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Poesia... quando lá fora há guerra

A guerra continua e a paz está tão longe, inalcançável. O que fazer? Talvez um pequeno poema possa não ser importante, mas cada um faz o que está ao seu alcance. Este dedico às vítimas desta guerra que teima em não acabar. Ucrânia.   Não quero Ouvir nem ver Não quero Saber Sofrer Chorar. Não quero mais saber que morreste, Que não vais mais voltar. Nem ter Nem ser Nem estar Não quero estar aqui.   Aqui o meu coração sofre, Porque não te tenho mais a ti.   Se a tua vida escolheste Não me deixaste entender O que a guerra me levaria Sem eu poder escolher. Ouvir este som constante Que atira paredes ao chão. Não morro Mas já morri Nasci Cresci e amei E neste fim de mundo Onde tanto padeci Em sangue deixo o coração. Não fica nada de pé Nem a janela cá fica, Nem no altar do Senhor, Que devia ser de amor Se segura a nossa Fé. A cidade fica despida A morte encharca a terra. É impossível ter fé Quando caem ao nosso pé, Os corpos trilhados da guerra. Elsa Filipe, fevereiro de 2023

Poesia, da imaginação

Se eu pudesse, estes dias seriam tão diferentes. Desabafo aqui a minha dor que me tolhe a alma e que me impede de ir mais além. Querer, é tão diferente de poder, de conseguir. Mas não desisto...   Imaginária   Imaginando que era Apenas um preguiçar Um pretender E não querer Uma vontade de espreguiçar…   A dor que vem sorrateira Não me devia impedir De dançar a noite inteira De trepar a uma figueira E para a vida sorrir.   Imaginando que seria Apenas dor d’imaginação Nunca me impediria De saltar com alegria Num desfile trapalhão.   A dor que vem de mansinho Se fosse mentira só Esquecida seria certinho Se me pusesse a caminho Para dançar sem dó.   Imaginando que era de mim A minha cabeça louca Que ficava apenas assim Sem querer nem não nem sim Então a dor seria pouca?   É na loucura que eu quero Dia e noite perceber Se amanhã o que eu espero É enfim meu desespero Ou igual a hoje ser? Elsa Filipe, fevereiro de 2023

50 anos do Acordo Ortográfico de 1973... um pouco da história da nossa ortografia

Quando nos nossos dias reclamamos do novo acordo ortográfico - eu por vezes também me incluo nesse grupo, embora tente seguir a mudança e atualizar a minha ortografia sempre que consigo - não nos lembramos já de um outro acordo que veio alterar a maneira do português escrever. Aconteceu precisamente há 50 anos! Nessa  R eforma Ortográfica de 1973  a forma como se acentuavam as palavras mudou. É por essa razão que, quando lemos documentos mais antigos, vemos muito mais acentos graves e circunflexos do que aqueles que temos nos nossos dias! Esta mudança na ortografia em Portugal, foi "promulgada pelo decreto-lei 32/1973, de 6 de fevereiro, pelo então presidente  Américo Thomaz, na sequência de uma sugestão da Secção de Ciências Filológicas da Academia das Ciências de Lisboa ." De acordo com esta reforma que, apesar de tudo não foi a primeira, foi abolido "o  acento grave  e o  acento circunflexo  em palavras formadas pelo  sufixo   -mente  e pelos sufixos iniciados por  z ...

"Um pouco mais de fé"

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Patrícia Costa Dias conta a sua luta contra a bulimia na primeira pessoa. Mais do que uma luta contra uma doença, é a descrição da sua passagem da infância para a adolescência e do seu crescimento até se tornar numa mulher adulta. A forma como coloca em palavras os seus medos, a sua ansiedade, contrastam com a menina frágil que se começa a deixar levar pelos episódios sucessivos de vómitos e por uma luta diária contra a comida. Para ela, a fé não é o ponto essencial no início, mas na procura por si mesma e por formas de se autoajudar, quando todos os outros parecem nem reparar na sua dor, encontra na meditação e na escrita o caminho para se reencontrar.  É neste reencontro com a sua própria infância que, num país distante, encontra o amor e constitui a sua própria família. Mas para que descubra este seu lado, precisa de ultrapassar um caminho muito longo e difícil, onde o seu pior inimigo é aquilo que a mantém viva - a comida -  e o próprio reconhecimento da forma como ultrapa...

"A casa do destino"

Este posso dizer que é um dos melhores livros que já li. Há uns meses voltei a casa da minha avó para ir buscar alguns livros que ela me queria dar e ele voltou às minhas mãos.  Apesar de já o ter lido em 2013, voltei àquela história de amor, embrenhando-me nas palavras escritas por Lea Velés e por Susana Prieto. Quando voltamos a ler um romance, a nossa vida pode influenciar a maneira como nos sentimos como o lemos? Sim. Eu acredito que sim. Desta vez, sinto que li com uma maturidade diferente, que me emocionei com alguns relatos e que me senti na pele das personagens de forma diferente.  Se eu pudesse escolher a história de amor mais bela que li até hoje, seria esta. A história de Rocío, enamorada pelo homem da sua imaginação.  "A casa do destino" é um romance de Susana Prieto e Lea Veléz, que nos arrebata pela sua emocionante história de amor que parece impossível, mas que se vai desvendando real a cada página. Uma história feita de lendas, mistérios e segredos encerrados ...

Escrita para crianças e jovens

Nas escolas, as nossas crianças exploram textos de autores portugueses, alguns deles grandes nomes da literatura, outros apenas escritores que têm o dom de as palavras que escrevem serem cativantes e levaram os meninos em fantásticas viagens pelo mundo da fantasia. Nem sempre as crianças gostam de ler, é uma verdade. E qual o motivo? O contato com os livros, mexer, desfolhar, perguntar, falar sobre e inventar, voltar a escrever o final, desenhar a personagem como a imaginamos, tanto, tanto, tanto que um pequeno conto, uma breve história, permite fazer em sala. Os livros têm sido um recurso parcamente explorado nas salas de aula. Um livro tem tantas funções que são deixadas ao acaso, com relação com as competências que os alunos têm de adquirir. A literacia é uma das grandes competências da infância. Saber ler e saber escrever é aquela base pela qual todos passamos um dia e que nos vai acompanhar para sempre. Ninguém desaprende de ler, mas como um músculo que se treina, o músculo da lei...

"Já te disse que te amo?"

Este é o primeiro livro da Trilogia escrita por Estelle Maskame, que nos fala sobre E den, que com apenas dezasseis anos, viaja para ir passar o verão na Califórnia com a nova família do pai. A vida em casa, não era das mais fáceis, mas ali ela entra numa rotina alucinante de festas, bebidas e drogas, com as quais nunca tinha convivido.  Tyler Bruce, é filho da sua madrasta e ao início ela não o suporta. A sua postura desafiadora e a violência, contrastam com um rapaz também sedutor...  Eden não o suporta. Mas com o passar do tempo, acaba por descobrir nele uma grande fragilidade, consequência de algo que se terá passado na sua infância.  Uma história que nos leva da leveza da juventude e do sol da Califórnia, à amargura e dureza de vidas tão difíceis e dolorosas, que se escondem na mentira, nos vícios e no próprio desejo de acabar com a vida. O risco faz parte da sua vida, como se não fizesse diferença o segundo seguinte. A minha irmã ofereceu-me este livro (e ela é daquelas pessoas q...