Mensagens

Os concursos em papel...

Estamos em pleno ano de 2026 e ainda encontramos publicitados diversos prémios literários que nos obrigam a enviar as obras impressas em folhas A4 e dentro de envelopes. Bem, se alguém quer entregar uma obra manuscrita, esta também não é aceite, mas para quem escreve no computador tem depois de gastar na impressão de três ou quatro exemplares da sua obra. Fica um pouco tosco na minha modesta opinião. A esses, mesmo que eu quisesse concorrer, muitas vezes, abstenho-me de o fazer. Não sei se vou conseguir imprimir tudo a tempo, se tenho disponível o valor para a impressão do número de exemplares pretendido e, ainda o que me faz ter mais receio, não sei se haverá alguma intempérie, catástrofe ou greve que impeça a minha obra de chegar a tempo ao seu destino para ser lida. Dir-me-ão os mais esclarecidos que posso registar o envio. Sim, claro que o posso fazer e, sim terei sempre comigo um original que posso reenviar. Mas terei mais despesas, terei de o voltar a imprimir, não uma, mas três...

"Isabel de Aragão - Entre o céu e o inferno"

Imagem
Acabei de ler mais um dos romances da coleção Rainhas de Portugal de Isabel Stilwell. Este, como outros romances da autora, tem uma excelente qualidade na escrita e na pesquisa que depois conduz por um romance dividido em quatro partes. Este romance leva-nos não só pela história de vida de Isabel, mas também pelas guerras que assolavam a Península, muitas vezes, opondo irmãos contra irmãos, pais contra filhos e primos contra primos. Na primeira parte, somos levados pela infância de Isabel, nascida (provavelmente) a 11 de fevereiro de 1270. A menina vive com o avô, Jaime I, "O Conquistador", um rei austero e castigador, mas que se mostra doce e paciente para com a neta, a que a chama "a melhor Rosa de Aragão." Conta-lhe histórias - principalmente as suas aventuras e conquistas - respondendo às questões da neta, que desde logo se mostra muito curiosa. Filha de Constança (de Holenstaufen) e de Pedro III (de Aragão e Sicília), Isabel nasce ainda dentro do saco amniótic...

"Diário de Renia"

Imagem
Como última entrada de 2025, fica este "Diário de Renia." Comprei-o na feira do livro de Lisboa e foi-me acompanhando enquanto ia lendo outras coisas. Renia  é uma adolescente que vive na Polónia e tem sonhos, amores, desilusões como qualquer outra jovem da sua idade. Mas estamos em 1939 e Renia é uma jovem judia. Renia vê o seu sonho de vir a ser poeta, cair por terra quando a Polónia é invadida pela Rússia e pela Alemanha. Começa a II Guerra Mundial. A separação da mãe, que se encontra do lado alemão (enquanto ela fica do lado soviético) é o que mais a faz sofrer. Enquanto vai à escola, a sua vida parece normal, surgem os primeiros amores, as festas, o despertar da sexualidade, as primeiras festas, as discussões com a irmã, os seus desejos e a procupação constante com a mãe.  Logo no início, Renia explica o motivo que a leva a escrever, a sua vontade de ter " ...um amigo.  Alguém com quem possa falar sobre as minhas preocupações e alegrias diárias. Alguém que irá s...

"Isabel de Borgonha - Ínclita geração"

Imagem
Neste livro, Isabel Stilwell apresenta-nos a filha de Filipa de Lencastre, Isabel.  Isabel deixa Portugal para se casar com Filipe II, duque de Borgonha, deixando para trás os cinco irmãos e o pai, D. João I. Isabel era considerada a "Estrela do Norte" e, mesmo sem saber, tinha nascido para liderar um povo, ser um exemplo a seguir, uma mulher determinada a vencer, a ser guerreira e a dar colo aos seus. Filipe de Borgonha tinha enviuvado pela segunda vez e vê no casamento com Isabel, já com 32 anos, uma forma de reatar as relações com Portugal. Apesar de estar na Borgonha, Isabel nunca deixou de se preocupar com o que se passava em Portugal com o pai e com os irmãos.  Sem dúvida nenhuma, este é um daqueles livros que se distingue pela forma como está tão bem escrito e pela capacidade que Isabel Stilwell tem de nos prender, numa viagem ao passado, e que está entre o romance e a descrição histórica, sem se tornar maçador. Uma das coisas que este livro me fez pensar foi que pou...

Mensageiro da Poesia

Com um singelo poema, composto apenas por duas quadras, participei num desafio que a Associação Mensageiro da Poesia colocou. A decisão de participar foi simples e sem grandes pretensões. Era a oportunidade de dar a conhecer um pouco da minha escrita, de conhecer pessoas que, como eu, gostam de passar as suas ideias para o papel.  A poesia tem sido algo que me acompanha desde que me lembro de aprender a escrever. Quanto do que já escrevi se perdeu... entre folhas e rascunhos que acabaram no lixo. Além da leitura do poema com que concorri, pude também ler outros dois: Mulher que és portuguesa e Criança-soldado. E a verdade é que a minha participação, valeu-me um 1º lugar. De entre os vários participantes, houve excelentes trabalhos (pelo menos, naqueles que nos foram dados a conhecer). Esta Associação que fica mesmo aqui na Amora, no coração do nosso concelho, precisa de crescer! Precisa de gente, pois o trabalho que faz na divulgação da poesia (e acrescento eu, da cultura e da Líng...

"Livro"

Imagem
"Livro" é o nome do romance de José Luís Peixoto que acabei agora de ler e cujo cenário se divide entre uma aldeia do interior de Portugal e uma localidasde francesa. A dicotomia entre estes dois locais está bem patente, remetendo-nos para um Portugal pobre e inculto. Nesta aldeia, tudo se sabe. Há amores e traições, há nascimentos e morte, fazem-se abortos às escondidas e reza-se. Neste romance, a pobreza vem explícita tanto na forma de vida, como nos costumes de uma nação que se vê a braços com uma ditadura. Nele, as pessoas descritas poderiam ser reais, nossos pais ou avós. As conversas tidas entre as personagens são simples e cruéis, são reais e cruas, sem filtros. José Luís Peixoto não escreve para ser bonito. Escreve e relata como mais ninguém faz, desde a descrição da matança do porco, ao episódio da masturbação coletiva numa arrecadação, ou na morte do gato. Quando lerem, entenderão. A linha orientadora deste romance é um Livro que é entregue a um menino, em 1948. U...

"Catarina de Bragança - A coragem de uma Infanta portuguesa que se tornou Rainha de Inglaterra"

Imagem
O livro de Isabel Stilwell, da coleção "Rainhas de Portugal" conta-nos a vida de Catarina, uma jovem que aos 2 3 anos, deixa para trás o sol e o cheiro a laranjas do Alentejo e a vastidão do rio Tejo, quase um mar, para se casar com Charles de Inglaterra.  Filha de  D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, Catarina, que tinha sido educada na religião Católica, vê-se desde logo sujeita à provação de casar e ser Rainha num país maioritariamente protestante. Na corte, são as suas aias que a apoiam, em especial duas delas que se tornam suas amigas e confidentes. Catarina foi uma lutadora, apesar do sofrimento de se encontrar num país em que poucos falavam a sua língua e onde os costumes eram bem diferentes. Conseguiu arranjar aliados e ter a presença de espírito de evitar conflitos, na maioria das vezes, não tanto para se proteger a si, mas para proteger Charles. Assistiu ao nascimento de vários filhos bastardos de um rei a quem nunca conseguiu dar um herdeiro, embora tivesse consegu...