"Minha querida Inês"
Margarida Rebelo Pinto presenteia-nos com esta "Inês" forte e determinada, num livro que se divide em sete dias, mas nos quais cabe a vida toda desta "Inês" que morre às mãos dos capatazes do rei de Portugal. "Inês" traz-nos a sua própria história, contada em jeito quase de diário, coadjuvada por outras personagens que vão contando a sua própria visão dos acontecimentos, tal como "Jala" (ou Remédios, a moira) apaixonada por Clara (criada muda) protegida pela própria Inês.
Este livro traz-nos uma história já conhecida, de um ponto de vista diferente mas sem muito a acrescentar. Um livro que se torna mais difícil de ler por não estarem identificadas as diferentes personagens que, de alguma forma, descrevem os seus sentimentos, a sua visão, a sua relação a cada momento com Inês. No fim do livro, temos uma pequena cronologia que nos ajuda a entender os factos.
A narrativa começa a 1 de janeiro de 1355 e Inês morreria a 7 desse mesmo mês. Inês deseja o regresso de D. Pedro, a quem ama e com quem se deseja casar, mesmo sabendo que o príncipe já é casado com D. Constança Manuel. No entanto, a morte de Constança, em 1345, poucos dias depois do nascimento do herdeiro ao trono ainda poderia trazer alguma esperança para Inês, que em 1346 regressa de Albuquerque para onde tinha sido exilada a mando de D. Afonso IV e vai instalar-se próximo de Atouguia da Baleia onde vive com D. Pedro.
D. Pedro nunca mereceu Inês, essa é só a minha opinião e quanto mais leio sobre a vida de D. Inês, mas sinto que ela estava apaixonada por quem não a merecia e que nunca foi capaz de lutar por ela. Só em 1353 ele tenta legitimar o casamento com ela, mas nunca a chega a apresentar ao país como sua esposa. Só depois da sua morte em 1355 é que ele se junta aos irmãos de Inês para lutar contra o pai, mas esta luta nunca foi por amor a Inês, mas sim por não querer perder o trono e por raiva por o pai ter interferido na sua forma de viver. Se fosse por ela, D. Pedro ter-se-ia erguido muito mais cedo numa guerra civil contra ele.
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