segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Charlotte Brontë

Charlotte Brontë nasceu em Thornton, no West Yorkshire, Reino Unido, a 21 de Abril de 1816 e faleceu em Haworth a 31 de Março de 1855, com apenas 38 anos. Apesar da sua curta vida, foi uma das escritoras e poetisas mais reconhecidas da literatura inglesa. A sua vida serviu de inspiração aos seus próprios romances.


Charlotte foi a terceira de seis filhos nascidos de Maria Branwell e Patrick Brontë (cujo sobrenome anterior era Brunty ou Prunty), um pastor anglicano de origem irlandesa. Em 1820, a família mudou-se para uma aldeia a alguns quilómetros de Haworth, onde Patrick tinha sido nomeado coadjutor perpétuo na Igreja de São Miguel e Todos os Anjos. A mãe de Charlotte morreu de cancro no dia 15 de Setembro de 1821, deixando as suas cinco filhas e o filho aos cuidados da sua irmã, Elizabeth Branwell.


Em Agosto de 1824, Charlotte e as suas irmãs Emily, Maria e Elizabeth, foram enviadas para a escola de filhas do clero em Cowan Bridge, Lancashire, escola essa que Charlotte descreveu em detalhe no seu romance "Jane Eyre" sob o nome de Lowood School. Charlotte afirmou sempre que foram as más condições da escola a afetarem permanentemente a sua saúde e desenvolvimento e a apressarem a morte das suas irmãs mais velhas, Maria (nascida em 1814) e Elizabeth (nascida em 1815). Ambas morrem de tuberculose em junho de 1825. Pouco depois da morte das suas irmãs, o seu pai retirou as restantes filhas da escola.


A escrita começa em conjunto com as irmãs Anne e Emily (que também vêm a ser reconhecidas pelo seu trabalho literário). 


Mais tarde, Charlotte continua a sua educação em Roe Head, Mirfield, entre 1831 e 1832, onde conheceu as duas amigas com quem trocaria correspondência o resto da vida: Ellen Nussey e Mary Taylor. Com o psendónimo Wellesley, Charlotte escreveu nesse período o romance "The Green Dwarf".


Em 1835, Charlotte regressou à escola, desta vez como professora, e permaneceu nesta função até 1838. Em 1839, aceitou a primeira de muitas posições como governanta em várias famílias do Yorkshire, uma carreira que seguiu até 1841. Em termos políticos, Charlotte era conservadora, mas promovia a ideia de tolerância em vez de revolução. Tinha princípios morais muito fortes e, apesar da sua timidez, estava sempre pronta para defender os seus princípios.


Em 1842, Charlotte e a sua irmã Emily viajaram para Bruxelas para trabalhar num internato dirigido por Constantin Héger e pela sua esposa Claire Zoé Parent Heger. Em troca de alimentação e educação, Charlotte ensinava inglês e Emily música, algo muito comum naquela época. A sua estadia no internato foi encurtada pela morte súbita da sua tia Elizabeth Branwell de obstrução intestinal em Outubro de 1842.


Em janeiro de 1843, Charlotte regressou sozinha a Bruxelas depois de ter aceite uma vaga como professora no internato. A sua segunda estadia não foi feliz. Começou a sentir-se sozinha, com saudades de casa e começou a apaixonar-se por Constantin Heger. Acabou por regressar a Haworth em Janeiro de 1844 e mais tarde usou partes da sua experiência no internato para escrever alguns de seus romances. Com a irmã, escreveu também vários livros de poesia.


Escreveu o seu romance mais conhecido, "Jane Eyre" em 1847, com o pseudónimo Currer Bell. A escolha de pseudónimos claramente masculinos, foi uma escolha propositada uma vez que na época, uma mulher não poderia falar ou debater sobre determinados temas. 


O irmão de Charlotte, Branwell, morreu de bronquite crónica e debilidade extrema que tinha sido provocada pelo abuso de álcool, em setembro de 1848, apesar de Charlotte afirmar que o irmão tinha morrido de tuberculose. Emily e Anne morreram de tuberculose,a primeira em dezembro de 1848 e a segunda em maio de 1849.


Charlotte e o pai eram os únicos sobreviventes da família. Devido ao grande sucesso de "Jane Eyre", Charlotte foi convencida pelo seu editor a visitar Londres ocasionalmente, onde a escritora acabaria por revelar a sua verdadeira identidade. Aí começou a frequentar um círculo social mais movimentado, fazendo amizade com Harriet Martineau, Elizabeth Gaskell, William Makepeace Thackeray e G. H. Lewes. Contudo, Charlotte nunca mais deixou Haworth (somente por algumas semanas), pois não queria deixar o seu pai idoso sozinho.


Em junho de 1854, Brontë casou-se com um clérigo chamado Arthur Bell Nicholls e engravidou quase imediatamente. No entanto, a gravidez esteva longe de ser tranquila - ela teve crises agudas de náuseas e vómitos, que a levaram a ficar gravemente desidratada e desnutrida. Ela e o seu filho por nascer acabaram por morrer a 31 de março de 1855, provavelmente de tifo, febre comum na época vitoriana.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Charlotte_Bront%C3%AB


https://pt.triniradio.net/10-surprising-facts-about-charlotte-bront


 

domingo, 23 de outubro de 2022

"A paixão de Jane Eyre"

Quando se fala em grandes escritores clássicos, não se pode deixar de parte Charlotte Bronte (1816-1855). "A paixão de Jane Eyre", uma das poucs obras que editou, chega-me através de uma edição datada de 1978, do Circulo de Leitores.


Uma verdadeira história de amor, mas que me surpreendeu pela força de caráter que Charlotte atribuiu à personagem principla. Uma órfã, criada por uma tia, num lar sem amor onde os primos a maltratavam, manifesta logo desde criança uma grande tendência para a busca pela sua autonomia e independência e pela busca da verdade, conceitos à época mal interpretados como falta de reconhecimento e má indole. Esta menina acaba num lar onde cresce amparada pelos bons costumes e por uma exigente educação e pelo mostrando uma enorme resiliência e adaptabilidade a cada desventura que lhe sucede. Jane Eyre é uma jovem determinada, que rompe com os costumes da época.


No livro, várias são as vezes em que esta jovem mulher, corta com a segurança de um lar para ir em busca da insegurança da sua própria vontade e liberdade, não se deixando amarrar sem ser de sua própria vontade em nenhuma relação, mantendo sempre o auto-controlo e dando-se ao respeito em qualquer situação, não exitando, mesmo assim, em discutir de igual para igual e com sabedoria sobre diversos temas do dia a dia, da cultura e da sociedade da época. 


Neste livro, apesar de transparecer nas descrições a diferença entre as ordens sociais, não se encontram registos da forma de governação, o que por um lado pode querer dizer que não se podia ainda assim escrever sobre temas tão copncretos, mas por outro que essa informação não traria qualquer benefício à história. 


Em várias ocasiões, o nome das terras está também suprimido, substituído por reticências ou apenas iniciais do nome do local, o que dificultaria se se quisesse localizar a narrativa de uma forma mais concreta geograficamente. 


Apesar de leitora assídua e de gostar de diversos tipos de escrita, não me tinha aventurado por este tipo de literatura (salvo talvez nos romances mais infantis de Edith Nebit ou de Eleanor H. Porter. A história está muito bem escrita, apesar de na tradução, para alguns leitores que não dominem a língua, se poderem perder algumas frases em francês que não foram traduzidas (salvaguardando que na época, era frequente as escolas na Europa ministrarem o francês, não sendo por isso necessária essa mesma tradução). Descrever o que se passou seria retirar a magia da história, por isso a quem tiver curiosidade aconselho a leitura. Apesar de ser um livro grande, não é muito denso e as descrições estão muito bem feitas, com diálogos bem construídos que interrompem em alguns momentos uma descrição mais exaustiva dos espaços e dos acontecimentos. É um livro que aborda sobretudo os sentimentos, o amor, o respeito e a amizade, mas também o próprio medo perante um deus e uma religião castigadora.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

120 anos da morte de Émile Zola

Émile-Édouard-Charles-Antoine Zola, foi um escritor nascido em França em pleno século XIX e que não teve uma vida fácil.


Nascido a 2 de abril de 1840, em Paris, "viveu sua infância na cidade de Aix-en-Provence," onde em 1847 o seu pai viria a falecer. Com apenas 13 anos, começa a escrever os seus primeiros textos literários. 


Aos 18 anos de idade, voltou para Paris e aos vinte decidiu começar a estudar Direito. No entanto, não conseguiu atingir os valores mínimos para entrar e teve de ir trabalhar "para sobreviver," uma vez que as "complicações financeiras por que passou após a morte do pai," não lhe deixaram saída. Acabou por trabalhar "nas docas durante dois meses," mas depressa fica novamente numa situação de desemprego, tendo também trabalhado numa "série de escritórios," nos quais ia "ocupando cargos de pouca influência."


"Em 1862, finalmente, conseguiu um emprego na editora Hachette e também no jornal L’Événement," o que permite que reorganize a sua vida e, seja capaz de, em 1870, começar a "dedicar mais tempo à sua carreira de romancista."


É apenas cerca de uma década depois, que Émile Zola, começa a ganhar reconhecimento em França e se torna num "dos mais importantes escritores naturalistas da Europa."


Em 1898, aquele que era considerado "um dos escritores mais respeitados" em França, acaba envolvido no polémico "caso Dreyfus" tendo publicado "no jornal L’Aurore," uma carta que se tornaria famosa, "dirigida ao presidente da república, em defesa de Alfred Dreyfus (1859-1935), um oficial judeu condenado por traição." Nesta carta, Zola acusa claramente "o governo francês de antissemitismo," e por isso, o documento que tinha como "sugestivo título: J’accuse...! (Eu acuso...!)," acabou por se tornar "um escândalo." De tal forma, que Zola acabou por ser condenado à prisão.


Zola decide então fugir para Londres, Inglaterra, conseguindo regressar a Paris quando "um ano depois," Dreyfus é absolvido. No entanto, acaba por falecer apenas quatro anos depois.


Zola morre a 29 de setembro de 1902, em Paris, "asfixiado por causa de um problema na lareira de sua casa." Na época, "houve quem sugerisse que ele tinha sido vítima de assassinato," mas tal nunca foi provado.


A escrita de Zola apresenta caraterísticas muito próprias, tais como, o antirromantismo, que se pode observar na rara presença de idealizações, numa "linguagem destituída de sentimentalismo," que acaba por se revelar na sua escrita direta. O escritor é também um defensor da ciência, mostrando muitas vezes nas suas obras esta caraterística através da "supervalorização dos métodos científicos." Zola mostra também um lado crítico, discutindo os "problemas da sociedade, acabando por se revelar um claro defensor da justiça e mostrando-se completamente "contrário às injustiças sociais."


Fontes:


https://www.portugues.com.br/literatura/emile-zola.html


https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Zola


 


 

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

"O décimo terceiro conto"

Este livro, de Diane Setterfield, deixou-me completamente agarrada da primeira até à última página. O livro começa por falar de Margaret, que é uma jovem que (talvez, ou não) por ser filha de um alfarrabista, ama os livros. Ela é uma daquelas leitoras a que se pode chamar compulsiva, mas também gosta de escrever e acaba por se tornar biógrafa amadora. Sem dar grande importância a esta sua faceta, acaba por ser contatada por uma escritora famosa, Vida Winter. Margaret não deixa de se surpreender por ter sido escolhida para escrever biografia de Vida e, ao pesquisar sobre o que já se tinha escrito sobre a sua vida, descobre que esta tem por hábito iludir e mentir sobre as suas origens. Mas nada a iria preparar para o que viria a descobrir.

Vida sente que o seu fim está próximo. Está frágil e luta contra uma terrível doença que lhe traz dores atrozes! Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida, revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas mulheres vão partilhar vivências profundas, aproximando-se a afastando-se em determinados momentos da narrativa. Diane, escreve o livro de uma forma especial em que assume tanto assume a primeira pessoa dando voz a Margaret, como assume a voz de Vida Winter quando esta está a contar a sua própria história.

A própria narrativa se torna às vezes confusa quando Vida assume a sua "pessoa" ou quando ao invés relata na terceira pessoa como se estivesse a assistir à passagem da própria vida. Confusos? Não fiquem, pois a história está realmente muito bem escrita e vamos descobrindo os segredos a par e passo com a ordem da narrativa. Durante o livro, as duas mulheres partilham parte do seu dia no local preferido de ambas, a biblioteca, onde vão resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos. 

Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor e de amizade, mas que não deixa de ser uma história triste e solitária.

Outra coisa interessante é que ambas falam noutros contos, especialmente em grandes romances, um dos quais "A Paixão de Jane Eyre". No outro dia, estava a limpar a minha pequena coleção de livros, quando agarro nesse mesmo livro. Uma edição de 1979, capa dura e vermelha, do Círculo de Leitores e que herdei da minha mãe. Será a minha próxima leitura. Não sei se a minha mãe o terá chegado a ler, mas quero acreditar que sim. Tenho muitos livros que foram dela e, pela forma como este está manuseado acredito que ela o tenha chegado a ler.

sábado, 17 de setembro de 2022

"Depois do Inferno"

Escrito por Michelle Burford e Michelle Knight, esta é a história da propria Michelle Knight que foi raptada em 2002, por Ariel Castro. Ele era motorista de um autocarro escolar na cidade de Cleveland. O livro retrata os dez anos que Michelle passou em cativeiro, suportando torturas extremamente brutais e desumanas nas mãos do seu raptor. Não esteve sempre sozinha, pois em 2003, Ariel acaba por raptar uma outra rapariga, Amanda Berry. As duas começaram a partilhar o cativeiro até à chegada de uma terceira rapariga, Gina DeJesus, que é raptada em 2004.


Estas três raparigas partilham a dor e tentam sobreviver da melhor maneira que podem, conseguindo fugir no dia 6 de maio de 2013. Esta é uma história real que foi destaque na comunicação social de todo o mundo. São muitos os que ainda hoje se interrogam sobre o que se passou realmente naquela casa e como encontraram, Michelle e as suas companheiras, forças para sobreviver


Mas a história que Michelle Knight relata começa bem antes do seu rapto. Ela teve uma infância tumultuosa em que foi violada repetidamente. Foi hostilizada pela sua própria família e, quando desapareceu, Michelle estava a lutar pela custódia do seu próprio filho. Por esse motivo, a polícia pensou que ela tinha fugido por vontade própria e assim, 15 meses depois do seu desaparecimento, retirou-a da lista de desaparecidos. 


Depois do Inferno revela os pormenores da história de Michelle, incluindo os seus próprios pensamentos, orações e a descrição pormenorizada dos seus desenhos e diários - era com eles que se entretinha e aguentava o passar do tempo. As suas memórias, deram este magnífico mas doloroso livro, que custa ainda mais ler quando sabemos que é mesmo uma descrição de acontecimentos vividos na primeira pessoa.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A minha presença na Feira do Livro

Ontem estive presente na Feira do Livro de Lisboa, para divulgar o livro que escrevi. Como já relatei aqui anteriormente, arrisquei a edição de "Vivi e o dragão", uma história infantil.


A Editora foi a Cordel de Prata. Durante o tempo que lá estive, apenas uma senhora parou um pouco, conversou comigo e comprou um livro. Parece que as vendas no geral também não estariam a ser muito boas. Havia muita gente a passear mas poucos paravam para comprar. Eu própria queria vender primeiro, para depois comprar mas não consegui fazê-lo. Pouco antes do final da hora a que tinha direito, os vendedores que lá estavam, começaram a arrumar tudo e a fechar a banca. As outras bancas também estavam a fechar e acabei por não conseguir comprar os livros que desejava. O balanço desta ida à Feira, foi então mais uma despesa para mim e cansaço por ter de ir para Lisboa de transportes públicos, depois de um dia de trabalho.


De positivo, ter encontrado um casal de amigos que já não via há muitos anos e de termos reatado a nossa amizade. Estiveram lá a dar-me apoio e a fazer-me companhia durante aquela hora. Também me compraram um exemplar e deixaram outro encomendado para um próximo encontro.


Fora da Feira, por iniciativa pessoal tenho vendido alguns exemplares, mas ainda estou muito longe de ter algum lucro. Principalmente, tem sido a minha família e amigos a comprar e a sua opinião tem sido muito positiva. Têm gostado muito e é neste "passa palavra" que vou conseguindo mais vendas. Assim, penso que o problema se prende com a falta de divulgação da parte da editora. Outra coisa que reparei é que nas livrarias onde o libvro supostamente deveria estar, ainda não se encontra disponível nas prateleiras. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Um castelinho... em poesia

Hoje deixo-vos o desejo de, seja qual for a vossa terra, lá possam sempre regressar, nem que seja nas lembranças.


 



O castelinho


 


Na minha aldeia, há um caminho


E nesse caminho, pegadas


Que levam a um castelinho


Com torres e pedras tombadas.


 


Na minha aldeia, há uma fonte


Com água cristalina


E ao subirmos o monte


Vem descendo a neblina.


 


Na minha aldeia, há um jardim


Onde os meninos se escondem


Entre arbustos de alecrim


Perto da escola onde aprendem.


 


Na minha terra, nesta aldeola


A vida passa devagar


Subimos a rua da Escola,


Entramos na praça do lagar.


 


Na minha aldeia, as senhoras


Enchem o rio de sabão


Enquanto lavam as roupas


Do menino e do patrão.


 


Na minha aldeia, caladas


Não contam as gralhas no ninho


De quem são as pegadas


Que levam ao castelinho.


 


Menina de saia rodada


Descalça, corre e se apressa


Nem vê que fica marcada


No caminho a sua pressa.



Elsa Filipe, 2022

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...