Carlos de Matos Gomes combateu em África e foi um dos Capitães de Abril. Nasceu a 24 de julho de 1946, em Vila Nova da Barquinha. Foi oficial do Exército, tendo cumprido comissões em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau. Faleceu esta madrugada no hospital CUF Tejo, em Lisboa, aos 78 anos.
Da sua história, sabe-se que terá sido "expulso da Mocidade Portuguesa." No Colégio Nun’Alvares, em Tomar, terá conhecido Salgueiro Maia.
"A sua carreira militar iniciou-se em 1963, quando entrou para a Academia. Fez o curso de Cavalaria, sendo mobilizado para Moçambique quatro anos depois. Cumpriu comissões durante a guerra colonial também em Angola e na Guiné, nas tropas especiais Comandos. Foi ferido em combate e altamente condecorado."
Das três comissões que fez na Guerra Colonial nasceu a inspiração para as suas obras. Quando em 1972 se "ofereceu para ir para a Guiné," este oficial já tinha "decidido que depois disso abandonaria a carreira militar por acreditar que a única solução para a Guerra Colonial era política."
Na Guiné, Carlos terá sido na verdade "um dos fundadores do Movimento dos Capitães" e participado "na primeira Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Quando se deu a revolução em Portugal, estava ainda "na Guiné, nos Comandos, e pertencia à Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães na Guiné."
Escreveu "um livro de História sobre a operação Nó Górdio" com o nome “Moçambique 1970” e que seria publicado pela editora Tribuna da História. Sobre aquele ambiente de guerra, escreveu ainda o seu primeiro romance, “Nó Cego”, que sairía em 1982, sob o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz. De sua autoria são ainda, "A Última Viúva de África" e "Os Lobos não Usam Coleira" (1995). Este livro, foi depois adaptado pelo realizador António-Pedro de Vasconcelos ao cinema, com o título “Os Imortais."
Em 2020, publicou o ensaio "Guerra Colonial" junto com o seu camarada de armas Aniceto Gomes. Colaborou com Maria de Medeiros no filme “Capitães de Abril”, no qual chegou mesmo a interpretar uma das personagens. Escreveu ainda outros romances cuja temática se afasta do tema colonial.
No ano passado, em nome próprio, Carlos de Matos Gomes publicou "Geração D: da ditadura à democracia" onde fala da sua geração, aquela que conheceu a ditadura e, onde se interroga sobre os motivos da Guerra Colonial e da sua própria presença em África.
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