domingo, 29 de setembro de 2024

Poesia à Senhora do Cabo

No fim do mês de setembro há uma festa, uma romaria em honra da Senhora do Cabo. O meu jeito para estas coisas não é muito e, a verdade, é que não acredito em nada destas coisas de santas ou milagres. Escrevi este pequeno poema em honra daqueles que mantém as tradições que são tão importantes para nos unir como povo. Às gentes da vila e às gentes do campo que se juntam para fazer a festa do Cabo, a minha singela poesia.



 


Cabo


 


Há um penhasco


E há a vida


O som da batida


Do seu coração


Que junto da ermida


Se recolhe no fundo


Da dor sem perdão.


 


Há um penhasco


Qual escarpa profunda


Onde se espreita o início


Deste nosso mundo


Em que grandes gigantes


Passaram sem pressa


E marcaram-lhe o fundo.


 


Há um penhasco


Um sentir que é preciso


No momento exato


Cair num abraço


Que a vida é mais forte


Mais valente, mais tudo


E se funde num laço.


 


Há uma estrada


Um caminho a percorrer


Vontade de seguir a vida


Com esperança no olhar


Uma família a acontecer


E junto daquela ermida


Há uma mulher a rezar.


 


Há um penhasco


E há uma história


Da pedra da mua


Onde a Senhora subiu


Padroeira da memória


Dizem que foi obra sua


O mar não os engoliu!



Elsa Filipe, setembro de 2024

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