sábado, 12 de agosto de 2023

"Os venenos da coroa"

Do escritor Maurice Druon, este é o terceiro livro da saga "Os reis malditos", que estou a ler. A saga é composta por sete volumes e teve a sua primeira edição em 1956. 


O romance conta sobre a época dos últimos cinco reis da Dinastia Capetiana e os dois primeiros da Casa de Valois, de Filipe IV, o Belo a João II, o Bom. A história tem como tramas principais os esforços de Roberto III de Artois em recuperar o condado de Artois, da sua tia Matilde de Artésia.


Neste volume, o autor conta-nos sobre o casamento de Clemência da Hungria com o rei Luís X, de cognome "O Teimoso" no verão de 1315, após este se ter conseguido livrar da primeira mulher, Margarida de Borgonha. O legado de três décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias. A corte vive um período conturbado e o poder escapa-lhe por entre os dedos.


Enquanto o seu povo morre de fome, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres. Um livro sobre a Idade Média que cativa desde a primeira página e com explicações históricas que nos vão ajudando a seguir a cronologia dos acontecimentos e a entender as expressões utilizadas.


Para quem gosta de história, como é o meu caso, esta coleção leva-nos até à corte. O final de cada livro, conteém várias notas que nos ajudam a compreender as relações entre as famílias nobres e burgesas que despontavam nessa época e ainda os motivos políticos dos casamentos impostos entre os membros das famílias reais de diferentes reinos europeus. 


Estou a adorar esta coleção e preciso agora de comprar os próximos quatro livros.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Poesia que nos faz pensar...

Nem todas as crianças, têm direito a brincar. Este poema que escrevi poderia contar a história de um menino nascido nos anos quarenta ou cinquenta... mas  pode ser tão atual ainda, não pode?



Trabalho infantil



De saco na mão

Um pero e um pão

Lá vai o menino.

 

Atravessa campos

Sonhando acordado

Salteia riachos e chega ao destino.


Nos pés gelados

Feridos e marcados

Pela dor do frio,


Calça as botas,

Põe a bata e segue,

Trabalha com brio.


Come o pão e o pero,

No final da jorna

Aquece as mãos,


Trabalha até tarde

Para levar para casa

Sopa para os irmãos.

 

Dez anos apenas

Estudar ou brincar

Não sabe o que é,


Quanto mais escrever

Sabe lá ele ler

Mas sabe contar


As horas que faltam

Para ir para casa

Enfim descansar.


Elsa Filipe, 2023

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

"A Rainha Estrangulada"

Continuo a ler a saga de Maurice Druon. Este é o segundo livro que começa em novembro de 1314, com a morte do rei Filipe, o Belo. Dois grupos preparam-se para se enfrentar pela posse do poder: de um lado, o clã do baronato, conduzido por Carlos de Valois, irmão do rei e, do lado oposto, o partido da alta administração, dirigido por Enguerrand de Marigny.


Margarida e Branca estão prisioneiras na fortaleza de Chatêau-Gaillard, enquanto Joana, condessa de Borgonha, é levada para o torreão de Dourdan. Apesar da notícia da morte do sogro, para Margarida não será assim tão fácil obter a liberdade: é que Luis X, seu marido e novo monarca, não pensa em recuperá-la como rainha consorte. O rei Luís, denominado o Teimoso, tenta a todo o custo a anulação do seu casamento com Margarida, para que se possa voltar a casar. A escolhida é Clemência, princesa da Hungria. 


Nesta sequela percebe-se a relação entre as casas reais europeias e a forma como os casamentos eram arranjados de forma a que cada um dos reinos visse aumentadas as suas fronteiras. A pobreza é visível na população, a morte ensombra todas as casas, enquanto o rei apenas pensa na forma de conseguir os seus intentos: arranjar um sucessor para o trono. 


Ainda no primeiro livro, conhecemos outras personagens que vão agora ter um papel mais ativo, como Tolomei e Guccio.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Poesia, sobre o mar

Este poema é dedicado a quem vive do mar. Quem me conhece sabde que hoje faria anos uma pessoa muito especial para mim e que sempre viveu do mar. Um dia, ainda hei-de saber quem foi realmente este homem que tantos segredos escondia.


 



Mar


 


Se porventura havia a sorte


De o vento ir de feição


Ia o barco para o mar.


Transpunha as ondas e o forte


Chamava por eles então


Punham-se a navegar.


 


A areia branca ficava


Atrás deles saudosa


A vê-los dali partir


Se a maré se punha brava


Ficava a mulher chorosa


Não os quer deixar partir.


 


Da faina que traz o pão


Para alimentar este povo


Que espera o barco no cais


Traz também a solidão


Da mulher do homem novo


Que perdeu o seu arrais.


 


Lágrimas em silêncio escoam


E são tantas as mulheres


Na areia a gritar


Que não ouvem como ecoam


Os gritos e gargalhadas


Das crianças a brincar.


 


E volta o barco imponente


Traz na volta da labuta


A doca no seu olhar


São os homens fortes da gente


Que sobre qualquer disputa


Vivem apenas do mar.



Elsa Filipe, agosto de 2023

domingo, 23 de julho de 2023

Poesia, um mundo tão grande e tão pequenino

O mundo é pequenino, mas há tanto, mas tanto que ainda não conhecemos! Espero que este poema que eu fiz vos anime um pouco esta tarde!


 



O mundo é uma ervilha


 


Ouvi, ontem, o pai dizer


“O mundo é uma ervilha”


Eu acho que não pode ser


É pequena demais


Não dá logo para ver?


 


Ele encontrou um amigo


Que não via há muito tempo,


“Há séculos que não falamos”


Mas afinal que idade tem?


Ou em que século estamos?


 


Mas voltando à ervilha


Olho a sopa do jantar.


E decido que não como


Não vá nas minhas ervilhas


Algum menino morar!


 


Se eu moro aqui no mundo


Na Terra, que é um planeta


Ou mora mais gente em ervilhas


Ou esta conversa do pai


Afinal era só treta!


 


E se é uma ervilha o mundo


Não poderemos daqui a nada


Ser comidos por um gigante


A acompanhar o almoço


De batata e carne assada?


 


Não gosto nada da ideia!


Decido que não vou comer,


Nem ervilhas, nem coisas redondas


Que possam ser planetas


E neles pessoas viver!


 


Ainda por cima,


A mãe não descobriu


Não sei bem se eu lhe diga,


Que o pai e o seu amigo,


Já têm séculos de vida!



Elsa Filipe, 2023

sábado, 15 de julho de 2023

"O rei de Ferro"

"O Rei de Ferro" é o primeiro tomo da série "Os reis malditos", escrita por Maurice Druon. É uma narrativa com base em factos históricos e que conta a sequela da família real francesa em pleno século XIV.


O rei Filipe IV, o Belo é considerado um homem frio, cruel e silencioso, que governa o reino sem hesitações. A rainha Joana, sua mulher, havia morrido em 1305. O rei, empenha-se a perseguir os Templários, grupo rico e poderoso e é após um processo com cerca de 15 mil acusados e sete anos de duração, que sentencia à morte os últimos Templários entre eles o Grão-mestre Jacques de Molay. Antes de sucumbir, a uma morte trágica na fogueira, Molay grita à plateia a maldição que vai destruir da casa real. O primeiro a morrer é o Papa Clemente, deixando a igreja sem liderança. Seguem-se outras mortes que começam a ser atribuídas à maldição de Molay.


Entretanto, as noras do rei Filipe o Belo, encontram nos prazeres carnais a fuga ao casamento. Isabel, cunhada de Margarida e de sua prima Branca e filha legítima do rei, consegue engendrar um plano para as apanhar em falso e consegue denunciá-las e descobrir os seus amantes. Margarida e Branca são acusadas de adultério e condenadas a ficar presas e eles são condenados a diversos suplícios e à morte. Joana, mulher do conde de Poitiers e irmã de Branca, é também condenada. 


O rei morre nesse mesmo ano, após uma caçada, deixando o reino em grande desordem. O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa Margarida, presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão. Enquanto a cristandade espera a nomeação de um novo papa depois da morte de Clemente, e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue. 


Druon tem a capacidade de descrever de forma clara as relações entre as personagens, com descrições claras e não excessivas dos locais onde as ações vão decorrendo. Neste caso o livro possui os dois primeiros tomos e por isso começo agora a leitura do segundo livro "A rainha Estrangulada".

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Poesia ... bem no fundo...

Um poema um pouco triste, mas que é também uma homenagem. Vão entender e, espero que gostem.


 



Fundo


 


Permite-me, menino,


Posso entrar no seu olhar?


 


Posso ver, menino


O que é que estás a pensar?


 


É um olhar tão fundo,


Este que deitas ao mar,


Que tenho medo que das pedras


Tu mates o teu pesar.


 


O que tens tu, menino?


Que não te faz deixar


Correr pela praia descalço


A meninice do teu olhar?


 


Que te fizeram, criança!?


Grita! Diz do que te culpam,


Pois vejo dentro de ti


As emoções que lutam!


 


No fundo do teu olhar,


Brilha a doçura da infância


Presa com as correntes da guerra,


Da maldade e da ganância!


 


Não te deram uma arma,


Mas mataste os teus brinquedos,


Quando não sabias como


Batalhar com os teus medos.


 


Não te deram uma bomba,


Mas puseram-te nas mãos,


A bandeira em que embrulhaste,


Os corpos de teus irmãos.



Elsa Filipe, 2023

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...