sexta-feira, 1 de agosto de 2025

"A Rapariga Polaca"

Malka Adler descreve-nos uma sala onde um grupo de convivas escuta atentamente a história de vida de Anna, uma mulher polaca que se vê sozinha com dois filhos num país em guerra. Ao seu lado está Danusha, uma menina que escuta a versão dos acontecimentos narrados pela mãe, mas sobre os quais retém memórias um pouco diferentes.

Ao longo do seu crescimento, Danusha tenta encontrar o seu lugar na família, num mundo em que sente não se enquadrar. Ela apenas deseja sentir-se amada, ter uma mãe que a olhasse nos olhos e dissesse que a amava, mas em vez disso, aquela mãe lutadora, parece ser demasiado fria e estar demasiado distante para perceber as suas necessidades. Uma das perguntas feitas pela menina, e que nos transmite esse sofrimento é: " Como é que eu sei que a mamã é mesmo a minha mamã?" E da mãe, a resposta que chega é pegar no irmão e abraçá-lo, ficando em silêncio. Só mais tarde, Danusha irá compreender muitas das atitudes da mãe.

Na história, as mulheres são tratadas como fortes e determinadas, lutadoras por obrigação. Arregaçam as mangas e não se deixam ficar à espera de soluções, tomando as rédeas da casa e da família na ausência dos maridos. Encontramos muitas mulheres com fortes personalidades ao longo da narrativa, começando desde logo pela "mamã" de Danusha, pela "Ciocia, tia Bronka", irmã da mãe, pela "avó Rosa" e até Toni Sopp.

O pai, alfaiate de profissão, é levado para um campo de trabalhos forçados e acaba por desaparecer das suas vidas. Danusha quer que olhem para ela como olham para o seu pequeno irmão, Yashu, que ainda é bebé no início da história. Quer sair de casa sem que perguntem para onde vai, no decorrer da mesma. Mas é com ela que a mãe fica, tendo de "abandonar" Yashu em casa de uma outra família polaca, quando se muda com Danusha para casa de uma família católica em Cracóvia.

Helmutt Sopp é alemão, um SA, um nazi, que em casa é um pai de família. É casado com Toni e têm dois filhos, Peter e Ammon. Toni não trabalha e sai muitas vezes de casa, enquanto Helmutt, quando está sozinho sem a mulher, dá grandes festas, numa vida de "fachada" e sumptuosidade enquanto lá fora milhares de judeus morrem, nas ruas e em campos de concentração. É neste limbo que Anna vive, num constante medo de que descubram que é judia. Tem sobretudo medo que descubram que Yashu é judeu e que lhe façam mal e, é por isso, que tenta seguir os costumes cristãos à frente de todos, para não ser descoberta, escutando as maldades que fazem ao seu povo, o genocídio que acontece ali ao lado enquanto serve os convivas em mais uma festa dada por Helmutt Sopp.

Percebemos ao longo da história que tanto Helmutt como Toni respeitam Anna, mesmo quando, mais tarde, descobrem a sua verdadeira identidade. Toni admira-a e, Helmutt esconde por ela uma paixão secreta e impossível. Num ato de desespero, Anna acaba mesmo por ir buscar Yashu e trá-lo para casa dos patrões, arriscando a vida do filho e da restante família. Quando os russos chegam, a família Sopp vê-se obrigada a fugir, mas Helmutt deixa a casa ao cuidado de Anna, permitindo-lhe sobreviver.

Anna nunca baixa os braços nem se acomoda e acaba por encontrar trabalho numa cantina. O percurso de Anna e dos seus filhos irá passar por Berlim, Hanôver e Bergen-Belsen onde arranja trabalho como funcionária da UNWRA a recensear refugiados. O percurso dos três continua depois até Haifa e Telavive.

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