domingo, 24 de dezembro de 2023

Poesia... para repensar o natal

Para hoje, só vos quero desejar um Natal muito feliz.


De mim para vós, deixo um singelo presente, um poema que escrevi, a pensar numa época diferente daquela em que nos encontramos.



 


No tempo dos tempos antigos


 


No tempo dos reis e rainhas


Havia numa rua direita


Uma casa de tabuinhas


Com uma porta muito estreita.


 


Era uma casa pequena


Que lá dentro albergava


Uma donzela morena


A sete chaves fechada


 


Tal como as outras meninas


Fossem princesas ou não


Sonhavam de pequeninas


Com quem lhes estendesse a mão,


Também esta donzela


Esperava que viesse vê-la


Soldado, rei ou capitão.


 


Naquela casa pequenina,


Na fresta de uma janela


Espreitava para fora a menina,


Por quem procurava ela?


 


Escondida dos muitos olhares,


Não era débil, nem feia


Tinha a beleza que a milhares


Fazia inveja alheia.


 


Presa do seu destino


Escondida pela loucura


Não havia ali valentino


Que dela andasse à procura.


 


Mas num dia de azar


Sem nada o fazer prever


Cai na palha que o chão cobre


Uma velinha a arder.


 


A donzela assustada


Não tendo como fugir


A sete chaves encerrada


Não poderia sair!


 


Sem saber como transpor


Aquela porta tão estreita


Cai no chão cega de dor


Grita, chorosa e desfeita.


 


Com medo, a soluçar


Não o viu quando chegou


Ouvia o fogo a estalar


Mas logo o barulho cessou


 


Sentiu que a levantavam


E o fresco da noite ela sente


Lá fora todos gritavam


“Que rapagão tão valente!”


 


Sua força não conhecia


Nem se achava valentão


Se havia nele valentia


Era só no coração.


 


Descansou enfim a donzela


Em seu peito encostada


Cega pelo fogo, mas bela


E agora, enfim, amada.


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