quarta-feira, 26 de março de 2025

"A Criança nº 44"

Um thriller de Tom Rob Smith que deu depois origem ao filme com o mesmo nome (não conhecia, nem um nem outro, confesso, mas andava a apetecer-me voltar um pouco aos thrillers).


A história passasse na antiga União Soviética de Estaline, na qual os cidadãos vivem num mundo fingido, em que aparentemente não existem crimes. Um dia, aparece um rapazinho morto, perto de uma linha de comboio, mas apesar das suspeitas de crime, a família é obrigada a declarar que a morte foi acidental e que a culpa foi apenas da insensatez da criança de quatro anos. Apesar da sua dor, o medo que todos têm do Estado de Estaline, fá-los calarem-se e aceitar o que lhes é dito. O pai, faz parte da máquina do Estado, bem como o seu colega de trabalho, o oficial de segurança Leo Demidov. Leo não acredita que tenha sido apenas um acidente mas vê-se obrigado a ser ele a dar indicações àquela família enlutada para que aceitem a morte como tal.


Casado com uma professora, Leo não consegue estar quieto e começa a investigar por si próprio. No entanto, Leo acaba por ficar doente em casa, e numa visita de um dos seus superiores que vem verificar a veracidade da sua doença, a sua mulher Raisa, acaba por sofrer uma tentativa de violação. Defendendo-se do seu agressor e não aceitando qualquer chantagem, ela acaba por se colocar a si e ao marido numa situação de apuros, sendo acusada de traidora. A investigação cai propositadamente sobre Leo, que se vê na situação de acusar a mulher para salvar a sua vida e a dos pais ou de a acusar e sofrer as consequências.


Leo não é capaz de ir contra a sua consciência e a decisão que toma, irá trazer graves consequências para si e para a sua família. Entretanto, outras mortes semelhantes continuam a acontecer, em locais distintos, mas sempre perto da linha de comboio. Leo não tem dúvidas que existe um assassino à solta e coloca a sua vida em risco para o tentar descobrir.

quarta-feira, 12 de março de 2025

"Todos os Lugares Desfeitos"

Depois de ter lido "O Rapaz do Pijama às Riscas", eis que me deparei com a sequela. "Todos os Lugares Desfeitos", escrito por John Boyne, é uma emocionante história que nos leva por uma teia de segredos. Desta vez, o romancista irlandês escreve sobre Gretel (que é nada mais nada menos do que a irmã de Shmuel, do livro anterior). Gretel é agora uma nonagenária e vive em Londres.


Neste livro, ficamos a conhecer a sua vida, depois do desaparecimento do irmão e da condenação do pai. Em Londres, ela ainda não se permite ser totalmente livre, culpando-se pela morte do irmão e reconhecendo o mal que ocorreu muitos anos antes, como sendo também em parte, responsabilidade sua, apesar de à época, sedr apenas uma criança.


Gretel, vive num antigo prédio londrino, localizado num quarteirão de luxo, tendo uma vizinha com quem conversa e um filho que a visita amiúde. Fora isso, a sua vida é bastante solitária e, aparentemente, tranquila.  Gretel foi toda a vida uma fugitiva - dos seus medos, da pesada culpa que se obriga a carregar e dos seus segredos. No entanto, a chegada de uma família ao edifício, fá-la conhecer um rapazinho que lhe faz, de certa forma, lembrar o seu irmão.


Neste livro de ficção, somos confrontados com decisões difíceis. Mas no fim, as suas ações irão no sentido de proteger uma criança da brutalidade do seu progenitor. Até à última página, segredo atrás de segredo é revelado e, o que pensamos que é, afinal tem um significado totalmente diferente.

sábado, 8 de março de 2025

Poesia às mulheres da minha vida

Mulheres,


filhas, mães, irmãs e avós

Suportam nas costas o peso

Da nação de todos nós.

 

Teresa que deu à luz o príncipe

Grande rei de Portugal,

Foi banida pela sorte,

Excomungada, fugiu à morte

Dona, acusada foi do mal.


Mas a sua vida, fácil não foi

Se ela cresceu num mundo assim...

Queriam que fosse submissa

E ela aprendeu a lutar, 

A ler, a galopar, 

A debater e a governar!


Outra mulher da nossa história,

Prometida ainda menina,

Chamaram-lhe santa Isabel

Mas esqueceram que a sua vida 

Foi dura, foi cruel.

O pão deu ao povo pobre 

E alguém bondoso encontrou

Que por ela mentiu e a ajudou

A fugir dos grilhões da morte.


E aquela de quem nos esquecemos,

Mas que o direito nos fez consagrar

Usando a nosso favor, 

A lei que estava escrita.

Mulheres, podemos votar!


Não nos impeçam, que sabemos

Para isso, queremos estudar!

Temos todas de a recordar, 

Carolina de seu nome,

Não desistam meninas,

Estudem! É hora de lutar!


E a Primeira-ministra portuguesa

Alguém sabe de quem falo?

Maria, de seu nome

Deu-nos porém a certeza

De termos apoio social.

Engenheira, como poucas

De profissão arriscariam

Abriu portas na política,

A outras que se seguiriam.


Cientistas, poetisas

Escritoras, astronautas.

Seguem os sonhos, astutas

Pegam em armas, conduzem

Um carro, ou um país

Não são mais que nenhum homem,

Mas menos não podem ser.

Pois não podemos esquecer 

Que nelas se fecunda a semente

Que faz a Nação crescer!


Elsa Filipe, 2025

sábado, 1 de março de 2025

"A Rapariga sem Nome"

Saindo um pouco para outro tipo de leitura, desta vez escolhi Leslie Wolfe e um thriller. Esta escritora, sobre a qual tenho lido vários elogios, acabou mesmo por me surpreender. "A Rapariga sem nome" é um livro acerca de um hediondo crime, que faz levantar a suspeita de que andará nas ruas um serial killer. 


Numa escrita fluída e bastante expressiva, com bons diálogos que intervalam com pensamentos mais profundos, é-nos dada a conhecer a personagem principal. Tess é uma investigadora do FBI que tem os seus próprios fantasmas a atormentá-la diariamente, tentando em vão, esconder através de uma atitude desafiadora, as suas prdóprias fragilidades. Sem entrar em grandes pormenores, posso apenas dizer que Tess compreende perfeitamente o que é estar no lugar da vítima.


Tess é rápida e de pensamento fluído, mas não consegue trabalhar em equipa, pois tem uma mancha negra no seu passado que a faz pensar constantemente que  é culpada pela morte do seu antigo colega. A sua perspicácia é difícil de acompanhar por aqueles que a rodeiam, sendo uma mulher bastante difícil de acompanhar, temperamental, com métodos mais arriscados do que inovadores.


Os crimes são descritos de forma surpreendente e (quase) demasiado pormenorizadamente, mas sem cair na vulgaridade. Apesar de muito cedo na trama haver um suspeito declaradamente concensual, a história não perde de todo o seu interesse. A capa, no entanto, apesar dos pontos em comum com a história (os olhos azuis, a praia...) não reflete a história em si, nem a forma como a vítima é deixada, exposta como se de uma obra de arte se tratasse.


Tenho em vista a leitura de outros livros da autora, pois ao que parece existe uma sequela.

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé n...