sexta-feira, 27 de março de 2026

Poesia para dias bonitos...

 Hoje está um dia tão bonito, não está? Um dia alegre, soalheiro, que nos convida a ir para a rua e a apreciar a primavera que já chegou. Mesmo quando a felicidade está oculta por outros problemas e os olhos manifestam o cansaço acumulado, a primavera acaba por nos ajudar a ter esperança.

Lá fora... lá fora as balas zunem, mas aqui...aqui olhamos as andorinhas que chegam e que nos trazem a primavera com elas. 


É a Primavera a chegar

 

Na colmeia, em zumbido constante

Estão obreiras a trabalhar

O frio já ficou a montante

Está a Primavera a chegar.

 

Traz consigo as andorinhas

Que depois de muito voar

Encontram nas varandinhas

Um sítio para descansar.

 

Ocupam agora com cautela

Os ninhos que ali deixaram

Por cima da minha janela

As andorinhas já chegaram!

 

(Elsa Filipe, março de 2026)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Ainda sobre a Primavera

 Quando me desafiam, começam a nascer ideias. Boas, más, assim-assim... aqui fica mais um poema sobre a Primavera.


A Primavera

 

A Primavera chega de mansinho

E o sol, nos aquece, devagar

Canta feliz o passarinho

No seu ninho a trabalhar.

 

Qual arquiteto e senhor

Junta os galhos com saber

Depois com muito amor

Os ovos vai aquecer.

 

Quando é hora, das casquinhas

Saem de bico no ar

Sejam melros ou andorinhas

Em breve os veremos voar!

 

É a magia que acontece

A cada ano, em cada lugar

É tão belo que até parece

Que é a Terra a celebrar.

 

(Elsa Filipe, março de 2026)


terça-feira, 24 de março de 2026

Poesia... quando o inverno se vai embora e nos deixa o calor da primavera

O inverno começa a ir-se embora. Parece um pouco relutante... mas acabará por ir. Seguindo o seu caminho, deixar-nos-á dias mais amenos.

Estende-se o sol até mais tarde...e escreve-se com a inspiração da beleza da primavera.


O Inverno foi-se embora

 

O inverno, despediu-se

Foi-se embora de mansinho.

Andou chovendo,

Fez seus estragos,

Mas já se pôs ao caminho.

 

Chega agora a Mãe que da Terra

Com cuidado, terna e paciente

Ajeita a terra que a semente encerra

E dela faz algo surpreendente.

 

Onde havia escuridão, se fez cor

E onde a morte passou,

Desponta agora em esplendor

A vida que da Terra brotou!

 

 

 

(Elsa Filipe, março de 2026)


segunda-feira, 23 de março de 2026

"Sonata em Auschwitz"

Este livro de Luize Valente leva-nos através de Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, pela história de uma mãe que teve a sua bebé nos campos de Auschwitz. Neste romance, que parte de um relato real, Luize leva-nos numa viagem a Auschwitz. 

Amália desconhece as suas origens, sabendo apenas que tinha nascido em Portugal, numa família na qual sempre se sentiu amada e que, lutou contra a ditadura salazarista. É filha de dois portugueses que foram obrigados ao exílio em África, para fugirem à teia de perseguições da PIDE.Ao escutar acidentalmente uma conversa, Amália descobre que é descendente de um oficial nazi e acaba por ir procurar um pouco mais sobre as suas origens. O nome da sua avó é Gretel e Frida será a sua bisavó. Isto leva-a primeiro à Alemanha, onde procura a sua bisavó, com quem descobre que há ainda mais segredos escondidos. Quando chegamos ao quinto capítulo começamos a conhecer a história de Friedrich, o verdadeiro avô de Amália (e não Helvi como ela sempre tinha pensado), regressando ao ponto onde no início do primeiro capítulo, o tínhamos deixado. Acabamos por descobrir que o marido de Frida era Hans, um ex-SS, devoto de Hitler e que se tinha suicidado quando soube da morte de Hitler. 

Amália acaba por ficar revoltada por esta teia de mentiras que suportava a sua memória familiar. O pai que tanto tinha criticado a ditadura salazarista e que também tinha estado preso e sido torturado, era filho de um nazi e nunca lhe tinha contado nada sobre isso. Amália acaba depois por viajar para o Rio de Janeiro, no Brasil, já na terceira parte do livro.

Na sua estrutura, encontramos na realidade, o cruzamento de duas histórias: uma traz-nos a visão de Amália, contada na primeira pessoa, a outra é-nos narrada na terceira pessoa, levando-nos a assistir de forma mais distanciada aos acontecimentos.

Neste livro, existe um elo comum - a pequena Haya - a bebé que, ao contrário do que aconteceu na vida real - foi salva por um oficial nazi. Um livro que nos fala da ideologia nazi e do confronto com a ética e a escolha pessoal de cada uma das personagens. 

Convido-vos a ver também esta entrevista, onde a autora nos fala sobre a história real que deu origem ao romance. No final do livro existem também algumas explicações que nos ajudam a compreender a construção da própria "Sonata" que também nos é dada a conhecer.


Fontes:

https://youtu.be/b42n8C7by4g?si=vx7LHHmJFvxTnLWr

https://youtu.be/cRyydj-lS-0?si=4b6u-V55TZbVLYrp


 

sábado, 21 de março de 2026

Hoje celebra-se a Poesia

Além de se comemorar a entrada da primavera, essa estação das flores, dos dias mais azuis e mais quentes, também se assinala hoje uma data muito especial: o Dia Mundial da Poesia.

Eu gosto de escrever e, confesso, sou mais apreciadora de escrever em prosa do que em verso, mas de vez em quando lá me desafio (ou me desafiam) a escrever alguns versos. E quando me dedico, a minha cabeça enrodilha-se nas linhas e entrelinhas que compõe os versos.

Não me considero nada boa nisso e fico sempre a achar que falta algo, que não está totalmente bem, ou que podia ter encontrado uma palavra diferente para transmitir aquilo que queria. É culpa da minha exigência...

No fundo, a minha grande questão é: 

Para que nos serve a poesia ou como é que nós servimos a poesia? 

É que a poesia em si é um exercício que me desafia na arte da escrita, mas confesso que não gosto propriamente de ler poesia. Bem, a verdade é que depende. É que para mim a poesia é para ser lida quando precisamos... e há dias em que nos toca com uma tal intensidade que nos muda a nossa própria disposição. Não partilho tudo o que escrevo. Quase todos os dias escrevo e muito do que escrevo são poemas, só que depois quando os volto a ler, acabo por não gostar e deito-os fora. Quando os partilho, eles deixam de ser apenas meus e assim, já não os posso mudar - poder posso, mas decido mão o fazer - e isso mete medo. O definitivo. Há uma insatisfação qualquer em mim que não me deixa terminar nada sem ter medo de que esteja mal feito.

A poesia traz-me sentimentos diferentes conforme os dias. Cada vez mais, quando escrevo e, principalmente quando escrevo poesia, sinto que tem de haver uma intenção. Mas ler poesia é diferente. Nem sempre me faz sentir aquilo de que eu ia à procura. Pode fazer-me ficar mais feliz, me animar se estou triste, mas também pode ter o poder de me consolar, de me permitir chorar, de me rever em versos que me acolhem e me acalentam como um abraço forte.

Como exercício de escrita, a poesia é muito versátil. Ela pode dar-nos liberdade, mas, se quisermos seguir uma métrica regular e determinado esquema rimático, ela pode ser muito exigente. 

E no ensino, é difícil. Como é que eu transmito às crianças e jovens a importância da poesia, como é que eu lhes crio interesse, como é que eu os ajudo na sua interpretação? É que não estudamos poetas muito fáceis de entender! A maior dificuldade é encontrar poemas que não sejam demasiado difíceis de interpretar para que se possam trabalhar em aula com alunos que são cada vez mais imaturos. A poesia pode ser uma excelente base de trabalho para se falar de emoções, mas para isso, os jovens têm de ser capazes de se colocar nas botas daquele poeta, de assumir o seu ponto de vista, de saber sobre o que é que ele está a falar.

Hoje, dia mundial da Poesia, deixo-vos com esta questão: 

O que é que a poesia vos traz?


sexta-feira, 20 de março de 2026

Primavera em poesia

No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Poesia, Dia Mundial da Árvore e Dia Internacional das Florestas, o "Mensageiro da Poesia" desafiou os seus sócios a criar poemas sobre o tema "Primavera". Aqui vos deixo um dos poemas escritos especificamente para esta atividade:


E era a Primavera

 

Era um dia, um sol

O calor

Era a vida, a semente

O amor.

 

E do fundo, da terra se espreguiçava

Rasgava, empurrava, crescia,

Sentindo o sol que acarinhava,

O pequeno caule que da terra subia.

 

E era o pardal que voava

E era um falcão a caçar

E era na flor uma abelha,

Delicada borboleta a pousar.

 

E eram os dias quentes,

As tardes mornas, e a chuva que secava

E era a o Inverno que se ia,

Era a Primavera que, por fim, chegava!

 

(Elsa Filipe, março de 2026)


Informação sobre esta atividade, aqui:

https://www.cm-seixal.pt/evento/arvores-poeticas

 

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Despedida a Mário Zambujal

Quando se perdem grandes artistas, quando se perdem grandes escritores, jornalistas, autores, fecha-se a tampa da criatividade, morre um pouco de nós, da pátria da língua portuguesa.
Faleceu Mário Zambujal.
Nascido em Moura, a 5 de março de 1936, passou pelo Algarve e acabou a estudar em Lisboa. Começou a sua carreira no jornalismo desportivo, tendo-se iniciado na RTP, como comentador desportivo em 1977, mas fazendo ainda programas como "Quem conta um conto", "Semana que vem" e "Grande Encontro". 
Passou também pela rádio, onde chegou a fazer um programa com Carlos Cruz ("Pão com Manteiga") do qual resultaram textos que seriam mais tarde reunidos em livro.
Em 1960, tornou-se jornalista principal no jornal "A Bola". Viria ainda a ser sub-diretor no "Record", chefe de redação no jornal "O Século" e no "Diário de Notícias". Colaborou como colunista no "24 Horas" e chegou a ser diretor do "Se7e" e do "Tal e Qual".
Com esta carreira no jornalista, não estranhos que tenha vindo a ser "presidente do clube de jornalistas" e que tenha recebido o "Prémio Gazeta."
Mas é na escrita (não apenas na escrita jornalística) que eu o quero destacar. Mário Zambujal escreveu romances, contos e crónicas, sendo a sua primeira obra, "Os Ridículos" escrita com apenas 15 anos. Em 1980, publicava "Crónica dos Bons Malandros", que daria o arranque da sua carreira literária.
Da sua vasta obra, destacam-se "Histórias do Fim da Rua", "À noite logo se vê", "Primeiro as Senhoras" ou "Longe é um bom Lugar". Durante a pandemia publicou "Pirueta" e em 2025, publicou "O último a sair." Assinou ainda em autoria ou co-autoria, séries televisivas como "Nós os Ricos", e textos para teatro de revista, como por exemplo "Toma Lá Revista".
Na sua obra, vemos como presença constante a ironia e o humor, tratados de forma muito séria. 
Faleceu hoje, dias depois de completar 90 anos.


Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/cultura/morreu-mario-zambujal-aos-90-anos_n1725668
https://pt.euronews.com/cultura/2026/03/12/morreu-aos-90-anos-o-jornalista-e-escritor-mario-zambujal

"D. Maria II"

No seguimento da leitura de D. Maria I, procurei agora pela história de D. Maria II, de Isabel Stilwell. Neste romance, à semelhança dos ant...