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A Língua que nos une

Nestes últimos dias, ao ver as notícias, sinto também a dor dos familiares que esperam por notícias dos seus entes queridos. Apesar do sotaque diferente, sentimos e choramos na mesma língua e, talvez por isso, as notícias que chegam do Brasil, nos pareçam mais perto, mais familiares. É a mesma Língua, com as variantes que lhe conhecemos. Uma barragem  rebentou no passado dia 25 de janeiro, no  município brasileiro de   Brumadinho, na região de   Minas Gerais, destruindo várias comunidades e deixando mais de 80 mortos (e centenas de desaparecidos). Ainda não se sabe o que causou o rompimento da barragem, mas sabe-se que poderá estar em causa a libertação de lamas e resíduos tóxicos. A nossa língua, o português, faz-nos compreender a dor de saber que os seus possam ainda estar soterrados por aquele lamaçal que arrastou carros e que entrou pelas casas dentro, destruindo tudo na sua passagem. Em imagens que já viralizaram, "é  possível ver um grupo de funcionários da mineradora tentan...

"A chuva pasmada"

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Li em fins de agosto de 2010, quase a ser mãe e com algum tempo para aquele prazer intemporal que são os livros e as grandes histórias. "A chuva pasmada" de Mia Couto conta-nos a história surpreendente de uma chuva suspensa no ar, que se recusa a emprenhar a terra árida. É um cacimbo indeciso que enlouquece todos. Porém, é a loucura desta "inundação sem chão" que faz com que as almas, até aí secas de sonhos e de segredos abafados, se desvelem e procurem a água umas nas outras. A história é contada na primeira pessoa, por um narrador participante, em jeito de memória de adolescência de uma criança que observa as personagens nas suas mutações.  O avô velho era como que um "rio seco que fluía num sonho" de navegar até chegar ao mar. Ficara assim depois da mulher, que considerava a sua água, morrer, pois ligavam-se "como a aranha e o orvalho, um fazendo teia no outro". O pai, mais velho que o avô, porque "a velhice não é uma idade, é uma desistê...

"Juntos ao Luar"

"Juntos ao Luar" de Nicholas Sparks é um livro que nos fala de autismo, mais especificamente do síndrome de Asperger. Neste romance, o escritor leva-nos através de uma narração presente e muito vivida através da guerra como se estivessemos ali vivenciando os momentos com as personagens. Mas também é um livro que fala de verdadeiro amor. Daquele em que o que interessa é fazermos o outro feliz mesmo que com isso nos façamos sofrer a nós mesmos. Li este livro em 2009, mas ajá tinha anteriormente lido outros romances do mesmo autor, como aquele que penso que seja o mais conhecido: "As palavras que Nunca te direi". Este romance, no entanto, acabou por se destacar, pela forma como o autor aborda a questão das necessidades educativas e do autismo em especial, numa perpetiva mais familiar e, por isso, muito mais realista. As personagens principais são  John Tyree e Savannah. Quando o soldado John Tyree, durante uma licença, conhece Savannah Curtis, universitária idealista q...

"Os filhos do Vento"

"Os filhos do vento" de Francisco Moita Flores, investigador e antigo inspetor da polícia judiciária, é ele também escritor, com várias obras publicadas. Li este livro em inícios de 2009. A história, que em 1997 passou a telenovela na RTP 1, passa-se na zona rural de Alcaides, onde se dá o conflito entre o "novo" e o "velho", o "sagrado" e o "profano", o "rural" e o "urbano". A narrativa passa-se entre 1966, em que o país lutava na Guerra Colonial, e 1996. A história opõe duas famílias ricas ribatejanas, os Vieira e os Abrantes, num  conflito em torno da propriedade das Sesmarias, deixando um rasto de infelicidade e medo. Eu sou suspeita porque os meus livros preferidos são os romances históricos e, mesmo que ficcionados, permitem-me entender como viviam as famílias portuguesas nesta época, retratando também assim algumas das histórias que tenho vindo a ouvir, algumas contadas por pessoas desconhecidas e outras até d...

"Do lado das Crianças"

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Do autor, Vitorino Andreoli, um livro que aborda as necessidades e a proteção das crianças dos zero aos doze anos. Este livro é um pequeno manual, que se pode ler ou folhear, sublinhar, anotar e dirige-se, naturalmente, aos pais e aos educadores, enquanto responsáveis diretos pelo desenvolvimento psíquico e físico das crianças. Aqui Andreoli foca no objetivo de se conseguir um crescimento harmonioso e feliz para todas as crianças. Sinopse: "É uma pesquisa do lado das crianças, que visa não tanto analisar a psique distorcida de pedófilos e violentos, como apresentar os modelos educativos que podem levar a um desenvolvimento harmonioso da personalidade infantil, reduzindo assim o risco de uma criança poder vir a ser vítima de atenções mórbidas, pois uma criança amada, respeitada, alimentada no corpo e na mente não se deixará atrair por qualquer distorcido simulacro de amor." Li este livro em 2009, no intuito de perceber um pouco mais sobre o desenvolvimento infantil em especia...

"A criança e a disciplina"

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T. Berry Brazelton é dos autores obrigatórios para quem é educadora de infância e, por isso mesmo, este livro tinha de fazer parte da minha lista de leituras. Este livro foi escrito em conjunto com Joshua D. Sparrow. O essencial do método que nos é apresentado pelo pediatra Brazelton, baseia-se nos “pontos de referência”, um conceito chave que nos é apresentado como sendo a ocasião em que a criança regride, antes de dar um precioso salto no desenvolvimento.  Sobre o autor: T. Berry Brazelton , foi um conceituado pediatra norte-americano. Foi professor na Escola de Medicina de Harvard. Na sua carreira escreveu um vasto leque de obras, nomeadamente,  O Grande Livro da Criança, deu inúmeras palestras e é ainda uma referência no mundo da educação e da saúde infantil.

Dia de Camões

Hoje é dia de Portugal, feriado nacional, mas também é dia de Camões. Dia do grande poeta - adorado por uns e odiado por outros. Pensa-se que a primeira referência a esta data, tenha surgido em 1880, através de um decreto real de D Luís. I que declara "Dia de Festa Nacional e de Grande Gala". Esta data seria uma forma de "comemorar apenas nesse ano os 300 anos da hipotética data da morte de Luís de Camões, 10 de junho de 1580."  Mais tarde, apenas na consagração da República - e iniciaçmente apenas em Lisboa - se voltaria a dar importância a esta celebração. Mas qual a razão de, entre tantos escritores e poetas portugueses, se destacar  Camões? É que o seu nome não teria sido consensual entre os seus pares, a sua vida causava dúvidas morais. Mas talvez mesmo por isso, por representar alguém que, não sendo o ideal de comportamento, seria depois reconhecido pela sua genialidade. Camões "representava justamente o génio da pátria, representava Portugal na sua dimen...