sábado, 12 de março de 2022

A nossa língua: Portuguesa

 Mundo fora, a língua portuguesa venceu barreiras geográficas e culturais, espalhando-se, evoluindo, crescendo e enriquecendo.

Todos os dias, trabalho com pessoas que falam as várias variantes do português.

O português teve origem no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal, derivada do latim vulgar que foi introduzido no oeste da Península Ibérica há cerca de dois mil anos. Tem um substrato céltico-lusitano, resultante da língua nativa dos povos ibéricos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da Península (GalaicosLusitanosCélticos e Cónios). Surgiu no noroeste da Península Ibérica e desenvolveu-se na sua faixa ocidental, incluindo parte da antiga Lusitânia e da Bética romana.

O romance galaico-português nasce do latim falado, trazido pelos soldados romanos, colonos e magistrados. O contato com o latim vulgar fez com que, após um período de bilinguismo, as línguas locais desaparecessem, levando ao aparecimento de novos dialetos.

Assume-se que a língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas ibéricas através do contato das diferentes línguas nativas locais com o latim vulgar, o que levou ao possível desenvolvimento de diversos traços individuais ainda no período romano. A língua iniciou a segunda fase do seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano, durante a época das invasões bárbaras no século V quando surgiram as primeiras alterações fonéticas documentadas que se refletiram no léxico. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX. 

Com a criação do Reino de Portugal em 1139 e a expansão para o sul na sequência da Reconquista, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o BrasilÁfrica e outras partes do mundo.  no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.

Durante a Época dos Descobrimentos, os marinheiros portugueses levaram o seu idioma para lugares distantes. A exploração foi seguida por tentativas de colonizar novas terras para o Império Português e, como resultado, o português dispersou-se pelo mundo. Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua primária é o português.

O português do Brasil, ou português ultramarino, é sem sombra de duvida o mais falado, muito mais que o seu original de Portugal. Na verdade, é esta a variedade ensinada em muitas escolas para estudantes estrangeiros de língua portuguesa, sobretudo no Japão, na América Latina e nos Estados Unidos. Além deste fator, existem também grandes comunidades brasileiras, em particular nos Estados Unidos, na Alemanha, Reino Unido, França, Espanha e claro, em Portugal.

Esta é uma língua extremamente rica uma vez que nasceu da união das variadas línguas indígenas faladas em todo o território. Pedro Álvares Cabral, ao chegar ao Brasil levou o Português que ao longo dos muitos anos foi incorporando termos e ajustes do Tupi, e claro das línguas africanas, provenientes dos escravos levados para trabalhar nas casas senhoriais e nas terras. O quimbundo, o Umbundo, o Quicondo, foram então juntando-se não só ao Português, mas também ao Francês, ao Castelhano, Inglês e Italiano, nas vagas comerciais, exploratórias e colonizadoras. O português é a língua habitual de 71,15% da população de Angola, sendo que cerca de 85% dos angolanos são capazes de falar português, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Além disso, por razões históricas, falantes do português, ou de crioulos portugueses, são encontrados também em Macau (China), Timor-Leste, em Damão e Diu e no estado de Goa (Índia), Malaca (Malásia), em enclaves na ilha das Flores (Indonésia), Baticaloa no (Sri Lanka) e nas ilhas ABC no Caribe.

Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5.ª língua mais falada no mundo, a 3.ª mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta. O português também é conhecido como "a língua de Camões" (em homenagem a uma das mais conhecidas figuras literárias de Portugal, Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas).

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (sigla CPLP) consiste em nove países independentes que têm o português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

 A Guiné Equatorial fez um pedido formal de adesão plena à CPLP em junho de 2010, o que somente é concedido a países que têm o português como idioma oficial. Em 2011, o português foi incluído como sua terceira língua oficial (ao lado do espanhol e do francês) e, em julho de 2014, o país foi aceite como membro da CPLP.

Hoje, não podemos estranhar que crianças portuguesas usem termos do Português do Brasil, com a mesma facilidade com que usamos os termos do Inglês dos EUA que nos entra diariamente em casa, pelas várias plataformas. Sim podemos misturar, sabendo sim o que significam, o que querem dizer e qual a intenção do uso de cada palavra, para não cairmos em grosseirismos. 

Na escrita, a Língua tem de se adequar tal como na oralidade ao contexto, mais formal se assim tiver razão de ser, mais eloquente ou mais expressivo! 

Propositadamente, aqui escrevi as Línguas com maiúsculas, pois cada uma delas entendo como tão grande que não poderia nunca ser um termo comum, mas sim próprio de cada nação falante. 

Em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, um museu interativo sobre o idioma, foi fundado em São Paulo, Brasil, a cidade com o maior número de falantes do português em todo o mundo. 

No dia 21 de dezembro de 2015, infelizmente, as instalações do Museu foram atingidas por um incêndio de grandes proporções o que obrigou ao encerramento do espaço para o grande público. Entretanto, a instituição continuou a funcionar, promovendo ações educativas, exposições itinerantes e com vários recursos a que se podia aceder através nas Redes Sociais.

As obras para estabilização do edifício começaram apenas 48 horas após o incêndio. E, no dia 21 de janeiro de 2016, o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, assinou um acordo com a Fundação Roberto Marinho e a organização social ID Brasil visando à união de esforços para a reconstrução do museu.

O Dia Internacional da Língua Portuguesa é comemorado em 5 de maio.


Fontes:


https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/

https://www.diasporalusa.pt/instituicoes/museu-da-lingua-portuguesa/

https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_portuguesa

http://cvc.instituto-camoes.pt/literatura/LINGUA.HTM

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

"A Aia"

Escrito por Eça de Queirós, "A aia" é um texto narrativo que pode ser considerado um conto de fadas, tendo no entanto caraterísticas muito próprias da escrita Queirosiana onde está implícita a crítica social. Publicado em 1902, com outras doze narrativas, é atualmente uma das leituras obrigatórias para o 9º ano de escolaridade. É, pela minha experiência com alunos desta faixa etária, um conto que ultrapassa o nível de compreensão da maioria dos alunos nesta faixa. Não porque seja muito difícil, mas porque a  aioria dos jovens não lê ou lê pouco.


O conto começa com a morte de um rei, numa batalha em terras distantes e que, por via de sucessão direta, deixa o trono ao seu filho recém-nascido. No palácio, como era costume, uma aia amamenta e protege o príncipe, ao mesmo tempo que cuida do seu próprio filho. É assim normal, que os dois cresçam lado a lado, em zonas próximas do castelo. O tio da criança, irmão do rei falecido, chega com as suas tropas para matar o príncipe, ainda bebé. A coberto da noite e instalando o medo e a morte por onde passa, avança até ao palácio. Ali, havia ficado uma corte desprotegida, uma corte composta maioritariamente por mulheres, que vão assistindo à morte e à destruição que se vai aproximando.


No meio da barafunda, mas com uma determinação única, a aia troca os bebés de berço e em vez de raptarem o filho da rainha, os raptores acabam por levar o seu próprio bebé. Apesar do tio maldito ser morto, a verdade é que acabaria por ser morto também o bebé às mãos de quem pensava tratar-se do verdadeiro herdeiro.


A personagem principal deste conto é sem dúvida a Aia e a sua ação reativa que acaba por salvar o princípe. Contrariamente aos contos de fadas que acabaram por ser transformados e nos chegam com um final feliz (mesmo que na sua génese, esse final feliz não existisse), o conto de Eça chega-nos tal como no original com um final trágico em que a ama de leite se mata com um punhal, dentro da sala do tesouro real.


Neste conto, Eça dá a esta mulher, a esta Aia, a liberdade de escolher o destino do reino, mas com a consequência mais trágica para a sua vida. Uma escolha que teria sempre consequências negativas, com a perda do seu bem mais precioso, enquanto que à Rainha é dada a vitória de ter o reino salvo e o filho nos braços, sem ter qualquer poder de decisão sobre isso ou executar qualquer ação que a isso conduzisse. Eça retrata aqui uma sociedade que se submete ao poder, em que o povo sustenta, mas também dá a vida, pela classe mais alta, pelo rei e pela família real a quem obedecem como que a um poder divino.


Acima de todas as caraterísticas, é a lealdade da Aia que se destaca, enquanto a Rainha se mostra desprotegida e até fraca. A Aia apresenta uma solução, uma postura de guerreira. Da mesma forma que até ali tinha sido a Aia a cuidar do príncipe, é também sobre ela que cai a tarefa de proteger o futuro do reino, ou seja, é nas mãos do menos poderoso que recai a maior decisão. Quem já leu Eça, sabe que as suas histórias têm personagens ricas, elaboradas e que promovem no leitor diferentes sentimentos. 

sábado, 12 de fevereiro de 2022

"O mistério das lágrimas da Virgem"

"O mistério das lágrimas da virgem" é um romance cuja história decorre, no ano de 1480, século XIII, em Itália. As famílias Vespucci e Médici, são das mais importantes da Itália renascentista, de Florentina. A personagem principal desta narrativa é um aclamado advogado florentino, de nome Guid'António Vespucci, que regressa de Roma a desejar estar em casa, com a sua mulher e com o filho pequeno (que nem o conhece depois de tanto tempo fora de casa) mas que encontra uma cidade cheia de problemas, dos quais mesmo que quisesse, a sua família não se conseguiria afastar. Guid'Antonio, está a braços com um "milagre": num dos quadros da capela pertencente à sua família, há uma Virgem Maria que parece estar a chorar. Os mais crentes, receiam por um castigo divino e os menos crentes tentam descobrir que mistério se esconde naquela pintura.


Entretanto, outro problema assola a cidade. Saqueadores turcos terão raptado uma jovem e tê-la-ão vendido como escrava. 


Uma outra sombra - um crime de sangue - é o assassinato de Giuliano dentro da Catedral de Florença no dia de Páscoa, que vem minar também as relações sociais e as desconfianças entre estas duas famílias. 


É um romance histórico, que toca em aspetos muito interessantes da época renascentista, a pintura da Capela Sestina, os frescos de Botticelli, de Miguel Ângelo e da família Rossi e da Vinci, a devoção pelos santos e o poder da Igreja nas populações e, no seu oposto, a pobreza, as doenças, a fome e a pomiscuidade existente em todas as classes sociais.


Um livro em que nos encontramos com momentos históricos ou com os que os antecipou a cada parágrafo, basta estarmos muito atentos e, nisso Alana é maravilhosa. Uma escritora exímia que nos "oferece" este thriller emocionante e cheio de factos históricos fascinantes.

sábado, 15 de janeiro de 2022

"O segredo de Compostela"

Do escritor Alberto S. Santos, também advogado e conferencista, este é um romance histórico pleno de pormenores.


Ao realizarem escavações na Catedral de Compostela, surge a questão sobre quem ali está sepultado. A historia leva-nos então muitos séculos atrás, a Aseconia (Santiago de Compostela) do ano 349, ao nascimento de Caio Prisciliano. 


Prisciliano foi aprendiz e foi lider. Lutou contra os ideais religiosos da época e sofreu os horrores ditados pela sua luta pela igualdade das mulheres dentro da igreja e dos valores do Cristianismo. O que fazia era entendido de forma errónea pelos que o queriam fazer cair e desistir dos seus ideais, por se sentirem atacados com a sua diferença de pensamento. No século IV, a crença em Cristo andava pelos mesmos caminhos que os credos mais antigos de devoção a Ísis e outros deuses. As várias religiões coexistiram nesta época dando origem às atuais ramificações que conhecemos por todo o mundo, mas que tiveram aqui no berço mediterrênico e nas províncias de Gália e Hispânia parte da sua origem histórica.


Um livro que tem muitos factos históricos, denso mas ao mesmo tempo interessante, leva-nos a sítios e momentos passados que vamos reconhecendo de documentários e livros sobre a época, mas que conseguimos agora viver de outra forma, como se pudessemos estar lá também a observar as vidas, as conversas, os ritmos diários descritos de forma incrível.


As mudanças de local estão muito bem sinalizadas, com a identificação dos locais sendo feita com a toponímia antiga e a moderna, como por exemplo na passagem por Braga, referindo-se a Bracara Augusta. Assim, também conseguimos perceber as viagens feitas por Prisciliano, à luz da vida na época e das dificuldades que seria atravessar de uma cidade para outra.


A luta deste e dos seus seguidores em manter os ideais que defendiam, também foi muito bem descrita, levando-nos a querer muitas vezes parar de ler pelas emoções que a história nos trás, mas sem o conseguirmos fazer, porque sabemos que o desfecho estará logo ali, na próxima página. 


Pela negativa, acho que é pouco certo que seja Prisciliano que ficou no túmulo, pois todo o final é um pouco confuso de perceber, levando-nos a ficar na curiosidade se seria ou não essa a grande descoberta que fizeram nas escavações. O que percebemos, é que o túmulo havia sido vandalizado, mexido, mas ficamos sem compreender o que de facto aconteceu.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Lista 2022

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Olá leitores!


Eu não sou muito de fazer planos de leitura. Começando pelo primeiro, já comecei a ler "O mistério das lágrimas da Virgem" nos últimos dias de 2021 e estou prestes a terminar. Os outros livros estão em espera. Eu pessoalmente gosto de ter tempo, para ler, reler, desfolhar, anotar... mas alguns lêem-se num trago, outros são os que precisam de uma leitura demorada.


Alguns oferecidos, outros comprados. Quantos destes já leram? Não, não me contem a história! É só para saber se temos algo em comum em gostos de leitura.


Não adoram quando começam uma nova história?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Novo ano

Bom ano. 


Tanto o desejo que seja mesmo, que esse ano tem de ser melhor, tem de ser mais! Não tem como não ser melhor.


Estou pensando agora nas leituras que tenho em espera, ansiosa por começar cada um dos livros. A terminar de ler um grande livro, excelente, que vou em breve aqui contar para vocês. Ansiosa de terminar!


 


 

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Será real.. poesia

Será real, o arco-íris que eu vejo lá no céu?


Mas, se não lhe posso tocar!


E ele não pode ser meu...


Serão reais as estrelas, que à voite vejo brilhar?


Podem ser, bem as vejo,


Mas não lhes posso chegar!


Serão reais as nuvens, que o sol estão a tapar?


São pois! Porque me molho, 


Quando elas começam a chorar!


Será real, o amor, que sinto no meu coração?


Como o posso eu explicar!


Se tu, nem me dás a tua mão?


Elsa Filipe

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...