sábado, 21 de março de 2026

Hoje celebra-se a Poesia

Além de se comemorar a entrada da primavera, essa estação das flores, dos dias mais azuis e mais quentes, também se assinala hoje uma data muito especial: o Dia Mundial da Poesia.

Eu gosto de escrever e, confesso, sou mais apreciadora de escrever em prosa do que em verso, mas de vez em quando lá me desafio (ou me desafiam) a escrever alguns versos. E quando me dedico, a minha cabeça enrodilha-se nas linhas e entrelinhas que compõe os versos.

Não me considero nada boa nisso e fico sempre a achar que falta algo, que não está totalmente bem, ou que podia ter encontrado uma palavra diferente para transmitir aquilo que queria. É culpa da minha exigência...

No fundo, a minha grande questão é: 

Para que nos serve a poesia ou como é que nós servimos a poesia? 

É que a poesia em si é um exercício que me desafia na arte da escrita, mas confesso que não gosto propriamente de ler poesia. Bem, a verdade é que depende. É que para mim a poesia é para ser lida quando precisamos... e há dias em que nos toca com uma tal intensidade que nos muda a nossa própria disposição. Não partilho tudo o que escrevo. Quase todos os dias escrevo e muito do que escrevo são poemas, só que depois quando os volto a ler, acabo por não gostar e deito-os fora. Quando os partilho, eles deixam de ser apenas meus e assim, já não os posso mudar - poder posso, mas decido mão o fazer - e isso mete medo. O definitivo. Há uma insatisfação qualquer em mim que não me deixa terminar nada sem ter medo de que esteja mal feito.

A poesia traz-me sentimentos diferentes conforme os dias. Cada vez mais, quando escrevo e, principalmente quando escrevo poesia, sinto que tem de haver uma intenção. Mas ler poesia é diferente. Nem sempre me faz sentir aquilo de que eu ia à procura. Pode fazer-me ficar mais feliz, me animar se estou triste, mas também pode ter o poder de me consolar, de me permitir chorar, de me rever em versos que me acolhem e me acalentam como um abraço forte.

Como exercício de escrita, a poesia é muito versátil. Ela pode dar-nos liberdade, mas, se quisermos seguir uma métrica regular e determinado esquema rimático, ela pode ser muito exigente. 

E no ensino, é difícil. Como é que eu transmito às crianças e jovens a importância da poesia, como é que eu lhes crio interesse, como é que eu os ajudo na sua interpretação? É que não estudamos poetas muito fáceis de entender! A maior dificuldade é encontrar poemas que não sejam demasiado difíceis de interpretar para que se possam trabalhar em aula com alunos que são cada vez mais imaturos. A poesia pode ser uma excelente base de trabalho para se falar de emoções, mas para isso, os jovens têm de ser capazes de se colocar nas botas daquele poeta, de assumir o seu ponto de vista, de saber sobre o que é que ele está a falar.

Hoje, dia mundial da Poesia, deixo-vos com esta questão: 

O que é que a poesia vos traz?


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