terça-feira, 3 de maio de 2022

Escrita...

Ontem era um semáforo,


que as impedia de passar, 


luz vermelha que dali a nada


em verde se ia virar.


Ms hoje, o vermelho é sangue,


o verde já não brilha mais,


está tudo negro, caído,


e são tanques que as param nas ruas,


pedras, barreiras infernais.


 


Ontem, era a campainha da escola


que as fazia correr.


Hoje, a sirene que toca,


alerta-as para as bombas que caem,


mísseis que não poupam ninguém,


e que as obriga a esconder


se hoje não querem morrer.


 


Ontem, os pais chamavam


para a mesa, para jantar!


Hoje, os pais choram e gritam,


enquanto as balas silvam, 


as bombas caem e todos têm de correr


se a vida querem salvar.


 


Ontem era a escola,


uma boneca, um carrinho!


Uma canção infantil, 


um hino, uma melodia!


Hoje, da vida que sobra,


amanhá pode não haver sinais


nem menino, nem menina,


nem ninguém que conte a história


desta guerra nos jornais.


Elsa Filipe

domingo, 24 de abril de 2022

Os vampiros

Podia colocar aqui muitas divagações, mas deixo isso para outras pessoas e outros locais. Coloco apenas uma das letras que mais esconde para os que não têm a capacidade de ver e de identificar quem são.


Os vampiros:


No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada [bis]

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos

Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo

Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada


No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

sábado, 23 de abril de 2022

Dia Mundial do livro

Hoje num dos meus passeios descubro um frigorífico com livros. Sim, um frigorífico, junto a uma paragem de autocarros, cheinho de livros, prontos a quem quiser ler ali mesmo na paragem ou levar e depois devolver quando tiver terminado a leitura.


Pode ser uma imagem de livro


Tirei foto e, depois de publicar, apercebi-me que é Dia do livro. Faltava-me então dizer que já não há desculpas para não ler, mesmo sem se poder comprar livros, há sempre as bibliotecas e os frigoríficos com livros fresquinhos. Melhor, só se estivesse ao lado uma máquina de café e chocolate quente. As melhores tardes, são essas, de preguiça, com um bom livro e uma caneca com uma bebida quente.


quarta-feira, 20 de abril de 2022

"Bala Santa"

Um thrillher emocionante de Luís Miguel Rocha, também autor de "A filha do Papa". Com uma fabulosa e envolvente narrativa, leva-nos a locais secretos, onde passamos pelos meandros das mais importantes organizações mundiais. Religião e política, uma nunca sem a outra, nenhuma delas sem o poder de querer fazer girar o mundo a seu bel prazer. Uma batalha de grandes titãs, de governos inteiros e de personalidades individuais. 


Um livro que além de explorar a questão da tentativa de assassinato de um Papa, nos leva muito mais longe. Emocionante e poderoso, assustadoramente atual e real. O que se conta passou-se mesmo, assim tal como está contado? Eu acredito que deve ter andado muito perto, apesar de toda a fição envolvida, há muita verdade escondida pelas entrelinhas. Os capítulos não eram demasiado extensos, embora se trate de um livro bem volumoso, o que ajuda e facilita a leitura. A construção do livro está magnífica.


Adorei o tom da escrita, as sequências dos acontecimentos, os esclarecimentos do autor que nos ajudavam a sentir dentro da história. Com personagens muito bem caraterizadas, com papéis bem definidos e interessantes, com cuidado na narrativa histórica que faz dos acontecimentos. 


 

quarta-feira, 30 de março de 2022

"O tesouro"

Voltando aos contos. 


"O tesouro" é um original de Eça de Queirós, que conta a história de três irmãos de Medranhos, chamados Rui, Guanes e Rostabalque, que encontram um tesouro. O "três" está muito presente na história e tem um grande simbolismo. São três irmãos, três chaves... e claro, neste conto está subjacente uma lição: é que no fim, vence o egoísmo e nenhum dos três consegue ficar com o tesouro. 


Este conto é um dos vários que encontramos no livro "Contos" de 1902. Eça notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem mas também pelo o realismo descritivo e pela crítica social constantes nas suas obras.


José Maria de Eça de Queiroz nasceu no dia 25 de novembro de 1845, numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, no então número 1 ao 3 do Largo de São Sebastião (hoje Largo Eça de Queiroz), no centro da cidade, em casa de um parente de sua mãe, Francisco Augusto Pereira Soromenho, funcionário aduaneiro da Póvoa de Varzim. O pai de Eça de Queiroz, magistrado e par do reino, convivia regularmente com Camilo Castelo Branco, quando este vinha à Póvoa para se divertir no Largo do Café Chinês. Em Coimbra, Eça foi amigo de Antero de Quental. Os seus primeiros trabalhos, publicados na revista "Gazeta de Portugal", foram depois coligidos em livro, publicado postumamente com o título Prosas Bárbaras.


 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Dia da Poesia

No dia 21 de março celebra-se o Dia Mundial da Poesia, data criada aquando da realização da 30ª Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1999.


SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


(excerto, Florbela Espanca)


O Dia Mundial da Poesia comemora a "diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação". Nesta data, celebra-se a importância da reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades de cada pessoa. Isso porque a poesia contribui para a diversidade criativa, inferindo na nossa perceção e compreensão do mundo.   


A história portuguesa apresenta muitos poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos.  


A sílaba

Toda a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa, é certo: uma vogal,
uma consoante, quase nada.
Mas faz-me falta. Só eu sei
a falta que ma faz.
Por isso a procurava com obstinação.
Só ela me podia defender
do frio de janeiro, da estiagem
do verão. Uma sílaba,
Uma única sílaba.
A salvação.


(Eugénio de Andrade)


Fontes:


https://culturaportugal.gov.pt/pt/saber/2022/03/dia-mundial-da-poesia-2022/


https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-poesia/


https://www.turismodeportugal.pt/pt/Agenda/Paginas/dia-mundial-poesia.aspx


http://antoniocicero.blogspot.com/2014/03/eugenio-de-andrade-silaba.html


 


 


 

domingo, 13 de março de 2022

Sobre a palavra Saudade, da "Saudade, saudade" de Maro

 A canção "Saudade, saudade", interpretada por Maro, levou do público e do júri a pontuação máxima, conseguindo assim a passagem para o Festival Eurovisão que se irá realizar na cidade italiana de Turim, em maio. Em 2º lugar ficaram, empatados com os mesmos pontos, Os Quatro e Meia, FF e Diana Castro.

O tema é cantado em português e inglês e foi co-escrito por John Blanda, e fala de um termo muito português. Na minha modesta opinião, a canção é bonita mas eu tenho outra preferida. De qualquer forma, foi uma justa vencedora e esperemos que alcance um bom lugar na Europa.

Saudade é um sentimento causado pela distância ou ausência de algo ou alguém. palavra faz parte do vocabulário dos portugueses e, também, do povo brasileiro. Existe a ideia de que a palavra vem do árabe “saudah”. Alguns especialistas indicam que palavras como saud, saudá e suaida significam «sangue pisado» e «preto dentro do coração». A metáfora perfeita para alguém que carrega no seu coração uma profunda tristeza, tristeza esta que pode ser causada pela saudade.

Os árabes utilizam o termo as-saudá quando se querem referir a uma doença do fígado, diagnosticada por estes como «melancolia do paciente».

Outros entendem que a sua origem está no latim “sólitas”, que significa solidão, embora saudade e solidão não sejam sinónimos. Saudade descreve um sentimento muito mais profundo e que se torna difícil de explicar, uma vez que não tem tradução literal em outras línguas.

De acordo com a perspetiva de Carolina Michaelis ou de José Pedro Machado, a palavra saudade vem do latim "solitate", que significa «isolamento, solidão».

Em certos idiomas, o significado de solitate foi mantido, como é o caso do castelhano (soledad), do italiano (solitudine) ou do francês (solitude)3. Em português e no galego (soidade) alterou-se com o tempo. Assim sendo, quando alguém dizia «tenho saudades de casa» significava que sentia “solidão” por não estar em casa.

Saudade é uma das palavras mais utilizadas nas poesias de amor, nas músicas românticas da língua portuguesa. 

Saudade representa um conjunto de sentimentos, normalmente causados pela distância ou ausência de algo ou alguém. Esta ausência pode ser física ou não, isto é, pode sentir-se saudade quando alguma relação de amizade, por exemplo, termina. Esta palavra expressa, então, um sentimento que envolve afetividade.

A real simbologia, condiz com um conjunto de sentimentos, normalmente causados pela distância ou ausência de algo ou alguém. É a falta que determinado momento, pessoa, lugar ou situação causa nas pessoas. 

De qualquer modo, os portugueses conectaram outros significados à “saudade”. Dizem até que passou a fazer parte do dicionário dos portugueses no tempo dos Descobrimentos Marítimos, descrevendo uma certa melancolia por se sentirem tão sós e distantes dos seus.


Fontes:

https://www.nacionalidadeportuguesa.com.br/tradicoes-portuguesas/#A_palavra_Saudade

https://www.fantastictv.pt/2022/03/saudade-saudade-vence-o-festival-da.html

https://www.significados.com.br/saudade/

https://www.nationalgeographic.com/ (em 30 de dezembro de 2019) in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/algumas-curiosidades-da-palavra-saudade/4003#

 

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...