quarta-feira, 20 de abril de 2022

"Bala Santa"

Um thrillher emocionante de Luís Miguel Rocha, também autor de "A filha do Papa". Com uma fabulosa e envolvente narrativa, leva-nos a locais secretos, onde passamos pelos meandros das mais importantes organizações mundiais. Religião e política, uma nunca sem a outra, nenhuma delas sem o poder de querer fazer girar o mundo a seu bel prazer. Uma batalha de grandes titãs, de governos inteiros e de personalidades individuais. 


Um livro que além de explorar a questão da tentativa de assassinato de um Papa, nos leva muito mais longe. Emocionante e poderoso, assustadoramente atual e real. O que se conta passou-se mesmo, assim tal como está contado? Eu acredito que deve ter andado muito perto, apesar de toda a fição envolvida, há muita verdade escondida pelas entrelinhas. Os capítulos não eram demasiado extensos, embora se trate de um livro bem volumoso, o que ajuda e facilita a leitura. A construção do livro está magnífica.


Adorei o tom da escrita, as sequências dos acontecimentos, os esclarecimentos do autor que nos ajudavam a sentir dentro da história. Com personagens muito bem caraterizadas, com papéis bem definidos e interessantes, com cuidado na narrativa histórica que faz dos acontecimentos. 


 

quarta-feira, 30 de março de 2022

"O tesouro"

Voltando aos contos. 


"O tesouro" é um original de Eça de Queirós, que conta a história de três irmãos de Medranhos, chamados Rui, Guanes e Rostabalque, que encontram um tesouro. O "três" está muito presente na história e tem um grande simbolismo. São três irmãos, três chaves... e claro, neste conto está subjacente uma lição: é que no fim, vence o egoísmo e nenhum dos três consegue ficar com o tesouro. 


Este conto é um dos vários que encontramos no livro "Contos" de 1902. Eça notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem mas também pelo o realismo descritivo e pela crítica social constantes nas suas obras.


José Maria de Eça de Queiroz nasceu no dia 25 de novembro de 1845, numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, no então número 1 ao 3 do Largo de São Sebastião (hoje Largo Eça de Queiroz), no centro da cidade, em casa de um parente de sua mãe, Francisco Augusto Pereira Soromenho, funcionário aduaneiro da Póvoa de Varzim. O pai de Eça de Queiroz, magistrado e par do reino, convivia regularmente com Camilo Castelo Branco, quando este vinha à Póvoa para se divertir no Largo do Café Chinês. Em Coimbra, Eça foi amigo de Antero de Quental. Os seus primeiros trabalhos, publicados na revista "Gazeta de Portugal", foram depois coligidos em livro, publicado postumamente com o título Prosas Bárbaras.


 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Dia da Poesia

No dia 21 de março celebra-se o Dia Mundial da Poesia, data criada aquando da realização da 30ª Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1999.


SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


(excerto, Florbela Espanca)


O Dia Mundial da Poesia comemora a "diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação". Nesta data, celebra-se a importância da reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades de cada pessoa. Isso porque a poesia contribui para a diversidade criativa, inferindo na nossa perceção e compreensão do mundo.   


A história portuguesa apresenta muitos poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos.  


A sílaba

Toda a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa, é certo: uma vogal,
uma consoante, quase nada.
Mas faz-me falta. Só eu sei
a falta que ma faz.
Por isso a procurava com obstinação.
Só ela me podia defender
do frio de janeiro, da estiagem
do verão. Uma sílaba,
Uma única sílaba.
A salvação.


(Eugénio de Andrade)


Fontes:


https://culturaportugal.gov.pt/pt/saber/2022/03/dia-mundial-da-poesia-2022/


https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-poesia/


https://www.turismodeportugal.pt/pt/Agenda/Paginas/dia-mundial-poesia.aspx


http://antoniocicero.blogspot.com/2014/03/eugenio-de-andrade-silaba.html


 


 


 

domingo, 13 de março de 2022

Sobre a palavra Saudade, da "Saudade, saudade" de Maro

 A canção "Saudade, saudade", interpretada por Maro, levou do público e do júri a pontuação máxima, conseguindo assim a passagem para o Festival Eurovisão que se irá realizar na cidade italiana de Turim, em maio. Em 2º lugar ficaram, empatados com os mesmos pontos, Os Quatro e Meia, FF e Diana Castro.

O tema é cantado em português e inglês e foi co-escrito por John Blanda, e fala de um termo muito português. Na minha modesta opinião, a canção é bonita mas eu tenho outra preferida. De qualquer forma, foi uma justa vencedora e esperemos que alcance um bom lugar na Europa.

Saudade é um sentimento causado pela distância ou ausência de algo ou alguém. palavra faz parte do vocabulário dos portugueses e, também, do povo brasileiro. Existe a ideia de que a palavra vem do árabe “saudah”. Alguns especialistas indicam que palavras como saud, saudá e suaida significam «sangue pisado» e «preto dentro do coração». A metáfora perfeita para alguém que carrega no seu coração uma profunda tristeza, tristeza esta que pode ser causada pela saudade.

Os árabes utilizam o termo as-saudá quando se querem referir a uma doença do fígado, diagnosticada por estes como «melancolia do paciente».

Outros entendem que a sua origem está no latim “sólitas”, que significa solidão, embora saudade e solidão não sejam sinónimos. Saudade descreve um sentimento muito mais profundo e que se torna difícil de explicar, uma vez que não tem tradução literal em outras línguas.

De acordo com a perspetiva de Carolina Michaelis ou de José Pedro Machado, a palavra saudade vem do latim "solitate", que significa «isolamento, solidão».

Em certos idiomas, o significado de solitate foi mantido, como é o caso do castelhano (soledad), do italiano (solitudine) ou do francês (solitude)3. Em português e no galego (soidade) alterou-se com o tempo. Assim sendo, quando alguém dizia «tenho saudades de casa» significava que sentia “solidão” por não estar em casa.

Saudade é uma das palavras mais utilizadas nas poesias de amor, nas músicas românticas da língua portuguesa. 

Saudade representa um conjunto de sentimentos, normalmente causados pela distância ou ausência de algo ou alguém. Esta ausência pode ser física ou não, isto é, pode sentir-se saudade quando alguma relação de amizade, por exemplo, termina. Esta palavra expressa, então, um sentimento que envolve afetividade.

A real simbologia, condiz com um conjunto de sentimentos, normalmente causados pela distância ou ausência de algo ou alguém. É a falta que determinado momento, pessoa, lugar ou situação causa nas pessoas. 

De qualquer modo, os portugueses conectaram outros significados à “saudade”. Dizem até que passou a fazer parte do dicionário dos portugueses no tempo dos Descobrimentos Marítimos, descrevendo uma certa melancolia por se sentirem tão sós e distantes dos seus.


Fontes:

https://www.nacionalidadeportuguesa.com.br/tradicoes-portuguesas/#A_palavra_Saudade

https://www.fantastictv.pt/2022/03/saudade-saudade-vence-o-festival-da.html

https://www.significados.com.br/saudade/

https://www.nationalgeographic.com/ (em 30 de dezembro de 2019) in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/algumas-curiosidades-da-palavra-saudade/4003#

 

sábado, 12 de março de 2022

A nossa língua: Portuguesa

 Mundo fora, a língua portuguesa venceu barreiras geográficas e culturais, espalhando-se, evoluindo, crescendo e enriquecendo.

Todos os dias, trabalho com pessoas que falam as várias variantes do português.

O português teve origem no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal, derivada do latim vulgar que foi introduzido no oeste da Península Ibérica há cerca de dois mil anos. Tem um substrato céltico-lusitano, resultante da língua nativa dos povos ibéricos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da Península (GalaicosLusitanosCélticos e Cónios). Surgiu no noroeste da Península Ibérica e desenvolveu-se na sua faixa ocidental, incluindo parte da antiga Lusitânia e da Bética romana.

O romance galaico-português nasce do latim falado, trazido pelos soldados romanos, colonos e magistrados. O contato com o latim vulgar fez com que, após um período de bilinguismo, as línguas locais desaparecessem, levando ao aparecimento de novos dialetos.

Assume-se que a língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas ibéricas através do contato das diferentes línguas nativas locais com o latim vulgar, o que levou ao possível desenvolvimento de diversos traços individuais ainda no período romano. A língua iniciou a segunda fase do seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano, durante a época das invasões bárbaras no século V quando surgiram as primeiras alterações fonéticas documentadas que se refletiram no léxico. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX. 

Com a criação do Reino de Portugal em 1139 e a expansão para o sul na sequência da Reconquista, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o BrasilÁfrica e outras partes do mundo.  no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.

Durante a Época dos Descobrimentos, os marinheiros portugueses levaram o seu idioma para lugares distantes. A exploração foi seguida por tentativas de colonizar novas terras para o Império Português e, como resultado, o português dispersou-se pelo mundo. Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua primária é o português.

O português do Brasil, ou português ultramarino, é sem sombra de duvida o mais falado, muito mais que o seu original de Portugal. Na verdade, é esta a variedade ensinada em muitas escolas para estudantes estrangeiros de língua portuguesa, sobretudo no Japão, na América Latina e nos Estados Unidos. Além deste fator, existem também grandes comunidades brasileiras, em particular nos Estados Unidos, na Alemanha, Reino Unido, França, Espanha e claro, em Portugal.

Esta é uma língua extremamente rica uma vez que nasceu da união das variadas línguas indígenas faladas em todo o território. Pedro Álvares Cabral, ao chegar ao Brasil levou o Português que ao longo dos muitos anos foi incorporando termos e ajustes do Tupi, e claro das línguas africanas, provenientes dos escravos levados para trabalhar nas casas senhoriais e nas terras. O quimbundo, o Umbundo, o Quicondo, foram então juntando-se não só ao Português, mas também ao Francês, ao Castelhano, Inglês e Italiano, nas vagas comerciais, exploratórias e colonizadoras. O português é a língua habitual de 71,15% da população de Angola, sendo que cerca de 85% dos angolanos são capazes de falar português, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Além disso, por razões históricas, falantes do português, ou de crioulos portugueses, são encontrados também em Macau (China), Timor-Leste, em Damão e Diu e no estado de Goa (Índia), Malaca (Malásia), em enclaves na ilha das Flores (Indonésia), Baticaloa no (Sri Lanka) e nas ilhas ABC no Caribe.

Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5.ª língua mais falada no mundo, a 3.ª mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta. O português também é conhecido como "a língua de Camões" (em homenagem a uma das mais conhecidas figuras literárias de Portugal, Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas).

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (sigla CPLP) consiste em nove países independentes que têm o português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

 A Guiné Equatorial fez um pedido formal de adesão plena à CPLP em junho de 2010, o que somente é concedido a países que têm o português como idioma oficial. Em 2011, o português foi incluído como sua terceira língua oficial (ao lado do espanhol e do francês) e, em julho de 2014, o país foi aceite como membro da CPLP.

Hoje, não podemos estranhar que crianças portuguesas usem termos do Português do Brasil, com a mesma facilidade com que usamos os termos do Inglês dos EUA que nos entra diariamente em casa, pelas várias plataformas. Sim podemos misturar, sabendo sim o que significam, o que querem dizer e qual a intenção do uso de cada palavra, para não cairmos em grosseirismos. 

Na escrita, a Língua tem de se adequar tal como na oralidade ao contexto, mais formal se assim tiver razão de ser, mais eloquente ou mais expressivo! 

Propositadamente, aqui escrevi as Línguas com maiúsculas, pois cada uma delas entendo como tão grande que não poderia nunca ser um termo comum, mas sim próprio de cada nação falante. 

Em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, um museu interativo sobre o idioma, foi fundado em São Paulo, Brasil, a cidade com o maior número de falantes do português em todo o mundo. 

No dia 21 de dezembro de 2015, infelizmente, as instalações do Museu foram atingidas por um incêndio de grandes proporções o que obrigou ao encerramento do espaço para o grande público. Entretanto, a instituição continuou a funcionar, promovendo ações educativas, exposições itinerantes e com vários recursos a que se podia aceder através nas Redes Sociais.

As obras para estabilização do edifício começaram apenas 48 horas após o incêndio. E, no dia 21 de janeiro de 2016, o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, assinou um acordo com a Fundação Roberto Marinho e a organização social ID Brasil visando à união de esforços para a reconstrução do museu.

O Dia Internacional da Língua Portuguesa é comemorado em 5 de maio.


Fontes:


https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/

https://www.diasporalusa.pt/instituicoes/museu-da-lingua-portuguesa/

https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_portuguesa

http://cvc.instituto-camoes.pt/literatura/LINGUA.HTM

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

"A Aia"

Escrito por Eça de Queirós, "A aia" é um texto narrativo que pode ser considerado um conto de fadas, tendo no entanto caraterísticas muito próprias da escrita Queirosiana onde está implícita a crítica social. Publicado em 1902, com outras doze narrativas, é atualmente uma das leituras obrigatórias para o 9º ano de escolaridade. É, pela minha experiência com alunos desta faixa etária, um conto que ultrapassa o nível de compreensão da maioria dos alunos nesta faixa. Não porque seja muito difícil, mas porque a  aioria dos jovens não lê ou lê pouco.


O conto começa com a morte de um rei, numa batalha em terras distantes e que, por via de sucessão direta, deixa o trono ao seu filho recém-nascido. No palácio, como era costume, uma aia amamenta e protege o príncipe, ao mesmo tempo que cuida do seu próprio filho. É assim normal, que os dois cresçam lado a lado, em zonas próximas do castelo. O tio da criança, irmão do rei falecido, chega com as suas tropas para matar o príncipe, ainda bebé. A coberto da noite e instalando o medo e a morte por onde passa, avança até ao palácio. Ali, havia ficado uma corte desprotegida, uma corte composta maioritariamente por mulheres, que vão assistindo à morte e à destruição que se vai aproximando.


No meio da barafunda, mas com uma determinação única, a aia troca os bebés de berço e em vez de raptarem o filho da rainha, os raptores acabam por levar o seu próprio bebé. Apesar do tio maldito ser morto, a verdade é que acabaria por ser morto também o bebé às mãos de quem pensava tratar-se do verdadeiro herdeiro.


A personagem principal deste conto é sem dúvida a Aia e a sua ação reativa que acaba por salvar o princípe. Contrariamente aos contos de fadas que acabaram por ser transformados e nos chegam com um final feliz (mesmo que na sua génese, esse final feliz não existisse), o conto de Eça chega-nos tal como no original com um final trágico em que a ama de leite se mata com um punhal, dentro da sala do tesouro real.


Neste conto, Eça dá a esta mulher, a esta Aia, a liberdade de escolher o destino do reino, mas com a consequência mais trágica para a sua vida. Uma escolha que teria sempre consequências negativas, com a perda do seu bem mais precioso, enquanto que à Rainha é dada a vitória de ter o reino salvo e o filho nos braços, sem ter qualquer poder de decisão sobre isso ou executar qualquer ação que a isso conduzisse. Eça retrata aqui uma sociedade que se submete ao poder, em que o povo sustenta, mas também dá a vida, pela classe mais alta, pelo rei e pela família real a quem obedecem como que a um poder divino.


Acima de todas as caraterísticas, é a lealdade da Aia que se destaca, enquanto a Rainha se mostra desprotegida e até fraca. A Aia apresenta uma solução, uma postura de guerreira. Da mesma forma que até ali tinha sido a Aia a cuidar do príncipe, é também sobre ela que cai a tarefa de proteger o futuro do reino, ou seja, é nas mãos do menos poderoso que recai a maior decisão. Quem já leu Eça, sabe que as suas histórias têm personagens ricas, elaboradas e que promovem no leitor diferentes sentimentos. 

sábado, 12 de fevereiro de 2022

"O mistério das lágrimas da Virgem"

"O mistério das lágrimas da virgem" é um romance cuja história decorre, no ano de 1480, século XIII, em Itália. As famílias Vespucci e Médici, são das mais importantes da Itália renascentista, de Florentina. A personagem principal desta narrativa é um aclamado advogado florentino, de nome Guid'António Vespucci, que regressa de Roma a desejar estar em casa, com a sua mulher e com o filho pequeno (que nem o conhece depois de tanto tempo fora de casa) mas que encontra uma cidade cheia de problemas, dos quais mesmo que quisesse, a sua família não se conseguiria afastar. Guid'Antonio, está a braços com um "milagre": num dos quadros da capela pertencente à sua família, há uma Virgem Maria que parece estar a chorar. Os mais crentes, receiam por um castigo divino e os menos crentes tentam descobrir que mistério se esconde naquela pintura.


Entretanto, outro problema assola a cidade. Saqueadores turcos terão raptado uma jovem e tê-la-ão vendido como escrava. 


Uma outra sombra - um crime de sangue - é o assassinato de Giuliano dentro da Catedral de Florença no dia de Páscoa, que vem minar também as relações sociais e as desconfianças entre estas duas famílias. 


É um romance histórico, que toca em aspetos muito interessantes da época renascentista, a pintura da Capela Sestina, os frescos de Botticelli, de Miguel Ângelo e da família Rossi e da Vinci, a devoção pelos santos e o poder da Igreja nas populações e, no seu oposto, a pobreza, as doenças, a fome e a pomiscuidade existente em todas as classes sociais.


Um livro em que nos encontramos com momentos históricos ou com os que os antecipou a cada parágrafo, basta estarmos muito atentos e, nisso Alana é maravilhosa. Uma escritora exímia que nos "oferece" este thriller emocionante e cheio de factos históricos fascinantes.

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...