domingo, 8 de março de 2026

O papel da mulher na Literatura

É importante voltar a falar deste tema, pois se é algo que nos parece estar longe na história da literatura, a verdade é que ainda hoje existem mulheres a ter de publicar sob pseudónimo para conseguirem ver os seus livros editados, ou não serem politicamente perseguidos. 

Sendo a cultura um reflexo da sociedade e desempenhando a literatura um importante papel dentro dessa mesma cultura, a mulher é, muitas vezes representada pelo olhar masculino, moldando-se esta visão à época, aos costumes e às origens culturais dos seus próprios autores.

A mulher tem sido vista não só como uma musa, mas também como uma criada. Às vezes, é um elemento necessário - quase que decorativo - noutras surge como símbolo de perfeição, objeto de virtudes.

Esta representatividade também tem vindo a ser alterada desde que a literatura deixou de ser algo acessível apenas às elites e se começou a espalhar pelas diversas classes sociais, e desde que começaram a existir livros cujos autores eram mulheres. A iniciação (formal e visível) da mulher na literatura deu-se mais tarde do que no caso masculino, uma vez que a aprendizagem da leitura e da escrita começou por estar-lhes, de certa forma, limitada. 

O lugar da mulher na sociedade, muitas vezes em submissão ao homem (marido, pai e até aos irmãos) teve assim grande influência na sua participação literária, seja no acesso aos livros, seja na escrita sobre temas que lhes estavam vedados. Este lugar na sombra, dificultou muito a chegada da mulher ao mundo da literatura.

Em 1847, uma mulher vem quebrar esta visão, mas sem conseguir publicar em seu próprio nome, acabou por publicar sob um pseudónimo masculino. Era raro que um editor publicasse um livro cuja autoria fosse de uma mulher e, mesmo que o arriscasse, muitas vezes o próprio livro era, apenas por isso, mal recebido, uma vez que os leitores não consideravam o poder intelectual feminino. 

Com o "Monte dos Vendavais", Emily Brontë trouxe à luz algo até ali inédito na literatura. Tudo o que saísse do âmbito doméstico era mal visto e reprimido. Publicar mostrando a sua identidade era arriscar-se a ser alvo de enormes críticas e de repressão por parte, não só da sociedade, como também de dentro da sua própria família. 

Jane Austen também publicou inicialmente as suas obras sob anonimato. Foi autora de grandes obras como "Orgulho e Preconceito", "Emma" ou "Persuasão", usando muitas vezes a ironia nas suas obras. 

É no século XIX, que a autoria dos livros começa a ser tido como algo relevante, o que tornou ainda mais difícil continuar a publicar de forma anónima. Uma outra limitação era o facto que a escrita estava limitada às famílias com maior capacidade económica, ou seja, famílias em que era mal visto ter o nome da esposa ou de uma filha na capa de um livro.

Ainda hoje em dia, apesar de todos os avanços e com a chegada de mais direitos e liberdades, a mulher continua a ter dificuldades em publicar. Virgínia Woolf, escreveu um ensaio sobre o papel da mulher na ficção e da necessidade das mulheres conquistarem o seu próprio espaço. Em "Nova História da Mulher no Brasil," Virgínia Woolf dá voz a vinte e uma mulheres que "falam sobre temas relacionados ao universo feminino," e onde destaca as dificuldades que tiveram de enfrentar, as suas conquistas ao longo do século XX e no início do século XXI.

Fontes:

www.revistaphilologus.org.br/index.php/rph/article/view/1248



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