quinta-feira, 27 de junho de 2024

Poesia... desabafos

Hoje, partilho convosco esta poesia que escrevi há algum tempo, mas que poderia ter sido escrita hoje. É um desabafo... num dia em que me sinto um pouco incompreendida. Uma forma de mostrar que o caminho que escolhemos, apesar das dificuldades, se torna muitas vezes no caminho certo e que não devemos desistir mesmo que a esquina seja escura e as opções não sejam animadoras. 


Tantas vezes este é um caminho solitário, incompreendido. Só nosso.


 



Esta dor que é só minha


 


Um lamento baixinho


No silêncio do meu quarto,


Choro já pouco, que o caminho


É só meu, não o reparto.


 


Parece um sorriso aquilo


Que coloco no meu rosto


Saio de casa tranquilo


A dor está cá não a mostro.


 


Sigo em passos constantes,


Doloridos, hesitante,


Sou eu quem manda, não és tu!


Dói, mas sem ser pedante


Ergo a cabeça, embirrante


Sou mais forte do que tu!


 


Esta dor que é só minha


Não define quem eu sou


Nem presto conta à vizinha


Das noites que passo sozinha


À janela, a ver quem passou.


 


Esta dor que me impede


De ser totalmente quem quis


É a vencê-la que me impele


A cada dia ser mais feliz!


 


O que fui já se acabou,


Outra vida, construí


Agora aquele que sou


É sobre o vencer da dor


Que a caminhar consegui.


Elsa Filipe, 2024


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