Mensagens

"D. Teresa - Uma Mulher que Não Abriu Mão do Poder"

Imagem
Posso começar por dizer que esta é uma das escritoras de que eu mais gosto. A forma como escreve prende desde a primeira página e, por muito grande que o livro seja, não me canso, pelo contrário. Isabel Stilwell tem uma coleção fantástica de romances históricos e este é o de D.  Teresa, mãe de Afonso Henriques. Nas aulas de história, aprendemos apenas que houve quezílias entre mãe e filho, mas este livro conta-nos a história de uma mulher de armas, com a qual acabamos por simpatizar e, não apenas, aquela mãe que se opôs ao filho. D. Teresa é filha do casamento entre Ximena Moniz do Bierzo, de quem herdou os olhos verdes e a astúcia, e de Afonso VI de Leão e Castela. Teresa é uma menina feliz que vive com a mãe e com a irmã, na localidade de Bierzo, mas as duas irmãs são levadas pelo pai, Afonso VI, para o reino de Leão onde passariam a ser educadas por um tia, Urraca que, com firmeza, as tenta preparar para o futuro que as espera. Além da sua irmã, com quem vivia no Bierzo, Teresa ...

"Um homem sem passado"

Imagem
"Um homem sem passado" foi escrito por  Peter May, escocês e ligado durante muitos anos à arte do guionismo e da produção.  Peter May conta-nos a história de um ex-polícia, Fin Macleod, que regressa à ilha onde nasceu, deixando para trás tudo o que o ligava a Edinburgo. Fin começa a restaurar a antiga quinta dos pais, agora abandonada, enquanto se vai reencontrando com as suas antigas amizades, incluindo Marsaili, a grande paixão de Fin durante a juventude.  Quando um corpo é encontrado por entre a turfa da ilha de Lewis, começa o grande mistério. De quem será aquele cadáver que se encontrava bem conservado e que os investigadores vêm depois a descobrir, apresenta hediondos golpes de esfaqueamento e uma tatuagem de Elvis no seu braço direito? Os testes de ADN vêm adensar o mistério, uma vez que são descobertos laços de sangue entre o corpo e um dos habitantes da ilha: Tornodo MacDonald, o pai de Marsaili. Tormod é um homem atormentado que tem vindo a perder a memória devi...

Eça de Queiroz a caminho do Panteão Nacional

A Fundação Eça de Queiróz despede-se durante este fim de semana do escritor que se inspirou na idílica Casa de Tormes, em Santa Cruz do Douro, concelho de Baião. Amanhã, "dia 5 de janeiro, a urna contendo os restos mortais de Eça de Queiroz estará em câmara-ardente no átrio principal da Casa de Tormes, perto dos objetos que o rodearam em vida, como a secretária onde escrevia e os livros da sua biblioteca."  Os restos mortais de Eça de Queiroz vão ser trasladados para o Panteão Nacional na quarta-feira, por decisão tomada no Parlamento" em janeiro de 2021 quando, por unanimidade, foi aprovado "um projeto de resolução do PS para conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa ”. Teve entretanto de ser resolvida uma "contenda judicial com os familiares do escritor que se opunham a esta possibilidade." Depois do proce...

"A Filha desaparecida"

Imagem
Acabei de o ler ontem ao fim da tarde, depois de um chocolate quente, numa esplanada na baía do Seixal. E quando o terminava, pensava que, realmente aquilo que queremos ver nem sempre é o que está mesmo à frente dos nossos olhos. Mais do que uma história de desaparecimento, este livro conta-nos a história de uma mulher que, além do seu trabalho é também mãe de três adolescentes. Uma rapariga, boa aluna, bem comportada e educada, que além da escola participa num grupo de teatro. E dois rapazes, gémeos. Mas como esta mãe irá descobrir, os seus meninos são muito diferentes do que ela imagina. Estão a caminho da idade adulta, têm os seus próprios gostos, os seus objetivos pessoais, os seus próprios problemas, a sua vida. E nem sempre uma mãe é capaz de acompanhar estas mudanças. Quando a filha, Naomi, não regressa a casa depois da última atuação da peça de teatro em que participava, Jenny fica preocupada e zangada.  O pai, é um neurocirurgião conceituado, mas não é por isso que não esc...

Revéillon ou passagem de ano, o que importa é que nos traga muita paz e saúde!

Um ano muito feliz a todos vós! Sabem de onde vem o termo "Revéillon" que usamos para nos referirmos à noite de passagem de ano? Na França, no século XVII, o termo réveillon era usado para designar as festas da nobreza, que tinham como caraterística durar a noite inteira. A palavra "tem origem no termo réveiller, ou seja, "acordar", "deixar de dormir", que por sua vez vem do verbo latino velare, "fazer vigília", de vigilare, "velar, cuidar, não dormir". Como outras palavras que fomos adotando, aqui em Portugal, o termo acabou por ficar popular,servindo para fazer referência à grande noite de festa em que celebramos a mudança de ano. No Brasil, o uso deste termo vem do tempo de D. Pedro II, para identificar eventos populares entre os nobres do século XVII, grandes festas que duravam até ao nascer do dia seguinte, "como jantares e coquetéis — que costumavam acontecer na véspera de datas importantes." Atualmente, as festivid...

Natal posto em verso

Natal   Por cá, a neve não cai Mas ainda há natal. Falta a árvore mas os presentes Estão felizes, contentes, Prontos para ofertar Mas o que importa no fundo Em qualquer natal do mundo Não é ter... é estar! Se o frio apertar há uma manta quentinha, Comida na cozinha, se a fome espreitar Pode faltar um certo luxo Ou prendas caras até, Mas não faltará amor Não irão faltar abraços, Aconchego e calor. Podem faltar as fotografias Amorosas ou pirosas Mas as lembranças que ficam Vêm do peito, do fundo, Nos stories não vão brilhar. São momentos, são memórias Que nenhum tesouro do mundo Pode algum dia pagar.   E numa caneca quentinha, Que aquece o coração, Um chá quente a fumegar A enganar a solidão.   Haverá maior riqueza? Só eu e os meus pensamentos, Pois com eles tenho a certeza Este natal, vou passar!   Elsa Filipe, dezembro de 2024

"A Rapariga do Casaco Azul"

Imagem
Este livro fez-me lembrar outros livros. Mas na sua essênci, traz-nos algo de soberbamente diferente, um jovialidade e uma visão diferente da realidade de uma época dramaticamente marcada pelo sofrimento e pela morte e, sobre a qual, já tanto se escreveu e se disse. A história passa-se no ano de 1943, em Amesterdão. Hanneke é uma jovem de apenas 18 anos, sobre cujos ombros recai a responsabilidade de ajudar a família a sobreviver. Depressa Hanneke aprendeu que traficar alguns bens é, naqueles dias, não um crime de que se arrependa, mas uma forma de sobrevivência. De bicicleta, ela percorre diariamente as ruas da cidade para conseguir encontrar alguns produtos. Quanto mais raros, mais perigosos são de conseguir, mas isso não a impede de continuar. Ela ajuda-se a si mesma, mas está também a ajudar os outros, embora a jovem o faça não por bondade mas pelo dinheiro que consegue e que leva para casa. No mundo que conhece, não há espaço para a fragilidade nem para a bondade: a guerra devasta...