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Escrita... e se hoje?

Se as luzes se apagassem hoje, e as ruas ficassem escuras, continuaria a ser natal?  Porque festejamos algo que nem sabemos que existiu? Porque se vende uma imagem de um pai natal que cruza os céus de todo o mundo, quando há crianças que neste momento morrem de fome? É natal... mas só para alguns. Nós que sortudos somos. Temos casa e comida na mesa. Andamos atarefados a comprar presentes, buzinamos nas longas filas da cidade. As luzes aqui estão acesas e iluminam a noite refletindo as gotas de chuva que caem. Está frio, mas é normal aqui porque é natal. Camisolas, casacos, gorro e cachecol e, ao nosso lado, ali bem no chão, junto ao banco de um jardim, um homem dorme em cima de um cartão. Aproveita algum do calor que sobe pela ventilação do metro. Mas nem abrimos a janela do carro, porque está frio quando é natal. A música toca no rádio e as notícias chateiam quando bate a hora certa. Mudamos o posto para não ouvirmos falar de guerra, nem de mais ataques. Procuramos uma nova emisso...

"Escondida"

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Num dos últimos dias deste verão, numa das minhas passagens pela loja da Note, dei com a coleção "Casa da Noite". Comecei um pouco "tarde", uma vez que este é já o 10º desta saga. Não costumo ler muito sobre o fantástico, o vampiresco, mas este livro até me agradou. Tem uma história bem contada, com um enredo fácil de seguir (o que por vezes é difícil neste tipo de livros). Gostei das personagens, em especial de Zoey, que apenas quer ser uma jovem normal. Um pouco confusa e discordante é a relação entre vampiros e não vampiros, num mundo imaginário onde todos coexistem e se relacionam, embora sob algumas regras e restrições, em parte sob supervisão da escola que dá o nome à saga. Escrito por P.C. Cast (mãe) e Kristin Cast (filha). Sobre a autora: Phyllis Christine Cast, nascida em 1960, no Oregon, é uma escritora americana de romance de Fantasia, conhecida pela série de livros "Casa da noite" que escreve com sua filha Kristin Cast.

"A Fúria Divina"

Este foi um dos livros que já li de José Rodrigues dos Santos (este em 2012). Tomás de Noronha está de volta para decifrar u ma mensagem secreta da Al-Qaeda que vai fazer soar as campainhas de alarme em Washington. A escrita de José Rodrigues dos Santos agarra-nos à história do pequeno Ahmed. Ele é apenas um menino egípcio a quem o  mullah  Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da  madrassa  aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O  mullah  e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. Sobre o autor: José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o  24 horas . Em 1991 passou para a apresentação do  Telejornal  e tornou-se col...

"A Fúria Divina"

Este foi um dos livros que já li de José Rodrigues dos Santos (este em 2012). Tomás de Noronha está de volta para decifrar u ma mensagem secreta da Al-Qaeda que vai fazer soar as campainhas de alarme em Washington. A escrita de José Rodrigues dos Santos agarra-nos à história do pequeno Ahmed. Ele é apenas um menino egípcio a quem o  mullah  Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da  madrassa  aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O  mullah  e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. Sobre o autor: José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o  24 horas . Em 1991 passou para a apresentação do  Telejornal  e tornou-se col...

"Pensamentos"

Li o "Pensamentos" de Maria Nalú, que reúne um pouco da obra dispersa de Paulo Coelho, em inícios de 2012.  Maria Nalú, constrói este manual para a felicidade, com vários pensamentos retirados das principais obras do referido Paulo Coelho e organizando-as por temas que tentam demonstrar ao leitor que a felicidade não é um sonho impossível. "Ninguém pode possuir um nascer do Sol. Ninguém pode possuir uma tarde com a chuva batendo na vidraça, ou a serenidade que uma criança dormindo espalha ao seu redor, ou o momento mágico das ondas quebrando nas rochas. Ninguém pode possuir o que existe de mais belo na Terra - mas podemos conhecer e amar." (Paulo Coelho) Para mim este livro foi uma companhia nas noites em que estive de prevenção na Siderurgia, em que passava horas infinitas dentro da viatura tendo como única companhia a escrita e a leitura. A partir de algumas destas frases das quais tirei notas, escrevi pequenos comentários, mas que depois não me satisfazendo deita...

Analfabetismo no início da República

Até aos primeiros anos do século XX, o país viveu em monarquia. Portugal era um país pobre e onde o investimento era desajustado. Saber ler não era prioridade e em 1890, "76% da população portuguesa maior de 7 anos não sabia ler nem escrever." As famílias , normalmente muito numerosas, tinham outras preocupações. A fome, o frio e as doenças, matavam milhares de habitantes. A República não veio trazer apenas mudanças na governação do país. A República veio pôr em prática os ideais educativos que já se tentavam impor em Portugal, tal como na Europa, mas que se viam barrados. Com a chegada da República, uma das principais tarefas era mudar a visão que se tinha da escola, a qual "passou a ser vista como o lugar privilegiado para a formação dos cidadãos." Até ali, a função de ensinar a ler e a escrever estava atribuída a tutores, normalmente ligados  à igreja e, com a laicização do Estado, isso teria de mudar.  Esta separação entre ensino e religião fez com que em 1911, ...

Escrita... divagações

Havia na praia algo de diferente que ela não sabia como explicar, mas era ali que se sentia mais completa, menos só. Talvez fosse o calor que a areia expelia em dias em que o sol se fazia refletir, queimando-lhe a sola dos pés. Ou talvez fosse o som das ondas a ir e voltar, o mar como que inspirando e expirando. Costumava tentar acertar a sua respiração com o mar, num jogo em que perdia na maioria das vezes.  Gostava de estar sozinha na praia - ou de se imaginar sozinha, mesmo rodeada de gente. Fechava os olhos e o barulho das vozes à sua volta começava a ficar cada vez mais distante. Não adormecia. Ficava consciente de si, concentrando-se no barulho do mar, sentindo-se quase que embalada pelas ondas, como se estivesse à deriva. Hoje, especialmente, não havia por ali ninguém e Amélia apreciava daquele silêncio quase absoluto. Hoje era mesmo disso que ela precisava. Estar ali, sozinha, com apenas os seus pensamentos como companhia. Chorar fazia quase sempre parte deste ritual, mas a...