talvez tuberculose), deixando Afonso VI como "herdeiro do trono."
- Afonso, que sofre aos 3 anos de uma doença grave que o deixa com deformações para a vida e - pensa-se - com um atraso de desenvolvimento, mas que é aclamado rei aos 13 anos; a mãe fica como sua regente até que o próprio a afasta e assume o trono;
- Pedro, Duque de Beja, seguia-se a Afonso na linha de sucessão, e que com um golpe de estado afasta o irmão do trono, governando por ele até à sua morte; torna-se com efeito rei de Portugal e recebe o cognome "o Pacífico". Pedro terá governado portanto entre 1667 a 1706, tendo sido "implacável" para com o irmão, a quem além de "encarcerar em Sintra," levantou um "processo de anulação do casamento com Maria Francisca Isabel de Saboia, alegando a não consumação, por inaptidão" e "casando-se com a cunhada".
- Joana, apenas "dois anos mais velha que Catarina" morre em 1963, pensa-se que também da mesma "tuberculose pulmonar" que tinha já morto Teodósio;
- Charles Stuart, Rei de Inglaterra, filho de Charles I; depois do pai ser decapitado, fica no exílio, de onde luta contra os republicanos liderados por Cromwell; é coroado a "23 de abril de 1661" e com ele regressa a "monarquia a Inglaterra;" casa-se com Catarina em 1962, mantendo no entanto várias amantes, das quais a rainha vai tendo conhecimento; morre a 6 de fevereiro de 1685, convertendo-se ao catolicismo no leito da morte, religião da sua mulher e do seu irmão James;
- António Vieira, padre que "nasceu em Lisboa", mas que passou grande parte da sua vida na "Missão do Maranhão", no Brasil, em "defesa dos índios, escravos, judeus e todas as minorias desprotegidas." Era amigo de Teodósio e de Catarina, a quem pede ajuda quando acaba por ser preso pela Inquisição;
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_II_de_Portugal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADsa_de_Gusm%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_VI_de_Portugal#cite_note-FOOTNOTEOgg1934325-4