quarta-feira, 31 de maio de 2023

Poesia... ser pequeno e querer ser grande!

Um poema que escrevi para dedicar a todas as crianças. Especialmente, àquelas que são obrigadas a crescer muito depressa, depressa demais e que não chegam a ter tempo de ser crianças. É que aquilo que vemos, nem sempre é o que parece e, tantas vezes, por trás do riso de uma criança, está um ser frágil, dorido e sofredor.


Parecia


Parecia mais pequeno

Que o polegar de uma mão.

Mas tinha um coração tão grande

Do tamanho de um gigante,

E um enorme coração.


Parecia pequenino

Mas não tinha medo não

Tinha uma alma tão grande

Do tamanho de um gigante

E um enorme coração.


E na sua cabeça havia

Fadas, monstros e um dragão

Parecia Fantasia

Mas era apenas alegria

E um enorme coração.


Brincava sozinho, coitado

Com as pedrinhas lá do chão

Constrói castelos, palácios

Onde moram belas princesas

Com um enorme coração.


Parecia ser frágil, pequeno

O menino, lá da cidade

Mas era apenas criança

De sonhos e de lembrança

A lutar p’la liberdade.

Elsa Filipe, 2023

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Apresentação do meu livro num ATL

Hoje fui a uma escola (ou melhor, ao ATL de uma escola) fazer a apresentação do livro que escrevi. E foi maravilhoso.


Ia com bastante receio que as crianças não gotassem - ou até que os adultos me olhassem com tom reprovador. Mas nada disso aconteceu. Preparei tudo com muito cuidado e ia receosa. Levava o meu computador, para poder projetar as imagens do livro enquanto falava e alguns livros para vender. Mas o nervosismo depressa passou e consegui fazer a apresentação do meu livro e, ainda mais do que isso, conversar com as crianças, responder às suas perguntas.


Acabei por ser muito bem recebida e por fazer três sessões ao todo, todas elas diferentes umas das outras. Cada grupo tinha uma faixa etária diferente e por isso a própria história também se foi adaptando na velocidade com que contava, nas perguntas que eu lhs fazia e nas respostas e comentários que eles me iam dando. Foi muito bom, estar ali a apresentar o meu próprio livro. Nestas coisas, eu sou muito insegura, porque acho que a reação dos outros vai ser negativa ou que não vou conseguir dar o meu melhor.


Agora já posso dizer que estou quase a terminar as vendas dos exemplares que tenho em casa e que se tiver mais horas do conto terei de encomendar mais. Lucro? Ainda não tive nenhum, só para que saibam como tenho sido apoiada pela editora, mas pronto, cá está o meu livro e quem o tem lido tem gostado muito. Os meninos até me deram ideias para eu continuar a escrever sobre a Vivi e sobre o seu dragão... mas sem apoio da editora para as vendas, não me arrisco tão cedo. Ainda estou a pagar um crédito que tive de fazer para editar o livro e, como devem compreender, isso torna tudo muito mais complicado. 


Se me apetece escrever?


Muito. Sobre tantas coisas diferentes. Tenho tantas ideias... tanta coisa começada que espera nos cadernos ou em folhas soltas para ter um destino. Talvez se acabem por perder por aí.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

"Crime Impune"

Na sequência de ter lido um dos livros de Simenon, escolhi este "Crime Impune" para conhecer um pouco mais sobre a obra do autor. Este livro, escrito em 1954 e editado cá em 1988, traz-nos em primeiro lugar a descrição de como era a vida dentro de uma pequena residencial, em Liége e dos seus hóspedes.


Nesta casa habita um hóspede peculiar, Elie, um Romeno que veio para Liége e que nutre uma especial e secreta simpatia pela filha da dona da casa. Elie leva uma vida recatada, que se resume à universidade, mas a chegada de uma personagem enigmática, vem alterar toda a sua rotina. Zograffi não entende a língua e tem de ser Elie a fazer a função de tradutor, tarefa que não o satisfaz. 


Elie apercebe-se que Zograffi guarda um grande segredo no seu quarto encarnado e quando descobre do que se trata, começa a vê-lo como um opositor, um concorrente que tem de desaparecer. Mas apesar de fugir após ter cometido o crime que o liberta de Zograffi, o destino volta a reuni-los. 


Sem entrar em grandes pormenores, o autor leva-nos muitas vezes através dos pensamentos da personagem principal ao mais profundo da mente humana, onde nos surpreende com a justificativa que para Elie fazia todo o sentido cometer aquele crime. A personagem não se apresenta de forma alguma arrependida, pelo contrário, ele apenas deseja explicar-se, fazer com que a vítima entenda os motivos que o levaram a cometer o crime, como que atribuindo à vítima a culpa do dano.


Foi um livro fácil de ler, com uma tradução excelente e de uma enorme qualidade literária. No fim, fica a vontade de saber mais, com um final que apesar de não ser de todo inesperado, nos deixa a querer saber "e depois?"

sexta-feira, 5 de maio de 2023

"A Fada Oriana"

Este deve ser um dos contos mais lidos de Sophia de Mello Breyner Andresen. Publicado pela primeira vez em 1958, faz parte do PNL e é um dos livros de leitura obrigatória na disciplina de Português, dos alunos do 5º ano.


Composta por nove capítulos, conta a história de uma jovem Fada a quem é atribuída a tarefa de cuidar de uma floresta. Para o fazer, Oriana recebe da Rainha das Fadas uma varinha mágica que a ajudará a realizar os desejos de cada habitante da floresta, animais, plantas e homens. Oriana é uma "Fada Boa", e "bonita," que "vivia livre, alegre e feliz." 


Esta é uma obra riquíssima em recursos expressivos, visível nas diversas enumerações e adjetivações usadas para caracterizar as personagens e os espaços onde a ação decorre. Encontramos também várias repetições. Por exemplo, no aparecimento da "velha": "Era uma velha muito velha que vivia numa casa velhíssima," ou mais adiante no terceiro capítulo na frase "...havia espaço, espaço, espaço," ou em "Vi, vi, vi," na intervenção do "Espelho." Um outro exemplo de figura de estilo utilizada pela escritora, é a personificação, presente em "Os sofás e as cadeiras davam cotoveladas uns nos outros, as cómodas davam coices nas paredes..."


"A Fada Oriana", é uma belíssima obra destinada a crianças onde podemos encontrar nas fadas o "dom da proteção sobre os seres mais frágeis que vivem numa floresta,"  bem como as "peripécias de uma luta entre o bem e o mal," comuns neste tipo de narrativa. É uma história bonita, até divertida, mas que leva a que os leitores reflitam no que é certo ou errado, ou nas ações que cada um tomaria se estivesse perante as mesmas situações em que Oriana se foi encontrando ao longo da história.


Capa da 1ª edição


Capa da 1ª edição, 1958.


Fontes:


https://purl.pt/19841/1/1950/galeria/f1/foto1.html


https://www.fnac.pt/A-Fada-Oriana-Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen/a644684


 

quarta-feira, 26 de abril de 2023

"A prisão"

"A prisão", de Georges Simenon, publicado pela primeia vez em 1968, conta a história de um homem, dono de uma revista famosa, com uma boa vida e muita gente à sua volta. Aparentemente tudo está bem, mas quando Alain Poitaud chega a casa e encontra à sua espera um inspetor da polícia, a sua vida dá uma volta de 180º. A sua arma está na posse da polícia e as notícias não são nada boas: a sua esposa tinha alvejado a irmã. Poderá ter sido um crime passional ou uma vingança contra a irmã, se a relação que Alain mantinha com a cunhada não tivesse terminado há quase um ano.


A história, que decorre numa Paris chuvosa dos anos 50, mostra-nos então os dias seguintes de Poitaud e as descobertas que ele vai fazendo sobre si mesmo e sobre as relações que mantém na sua vida. Afinal, o que tem e quem está realmente do seu lado?


Simenon nasceu na rua Leopold, em Liège, em 1903, vindo a morrer em 1989. Foi o primeiro filho de Desire Simenon, empregado em um escritório de seguros e Henriette. Em 1905 a família mudou para a rua Pasteur, hoje chamada Rua Georges Simenon.


Grande romancista, deve a sua celebridade a romances (na sua grande maioria policiais) de foro psicossociológico. Eescreveu 192 romances, 158 novelas, além de obras autobiográficas e numerosos artigos e reportagens sob seu nome e mais 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos sob 27 pseudónimos diferentes.


As tiragens acumuladas de seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. É o autor belga, e o quarto autor de língua francesa mais traduzido em todo o mundo. Na obra de Simenon, trinta e quatro romances ou novelas se passam em La Rochelle, que descobriu em 1927 passando suas férias na ilha de Aix, seguindo sua paixão por Josephine Baker. Naquele ano descobriu também uma paixão por navegação e por La Rochelle, onde no ‘’Café de la Paix’’, que aparece em obras suas e se tornaria seu quartel general, pediu uma garrafa de Champagne ao ouvir a declaração de guerra alemã em 1939; ante ao espanto dos presentes, disse: "ao menos não será bebida pelos alemães". Passa a morar lá, onde nasce seu filho Marc, em 1939.


O livro "A prisão" foi o primeiro que li deste romancista. Do princípio ao fim do livro, agarramo-nos a cada informação tentando descobrir a ligação entre as personagens e o fio de toda a trama. Mas, tal como disseram alguns críticos, ele conseguiu construir uma intriga o mais complexa possível, como se se tratasse de um jogo de ecos em que as personagens são fortes e é difícil entrar na sua lógica. No fim da história, o final é surpreendente. Nss últimas páginas comecei a achar que algo ia acontecer, mas quando realmente foi esse o desenlace eu não quis acreditar. 


Os romances colocam o leitor em um mundo rico de formas, cores, sentimentos, sensações, onde se entra desde a primeira frase. Foi o primeiro contato, mas não será de certeza o último porque vou procurar outros livros deste escritor que adorei conhecer.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Simenon


https://esconderijodoslivros.pt/product/a-prisao-georges-simenon/


https://www.wook.pt/autor/georges-simenon/2138812


 


 


 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Poesia em dia de liberdade

Para assinalar esta importante data, partilho convosco este poema que escrevi. Dão-me a vossa opinião?



 


Madrugada


 


É abril.


Nasce a manhã pueril


Depois da tempestade


Faça-se uma bandeira branca


E erga-se bem no ar


Grite-se com toda a garganta


Que os abutres desta cidade


Já não a vão derrubar.


 


É manhã,


O dia nasceu florido,


Nasceu da noite a esperança


Que a vida terá em diante


Outra forma de andança


Será mais livre a criança


Sem medo de cantar jamais


Crescerá livre e forte


Com’as andorinhas nos beirais.


 


É o sol


Que rasga as nuvens do escuro


E se entra no futuro


Com a vontade de vencer.


As canções deram o mote


E é agora na sorte


De avançar sem medo nem pejo


Fazendo valer o desejo


De libertar ou morrer.


 


Recebamos em aplausos


Vindos de longe ou de perto


Os filhos que estão a chegar


Neste dia que amanhece


Para Portugal resgatar


Marcham de todo o lado


Em abril vieram fazer


Valente, tropa, soldado,


A luta contra o poder.



Elsa Filipe, abril de 2023

quarta-feira, 12 de abril de 2023

"O Homem do gelo"

Em pleno inverno, numa pequena aldeia nos bosques remotos e escuros do Wisconsin, uma família é brutalmente assassinada: um homem, uma mulher e uma criança, são friamnete assassinados com um pequeno machado, a casa incendiada. Enquanto as cinzas da casa queimada se espalham sobre o gelo e a neve, alguém vê o fumo e apercebe-se de que algo está muito errado. O tempo vai ser um fator crucial durante a investigação. Um crime tão hediondo não é comum por aquelas bandas e, por esse motivo, o xerife local acaba por procurar Lucas Davenport, um antigo agente policial, que tem uma cabana nas redondezas, mas que se tinha afastado da sua vida profissional.


Davenport está relutante, mas acaba por aceitar estudar o caso. Ao analisar o local do crime, apercebe-se da existência de outros crimes chocantes. Além de um assassino, descobre provas relacionadas com a pedofilia que poderão levar várias pessoas para trás das grades. Mas O Homem do Gelo não lhe vai facilitar a vida, sendo até o inimigo mais determinado que Lucas Davenport alguma vez enfrentou: um serial killer decidido a cobrir com sangue o seu trilho implacável.


Neste romance de cortar a respiração, o escritor John Sandford consegue criar um clima de suspense quase insuportável, enquanto aguardamos pelo ataque deste assassino. O livro permite ao leitor tentar descobrir os envolvidos, as mentiras e confrontar os factos, pois está muito bem escrito, com uma narrativa fluída em que os diálogos ajudam no enquadramento da história.

Quem foi Orwell?

O nome George Orwell é o pseudónimo de Eric Artur Blair, nascido em 1903 numa região que na época pertencia à Índia britânica. Eric viria a ...